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ANIVERSÁRIO DE BELÉM

Belém 405 anos: conheça histórias de quem vive na periferia da capital paraense

O DIÁRIO visitou o Jurunas, Condor e Terra Firme para contar histórias de alguns de seus moradores e a relação que têm com estes bairros da capital paraense

terça-feira, 12/01/2021, 08:30 - Atualizado em 12/01/2021, 08:34 - Autor: Denilson D’Almeida


Telma Santos vende tacacá na avenida Bernardo Sayão
Telma Santos vende tacacá na avenida Bernardo Sayão | Wagner Almeida

Belém é uma cidade cujo crescimento urbano não ocorreu de forma ordenada. Mas também é verdade que a periferia da capital se apresenta como um cenário heterogêneo e com moradores que se orgulham dos espaços onde vivem, apesar de todos os problemas que enfrentam. Em 2010, o bairro do Jurunas tinha 64.478 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por causa da pandemia, ano passado o Censo não foi realizado. Por lá, vários moradores se apresentam como “nação jurunense”, exaltando o amor pelo bairro. É lá também que está sediada a Escola de Samba Rancho Não Posso Me Amofiná – a mais antiga do Pará e a quartamais antiga do Brasil.

O pescador Alventino Silva, 43, é um dos belenenses que moram em uma palafita. A casa, de dois andares, fica no final da travessa dos Caripunas, próximo da avenida Bernardo Sayão. De lá Alventino tem uma vista privilegiada do rio. “Eu acordo sempre por volta das 6h, que é quando começa o movimento de barcos no rio. O barulho do motor deles é o nosso despertador”, disse, apontando para um “popopô” (pequena embarcação) próximo de sua casa. “Toda a minha vida foi construída aqui no bairro. Tenho tudo aqui perto. Se preciso ir à feira, por exemplo, não gasto nem dez minutos para chegar até lá”, prosseguiu.

Durante a entrevista começou a chover forte. Era pouco mais de 15h. E as crianças saíram de casa para jogar futebol num canteiro de obras. Era um grupo pequeno, de poucas crianças. Os gritos eufóricos da partida se destacavam em meio ao ruído da chuva. E quando o assunto é gastronomia uma cuia de tacacá sempre vai ser uma boa pedida durante a tarde. Telma Santos, 60, sabe disso. Ela vende tacacá na avenida Bernardo Sayão, próximo ao Porto da Palha, no bairro da Condor. A banca, formada por duas mesas plásticas, fica em frente a uma vila de palafitas e próximo de uma feira. O local é de movimento intenso.

A panela com tucupi sobre um fogareiro sinaliza que a iguaria está pronta. “Eu vendo aos finais de semana, mas como estamos no período do aniversário de Belém, os clientes estão pedindo bastante. Não vendo menos que 35 cuias de tacacá por dia”, comentou. Questionada se a banca dela faz parte da rotina do bairro, ela faz uma correção. “O tacacá é a cara e o sabor de Belém, eu vivo na Condor, tenho orgulho, mas sou uma representante da culinária e da cultura de Belém”, enfatiza a tacacazeira.

“A minha venda é na calçada. Não tem outra cidade onde os moradores se reúnem nas calçadas para lanchar e conversar. Na periferia isso ainda faz parte do nosso dia a dia”, atentou.

Próximo da ponte sobre o canal do Tucunduba, área limite entre os bairros da Terra Firme e do Guamá, o cenário é marcado por extensas áreas com lixo despejado irregularmente.

 

Samille Gonçalve
Samille Gonçalve Wagner Almeida
 

Juntos, os dois bairros somam 156.046 moradores – segundo o Censo do IBGE, de 2010. Guamá e Terra Firme têm o dia a dia bastante movimentado. Na feira da São Domingos (Terra Firme) o movimento é intenso até o início da noite. A feirante Samille Gonçalves, 20, conhece a rotina. Ela herdou da bisavó uma barraca de venda de goma, coco, farinha e tucupi. “Nas feiras, os alimentos são mais baratos. A procura é dia e noite”, comentou.

De presente para Belém nestes 405 anos de fundação ela gostaria de dar saneamento básico. “Uma melhor infraestrutura para que todos nós, moradores da cidade, tenhamos mais qualidade de vida. A felicidade por morar numa capital como Belém nós já temos”, exaltou.

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