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CUIDADOS

Pandemia exige novos hábitos no comércio, mas há resistência

A pandemia do novo coronavírus exige que a população mantenha as medidas preventivas e o setor teve de se adequar. Contudo, comerciantes ainda enfrentam resistência por parte de algumas pessoas

terça-feira, 09/02/2021, 07:41 - Atualizado em 09/02/2021, 07:44 - Autor: Pryscila Soares


Luiza Aguiar é proprietária de um mercadinho próximo da feira do Guamá,
Luiza Aguiar é proprietária de um mercadinho próximo da feira do Guamá, | Celso Rodrigues

Passados onze meses após o início da pandemia da Covid-19, a rotina nos bairros da capital paraense se modificou, a partir da adoção de novos hábitos. Entre os mais frequentes estão os avisos nas entradas dos estabelecimentos como “proibido entrar sem máscara”. Os comércios de modo geral precisaram se adequar aos protocolos sanitários para terem condições de se manter em funcionamento, a fim de resguardar a segurança, minimizando o risco de proliferação do vírus nesses ambientes.

Ao longo desse período, a importância das medidas como o uso da máscara, controle de entrada das pessoas, distanciamento social e a disponibilidade do álcool em gel foi amplamente divulgada pelos diferentes meios de comunicação e os protocolos foram implantados nos mais diversos segmentos. Contudo, os comerciantes ainda enfrentam resistência de boa parte da população.

É o que ocorre, por exemplo, em uma área de comércio na Rua Eng. Fernando Guilhon com a travessa Honório, no bairro do Jurunas. O aviso sobre a obrigatoriedade do uso da máscara está bem visível na fachada de uma farmácia situada naquela via. Um dos funcionários fica posicionado na entrada do local para oferecer higienização das mãos com álcool em gel, garantir que o cliente permaneça de máscara, assim como delimitar o fluxo de entrada e saída. Mais que isso, os comerciantes passaram a orientar seus clientes sobre esses cuidados e chegam a oferecer máscaras descartáveis aos que não têm. Mas nem todos aceitam seguir as recomendações.

“Procuramos cumprir todos os protocolos. Desde março do ano passado estamos delimitando a entrada das pessoas por conta da aglomeração. Tem sempre um funcionário na porta para controlar o uso de máscara. A gente passa álcool em gel. Aqui no bairro a pandemia veio forte e, mesmo com toda essa informação, às vezes temos contratempos com pessoas querendo entrar sem máscara. Muitos idosos e jovens ficam resistentes ao uso da máscara. A gente adota uma postura solidária, estamos para orientar e não para advertir. Às vezes a gente até dá máscara para a pessoa”, explicou o funcionário da farmácia, Carlos Ministro, 59 anos.

Ainda naquela região do Jurunas, o vendedor de guaraná José Smith, 50 anos, conta que já se acostumou a usar máscara e tem sempre um frasco de álcool em gel para oferecer aos clientes. Porém, ele observa que muitas pessoas agem como se a pandemia não existisse. “Dificilmente as pessoas obedecem às medidas. Se você olhar, a maior parte anda sem máscara nas ruas. Tenho álcool em gel aqui, a gente oferece para o cliente e ele diz que não precisa”, comentou.

 

José Smith vendedor de guaraná no Jurunas
José Smith vendedor de guaraná no Jurunas Celso Rodrigues
 

GUAMÁ

Em um mercadinho próximo da feira do Guamá, na avenida José Bonifácio com a Barão de Igarapé-Miri, área que concentra um grande movimento, o aviso sobre o uso obrigatório da máscara foi afixado na entrada do estabelecimento. A proprietária Luiza Aguiar, 57 anos, conta que também é disponibilizado ao cliente o álcool em gel e máscara para aqueles que querem entrar no local, mas estão sem o acessório.

“A gente vai fazer um ano nessa situação e ainda tem pessoas que dizem que não usam máscara mesmo. Aqui no bairro não mudou nada. Infelizmente o povo não está consciente. Pedimos para o cliente colocar a máscara e a pessoa diz que esqueceu. Para não perder a venda, damos uma máscara. Às vezes eles ficam irritados e vão embora. No próprio dia a dia você observa pessoas descendo do ônibus, tiram a máscara e colocam no bolso ou no queixo”, contou a comerciante.

Uma das áreas de maior movimento da Terra Firme, a Rua Celso Malcher, abriga a feira do bairro e inúmeros estabelecimentos comerciais. Para além da adoção dos protocolos, os comerciantes perceberam uma mudança negativa: a queda no movimento após a pandemia. O desrespeito às medidas sanitárias também é uma realidade.

“A maioria respeita os protocolos, mas tem uma minoria que não. As pessoas estão menos preocupadas. Aqui a gente pede que o cliente entre de máscara, oferecemos álcool em gel. Tem gente que insiste em entrar sem máscara, a gente recomenda para a pessoa usar, mas não impedimos de entrar, até porque o movimento está muito fraco. Falei com meu patrão para começarmos a oferecer máscara cirúrgica para o cliente e colocar aquele totem de álcool em gel. Com essa nova variante tem de se cuidar em dobro”, ressaltou o atendente de uma loja, Herikles Guthierry, 21 anos.

Ônibus

 

Motorista de ônibus José Gonzaga
Motorista de ônibus José Gonzaga Celso Rodrigues
 

A chegada da pandemia do novo coronavírus também mudou a rotina no terminal rodoviário da Universidade Federal do Pará (UFPA), campus Guamá. A intensa movimentação dos coletivos e de alunos deu lugar a uma calmaria no local. Aquela agitação de antes também deixou saudades em quem trabalha ali. É o caso do motorista de ônibus José Gonzaga, 60 anos, que faz a linha Guamá-Conselheiro. “São coisas que a gente não consegue ter explicação. Diminuiu drasticamente a quantidade de pessoas aqui. O terminal fica limpo em vista do movimento que tinha anteriormente, não passa quase ninguém. Foi bastante estranho, na verdade. Acredito que prejudicou muito quem tem comércio”, pontuou.

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