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ESTILO DE VIDA

Empoderadas e estilosas: com tatuagens e piercings, mulheres se destacam e vencem tabus

Mercado de expande as artes da tatuagem e aos projetos com perfurações em Belém, e mulheres se destacam no cenário.

sexta-feira, 29/01/2021, 11:31 - Atualizado em 29/01/2021, 11:35 - Autor: Bruna Dias


Professora mostrou um pouco das suas tatuagens.
Professora mostrou um pouco das suas tatuagens. | Irene Almeida

Em um ano de tantas dificuldades, elas precisaram ser mais ousadas do que já eram. Maria Clara, a Mana Black (@manablacktattoo), e Minna Silva (@minnasilva_tattoo) se tornaram donas do seu próprio estúdio de tatuagem. Vivendo realidades diferentes no ramo, já que uma ainda dá início a sua carreira, Minna já caminha para uma década tatuando.

“Já tatuei em uns 3 a 4 estúdios em Belém, mas agora é a primeira vez que estou fazendo uma parceria com uma mulher em um negócio próprio”, contou Minna.

A tatuadora, que hoje se divide entre o profissional e a maternidade, enfrentou muitos preconceitos para iniciar sua carreira com a arte. O maior deles foi a dificuldade que os homens tinham em não querer ensinar uma mulher a tatuar.

Em um ambiente com algumas barreiras quebradas, mesmo que baseado em muito machismo, a Mana Black, tem conquistado cada vez mais espaço em Belém.

“Nunca tive muito incentivo, sou formada em outras coisas, mas esse sonho de tatuar voltou como um furacão na minha vida”, contou. Os planos de se tornar tatuadora foram adiados justamente pela dificuldade de encontrar um ambiente acolhedor entre tantos homens.

O Mana's Tattoo Studio foi criado exclusivamente para que mulheres pudessem tatuar. “Quando tatuamos mulheres percebíamos que elas se sentem desconfortáveis em ambientes que tinham homens, então resolvemos criar esse local mais acolhedor”, explica Mana. As sócias ainda dizem que o público delas é em sua maioria feminino.

As dificuldades não param por aí. Não raramente, os homens ainda tentam desqualificar o trabalho realizado por elas.

Quem também já teve que enfrentar isto é a profissional Karen Torres (@karenntorr), que trabalha com perfurações, iniciou sua carreira em uma comunidade hippie.

“Foi quando eu comecei a me tatuar e perfurar. Depois de um tempo mudei de Estado, abandonei a área. Há cerca de seis anos, quando voltei para Belém, decidir estudar, procurar cursos e trabalhar com algo que era meu”, contou Karen.

Fora de Belém, a piercer profissional tem um currículo repleto de cursos e mais que isso, ela é super preocupada com a ética, biossegurança, saúde. Sabe no que isto resulta? Em uma agenda lotada. Atualmente, ela é uma das profissionais mais requisitadas de Belém. 

COM TATUAGEM

A professora de inglês Janaína Gato (@smiley____soul / @girlpower.english) tem um estilo todo próprio. Com originalidade e muita personalidade, ela se entregou ao universo das tattoos e hoje nem sabe mais quantas tatuagens possui.

“No começo escolhi muito por significado, cada tatuagem tinha uma representação de  alguma coisa importante para mim ou alguma fase da minha vida, mas depois algumas ficaram sendo mais com coisas que eu amo. Por exemplo, eu sou apaixonada por flores então decidi colocar elas no meu corpo. Elas não têm um significado super filosófico não, é porque realmente eu acho lindas, e decidi tatuar”, explicou.


Entre as flores, tem caveiras e uma frase, que já tem um outros sentido para Janaína. “Para mim a caveira mexicana representa a forma como todos somos iguais independente de religião, raça, gênero... Somos todos iguais vamos todos para o mesmo lugar. A frase que tenho tatuada é o lema da minha vida ‘Shine bright like a diamond’, que significa ‘brilhe como um diamante’, o que faz muito parte da minha personalidade. Eu amo tatuagens exatamente por conta disso, por você poder externar um pouco do que está dentro da gente, então eu coloco na minha pele coisas que eu amo e que fazem sentido para mim, que fazem parte de quem eu sou e de como eu vejo o mundo”, acrescentou.

VEJA AS TATUAGENS DE JANAÍNA

“Tenho paixão por empoderar mulheres através do inglês”, assim Janaína se define no seu perfil no Instagram. Cheia de atitude e feminista, ela conta que sempre foi difícil encontrar mulheres tatuadoras ao longo dos anos.

”Sempre fui tatuada por homens. Porém, fui em um evento e tinha uma única tatuadora. Óbvio que eu fiz questão de fazer uma tattoo com ela. E como hoje em dia já é muito mais comum, ano passado eu tive oportunidade de fazer também com tatuadoras mulheres e foi incrível”, contou.

Claro que o mundo tem evoluído, e principalmente o olhar sobre a diversidade das pessoas. Mas ainda é muito comum, infelizmente, que o que está de fora do padrão social ainda cause estranheza.


“Nunca passei por nenhuma experiência na qual tenha sofrido preconceito, mas com certeza recebo muitos olhares, principalmente quando vou para o interior, e acho bem divertido até.  Já trabalhei em uma empresa que chegou a pedir para eu cobrir minhas tatuagens e isso foi um dos motivos que fez eu pedir demissão, pois eu não estava nem um pouco disposta a esconder quem eu sou por conta do ‘sistema’. Ter liberdade para me expressar é uma das coisas mais essenciais para minha vida”, avaliou a professora de inglês.

Janaína ainda quer mais tatuagens, mostrar através dos desenhos um pouco de si. “É lindo rever fotos antigas e ver minha evolução pessoal acompanhada pelas novas tattoos que vão surgindo. Eu comecei com algumas bem pequenas, aos 17 anos, justamente por ter receio de não conseguir emprego ou sofrer preconceito. Hoje, aos 27 anos, já tenho uma mentalidade totalmente diferente, e pra mim quanto mais, melhor, Principalmente pelo fato de saber que não preciso me encaixar em nenhum padrão. Hoje sou muito mais feliz assim”, finalizou.

COM PIERCINGS

A jornalista Angélica Caldeira (@angelcaldeira), 30 anos, adora tatuagem e piercings. “Isso é parte da minha identidade, todas as minhas tatuagens têm um significado muito forte para mim. Mas infelizmente essa “ousadia” é julgada bastante ainda, tanto que minhas tatuagens se escondem fácil com uma blusa. Procurei não fazer tatuagem em locais que fossem expostos. Por questões profissionais mesmo. Infelizmente o medo do julgamento ainda nos assombra”, avaliou.

 

Angel e alguns dos seus piercings.
Angel e alguns dos seus piercings. Acervo Pessoal
 

Morando em São Paulo, a paraense pouco fala do seu piercing no mamilo. O acessório pode ficar escondido, mas requer um cuidado especial ao usar roupas mais coladas, biquínis, etc... Além disso, em um mundo tão machista, as pessoas ainda sexualizam a joia no mamilo.

“Escolhi porquê acho lindo e delicado ao mesmo tempo. Eu via muito piercing em peito pequeno e achava lindo, então decidir fazer. Acho um charme! Quando as pessoas sabem, há uma sexualização um pouco, mas procuro não sair falando sobre isso. Só pessoas bem próximas até então, sabiam”, desabafou.

Mesmo com estes desafios, as mulheres seguem demonstrando na própria pele que é possível sim se empoderar, vencer preconceitos e, é claro, apresentar as próprias marcas com muito estilo.


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