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Mulheres empreendedoras: como o setor de eventos sobrevive na pandemia?

Adaptar, reinventar e diminuir, foram as palavras chaves durante este quase um ano.

sexta-feira, 05/02/2021, 13:10 - Atualizado em 05/02/2021, 13:35 - Autor: Bruna Dias


Kete, Jessica, Samira e Camila, estão no mercado de festas de Belém.
Kete, Jessica, Samira e Camila, estão no mercado de festas de Belém. | Reprodução

As redes sociais permitem cada vez que as pessoas mostrem seus posicionamentos, inclusive suas inseguranças e "pedidos de socorro", principalmente durante a pandemia. Desde o ano passado, muitos profissionais precisaram se adaptar com a realidade que não permite mais aglomeração.

O momento de festejar deu lugar ao medo e responsabilidade de combate ao Covid-19, seja dentro de nossas casas ou no nosso ambiente de trabalho.

Os eventos sociais, como casamentos, formaturas e aniversários, precisaram se adaptar. Dos patrões aos consumidores, o setor precisou inovar. Obrigadas a se adaptarem, as profissionais do setor de eventos sociais, precisaram usar da criatividade para não perder mercado.

O setor de eventos sociais no Pará foi pouco afetado com cancelamentos neste período de um ano, de acordo com a Fátima Petrola, presidenta da Pará Eventos, que é a Associação das empresas e profissionais do setor de eventos e entretenimento do Estado do Pará, as pessoas optaram por adiar ou se adequar aos novos formatos.

“O setor como um todo teve um número de cancelamento insignificante, as festas foram adiadas ou substituídas por novo formato para se adequar as normas vigentes”, disse.

Como para uma boa festa é necessário organização, Fátima contou que nesse quesito as coisas seguiram normalmente, até porque esses eventos são programado com uma média de um ano de antecedência. “Como trabalhamos com o intuito de gerar memorias afetivas, as festas continuam a ser programadas e organizadas”.

“As circunstâncias mudam mas os sonhos permanece. Tivemos um ano difícil e atípico diferente de tudo que já vivemos. Mas seguimos esperando dias melhores porquê sabemos que quando o mercado voltar na sua totalidade será mais disputado do que nunca”, acrescentou.

“Ainda estamos na expectativa da vacina porque essa vai dar segurança. Não podemos ser contra as restrições porque embora queiramos trabalhar temos ciência das dificuldades do sistema de saúde. Mas a criatividade é o maior diferencial do nosso setor e assim vamos nos ajustamos”, acrescentou.

CERIMONIAL E ASSESSORIA DE EVENTOS

Camila Alice e Samira Castro, proprietárias da Ative + Eventos e consultoria, também precisaram realizar mudanças nestes últimos meses. Há quase 6 anos trabalhando com eventos sociais em Belém, passar pela pandemia não tem sido fácil.

A dupla confessa que não ocorreu cancelamento dos seus eventos, apenas adiamentos, porém, mesmo com essa opção ficar cerca de um ano sem contar com o algumas indefinições causa uma certa ansiedade.

“Tivemos zero cancelamentos até então e nenhum com proporção reduzida. O nosso setor foi muito atingido, sem dúvidas. Soubemos de colegas que passaram dificuldades mediante a tudo isso. Porém, a procura por eventos não diminuiu. No período do lockdown a procura reduziu, as pessoas ficaram muito receosas mas com a “melhora” da situação, até então, as atividades voltaram ao normal e com isso a procura por nossos serviços”, explicou Samira.

A empreendedora sabe que a organização para um evento de sucesso é tudo, ou seja, ao contratar os seus serviços o cliente consegue ter uma tranquilidade com o tipo de serviço oferecido e com o resultado da sua festa.

“Para a nossa empresa 2021 começou bem. Já fechamos vários eventos. Sabemos que assessoria e cerimonial são de extrema importância pois ponderam tudo o que há de melhor para o evento e, no dia, o executam com calma e maestria. Uma pena que algumas pessoas não valorizem os nossos serviços”, finalizou.

BOLO

Quem faz uma festa sem bolo? O item é essencial para um evento festivo. Dos mais diversos sabores e decoração, o produto se torna indispensável para quem quer ter uma festa especial.

Ao lado do marido, Jessica Santana é responsável pela Duo Cake. Ela não é apenas uma boleira, ela é uma artista de bolo. Ao visitar o perfil do empreendimento no Instagram, é capaz de sentir água na boca apenas ao olhar.

Com decorações impecáveis e designers únicos, quem já provou os bolos da Duo Cake não esconde a satisfação com o sabor.

A caminhada de Jessica durante a pandemia também não foi fácil. Henrique, seu marido, também ajuda na produção, mas como ele tem um emprego em um hospital os horários se tornaram bastante corridos. Além disso, durante a pandemia nasceu Maria Valentina, atualmente com 6 meses.

“Nossa empresa iniciou-se de um lindo sonho. Começamos nos qualificando com cursos pelo Brasil e expandindo nosso conhecimento. Hoje temos certificados nacionais e internacionais, turmas de alunos por todo o Brasil”, contou.

Jessica conta que não perdeu tantos clientes durante a pandemia, e que os que já estavam com produtos reservados, só remarcaram seus eventos. “98% das pessoas remarcaram suas festas e 2% reduziram o tamanho do evento. Com a Duo Cake  não houveram cancelamentos, até porque nosso produto é bem aceito e pode estar presente nas grandes festas e também nas intimistas, então ao invés do cliente cancelar o contrato ele preferiu optar por uma carta de crédito”, explicou.

O momento de maior dificuldade foi no lockdown, que era necessário. Mesmo assim, o casal se reinventou e passou a fazer festas mais intimistas. Com o nome que fez no mercado, muitos dos clientes que já tinham festas marcadas, continuaram arcando com os compromissos. Para 2021, a expectativa é de esperar, sem muita definição com o fim da pandemia, os empreendedores vivem uma espera.

“Para o setor de eventos começou com uma perspectiva maravilhosa que seria aquecido pela chegada da vacina, porém com essa mutação do vírus ficamos estagnados novamente. Mas acreditamos que o ano está apenas começando e que muitas coisas boas virão. A Duo Cake tem projetos maravilhosos a realizar ainda este ano”, avaliou.

“Por oferecermos um produto indispensável sim, continuamos firmes no mercado, porém isso não é o fator determinante; mas por sempre prezarmos  a qualidade, o bom relacionamento, o comprometimento, estarmos sempre em busca de novidades e qualificação. Esse é nosso diferencial. O cliente não adquire simplesmente um bolo, porque esse item ele encontra em uma padaria, um supermercado. Quando o cliente chega a Duo Cake ele vem atrás de um trabalho artístico, que requer expertise, prática, conhecimento e amor”, finalizou Jessica.

DOCES

Há 13 anos morando em Belém, Mara começou a vender brigadeiros para completar a renda familiar. Começou atendendo os amigos e aos pouco expandia o seu negócio formando uma rede fiel de clientes, com isso seu espaço aumentou e hoje ela é dona de um local que vende doces variados.

Assim, como outras empreendedoras, Mara viu as dificuldades do seu negócio atingido durante a pandemia. "Em uma semana tive 60% da agenda cancelada. As vezes me emociono ao lembrar das diversas noites mal dormidas por conta da insegurança e qual seria a estratégia para continuar se mantendo", conta.

Ela então entrou nas plataformas de deliverys e conseguiu suprir a queda que ocorria nas vendas.


Passado os momentos de dificuldades, Mara conseguiu retornar com as suas agendas de festas e as suas encomendas já aumentaram bastante nesse inicio de ano.

"O doce é algo essencial para um evento, e a qualidade é algo que se destaca. Mesmo que se seja um produto 100% artesanal, eu consigo levar para o cliente doces igual, na medida certa, o que proporciona um toque especial na decoração. Além disso, tenho um preço justo. Outra coisa que acho que merece destaque é a mistura de sabores, já que tenho um cardápio com mais de 20 sabores de brigadeiros", analisou.

COMIDA

Como reinventar virou a palavra chave dessa pandemia, com Kete Lucia Baars não foi diferente. Trabalhando com buffets para eventos, ela precisou adaptar a quantidade dos seus produtos oferecidos e pensar em uma nova ideia para se manter, principalmente no período de lockdown.

“Com o meu negocio eu sofri mesmo com o cancelamento dos eventos, ficamos com um prejuízo muito grande, já que trabalhamos com comida e é um produto que estraga. No período que parou tudo foi a pior fase. Depois de cerca de seis meses, as festas voltaram e eu precisava cumprir com os contratos, ou seja, precisei adquirir produtos e voltar a me endividar”, explicou.

Outro problema enfrentado por Kete, foi o aumento no valor dos alimentos. Os preços subindo em meio a essa crise econômica. “Quando começamos a fechar novos contratos tivemos que parar de novo e começou a ser novamente tudo cancelado. Além do aumento de tudo, todos os materiais sofreram um aumento absurdo. Não é mais possível fazer uma festa com o valor que tínhamos fechado anteriormente. Então, tem que se endividar pra não deixar ninguém na mão, que foi meu caso”, contou.

“Antes da pandemia você fazia uma festa de R$ 3 mil para 100 pessoas, e gastava R$ 1500, tinha um lucro, hoje não conseguimos fazer isso. O filé custava em torno de R$30, hoje é R$ 50”, Kete disse ao se referir aos seus lucros.

Durante o período maior de isolamento, Kete usou as redes sociais para vender kits de lanches e salgadinhos deliverys. Foi necessário algumas parcerias com blogueiros para a divulgação, e ela conseguiu ser cinco estrela nos aplicativos de entrega.

Neste momento, Kete sente ainda a dificuldades de fechar novos contratos, até o momento nenhum foi fechado.

BEBIDA

Referência quando se fala em coquetelaria, a empresária Paula Amaral arregaçou as mangas durante o início da pandemia, fidelizou mais clientes e hoje já colhe frutos do seu profissionalismo.

Há mais de 10 anos atuando nos eventos sociais, com a proibição das festas ela passou a vender kits em 2020. O delivery de open bar era organizado em isopor e tinha dosagens certas das bebidas alcoólicas ou não, frutas e acompanhamentos e modo de preparo.

“O open bar era a minha segunda renda, mas fui estudando me apaixonando e virou minha profissão. Faço todas as minhas festas como se fossem únicas, meu cliente é fiel e faz questão de qualidade”, explicou.

Paula viveu dois estágios possíveis durante esse um ano: cancelamento e remarcação. Ela conta, que pelo menos os seus clientes não optaram por diminuir o tamanho do seu evento, já que investiram bastante nisso.

“O período do lockdown foi bem difícil, depois disso quando estava um pouco estabilizado começamos a fechar contrato normal, mas de repente vieram outros decretos. Pensei que nesse momento fosse melhorar, mas ainda não estamos de fato com funcionamento normal”, opinou.

“Para quem trabalha com festa está difícil desde que começou a pandemia , porque não sabemos o dia de amanhã , é precisamos ter um cuidado maior com o nosso material de trabalho, principalmente sobre o serviço que eu ofereço. Meus suprimentos são alimentos perecíveis e se estraga, ficamos no prejuízo. Não podemos passar esse dano para o cliente, porque não é justo , já que muitos já estão super aflitos”, acrescentou.

A empresaria entende perfeitamente o momento que o mundo vive, mas ela confia no seu trabalho e em dias melhores.

“Meu serviço é essencial para uma festa boa, já que uma das características de eventos de qualidade é ter bebida boa e um serviço com excelência. Desde que a pandemia começou me preocupei muito com a minha saúde, dos meus clientes e colaboradores, por isso mesmo nesse momento difícil consigo fidelizar pessoas e ganhar novas oportunidades no mercado de festa”, finalizou.

Carlen Aranha foi na contramão disso. Ela encontrou na pandemia uma oportunidade de iniciar um negócio. Casada com um músico, os contratos foram diminuindo e a situação financeira complicou. Então decidiram oferecer um serviço de delivery que deu super certo.

Após alguns meses do negócio e de conseguir um bom público, Carlen começou a fornecer para eventos sociais. Mesmo diante das dificuldades com tamanhos de eventos e restrições, a empreendedora tem conquistado um bom número de clientes.

“Tivemos um pouco de dificuldade já que alguns contratos eram cancelado devido aos decretos, mas a gente adaptou  nosso serviço  para atender esse mercado, dando flexibilidade de datas  para o cliente sem cobrar taxa de cancelamento, atendemos também eventos menores cujo a capacidade ajude também na pandemia.”, explicou.

Neste início de 2021, Carlen tenta cada vez mais se adaptar a realidade. Ela tem fechado novos contratos e indo em busca de novidades.

ROUPAS

Proprietária de um dos ateliês mais procurados de Belém, Simone Abitbol não passou por bons momentos nessa pandemia com seu negócio. O nome dela assina diversos vestidos de casamentos, 15 anos, noivados e os mais variados eventos sociais.

Por exemplo para um aniversário de 15 anos, Simone é procurada para fazer a roupa da sessão fotográfica, da recepção da aniversariante, o vestido da valsa e muitas vezes da mãe e do resto da família. Ou seja, ela trabalha com pacotes luxuosos para toda a família.


Com troca de grandes eventos por outros intimistas, ou até mesmo o adiamento das festas, a estilista se reinventou e passou a produzir o que as pessoas precisavam na pandemia: máscaras, pijamas e roupas hospitalares.

“2020 para os eventos que eu trabalho a procura não foi grande, mas como ocorreu o adiamento de muitos, no fim do ano comecei a produzir para as festas remarcadas, mas com certeza o meu produto que são as roupas de festas, diminuíram em 50% a procura”, explicou.

Além de aniversários e casamentos, Simone ainda trabalha com looks para formaturas, tipo de evento que não ocorreu esse ano. “Neste início de ano, a média foi ainda maior quando se fala em procura por roupas, cerca de 60 a 70% a mesmo que em outros anos”, constatou.

MÚSICA

Se as pessoas estão abrindo mão de alguma coisa para os seus eventos, a música não está entre elas. O Virtudão, que realiza o show Virtudão Vip para bailes, tem feito bastante eventos. Só neste primeiro mês do ano, o grupo já fechou três casamentos, o que para eles significa, que as pessoas começaram a programar as suas festas para o fim de 2021 e 2022.

No ano passado o momento ruim foi apenas no lockdown, depois disso, mesmo diminuindo o tamanho da festa. Dos 10 casamentos marcados, sete ocorrerem e os outros três foram adiados.


A banda se repaginou durante a pandemia, e colocou no vocal Leticia Moura, que deu um up no shows de baile e ainda foi uma renovação durante a pandemia.

“Logo que começou a pandemia, reconstruímos a identidade do Virtudão. Surpreendentemente fizemos muitos aniversario menores e eventos sociais, como reuniões de amigos, confraternizações no fim do ano. As pessoas não pararam de contratar, mesmo com as determinações dos decretos, continuamos fechando novos contratos. Então, não temos que reclamar”, contou a cantora.

DECORAÇÃO

Um dos itens primordiais para a decoração de uma festa são os balões, eles viraram centro de mesas ou artigos de luxo em muitas festas. Os arranjos feitos com balões podem compor tanto festas intimistas quanto maiores.

Giordana Soares, sócia de uma empresa de balões e cestas, contou que os seus clientes estão preferindo festas mais intimistas.


“Muitos preferiram diminuir a quantidade de convidados, e consequentemente o local do evento. Os clientes ficaram com medo até mesmo de fazer evento em suas próprias casas”, disse.

Atualmente ocorreu uma melhora na procura dos produtos oferecidos por ela, mas ainda não voltou ao normal, mas ela acredita que ao realizar uma festa para celebrar algo, é a realização de um sonho.

“Eu busco sempre manter todos os protocolos de higiene, e acredito que isso dá uma segurança impar ao cliente”, finalizou.

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