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Mercados de bicicletas e games ganham destaque durante pandemia

Com diminuição da circulação em academia e nas ruas por causa do coronavírus, consumidores paraenses buscaram alternativas de lazer, enquanto empreendedores investiram nestes nichos de negócios

sexta-feira, 12/02/2021, 07:52 - Atualizado em 12/02/2021, 08:34 - Autor: Alexandra Cavalcanti


Jogos de videogames tiveram crescimento nas vendas durante as restrições em 2020
Jogos de videogames tiveram crescimento nas vendas durante as restrições em 2020 | Irene Almeida

Com o acesso limitado às academias e clubes por conta da pandemia, vem crescendo em todo país o número de consumidores que estão investindo em outras formas de se exercitar e também em outras maneiras de distração, como os videogames. Uma pesquisa feita pelo Itaú Unibanco sobre os hábitos de consumo dos brasileiros, desde a chegada do coronavírus ao país, aponta que os gastos com a compra de bicicletas e acessórios cresceram 54,4% no ano passado, em comparação com 2019. Também cresceram em 40,4% os valores gastos com jogos eletrônicos, livros, streaming e instrumentos musicais. Na capital paraense e região metropolitana, a adesão pelo uso de bikes tanto como opção de atividade física, como meio de transporte vem visivelmente crescendo, ajudando inclusive no incremento desse mercado.

De olho nessa nova possibilidade, o professor e empreendedor Artur Lopes, de 23 anos, não pensou duas vezes quando percebeu um crescimento na demanda por acessórios e serviços para bicicleta. “Passei a me interessar bastante pelo assunto e a pesquisar, a partir das minhas próprias necessidades enquanto ciclista. Amigos e pessoas que fazem parte dos mesmos grupos de bike que eu, passaram a me procurar bastante pedindo orientação sobre peças e sobre cuidados. Ao mesmo tempo, a escola na qual sou professor estava passando por dificuldades, então resolvi abrir uma loja virtual para peças de bicicleta há seis meses, em plena pandemia”, lembra.

 

Artur aproveitou o aumento da demanda pelas bicicletas para investir no próprio negócio
Artur aproveitou o aumento da demanda pelas bicicletas para investir no próprio negócio Reprodução
 

O novo empreendimento vem dando certo e já é a principal fonte de renda de Artur, que também atuava em uma empresa de ecoturismo. Além das peças, dos consertos e da assessoria para o uso do equipamento, ele oferece ainda um serviço personalizado em que vai até a casa do cliente para atender às suas necessidades. “Comecei bem pequeno, sou MEI (Microempreendedor Individual), mas venho crescendo e tendo uma demanda crescente de clientes. No futuro, dependendo de como o mercado vai ficar após a pandemia, pretendo ter um espaço físico para a loja e também para servir de apoio para ciclistas”, conta.

Para ele, durante esse período de pandemia houve, de fato, um aumento no consumo. “Elas estão sendo mais usadas tanto como opção de atividades físicas, quanto como meio de transporte”, acredita. Essa também é a opinião da cabeleireira, Vânia Silva, adepta de bikes há três anos. “No grupo de ciclistas do qual eu faço parte percebemos um aumento de cerca de 50% no número de participantes durante esse período de pandemia. Eu mesma consegui quatro novos adeptos e estou pesquisando preço de bicicleta no mercado para que eles possam participar”, contou.

Ao lado dela, o técnico em laboratório, Fernando Feio concorda. “Não só pela questão do esporte, mas principalmente como meio de transporte. Acredito que por medo de andar nos meios de transportes coletivo por conta do vírus, muitas pessoas estão fazendo a opção pela bicicleta”, opinou. O boom no mercado trouxe para a cidade lojas especializadas no assunto, onde é possível encontrar desde os modelos mais simples, com preços médios entre R$ 600 a R$ 1000 até aqueles mais sofisticados que custam o preço de um carro popular novo, mais ou menos R$ 30 mil.

JOGOS

Com relação ao mercado de games, a capital experimentou um crescimento no número de lojas do setor nos últimos 10 anos. Mas durante a pandemia, o mercado tem mostrado um desempenho bem variado. Enquanto para uns as vendas alavancaram nesse período, para outros, a situação acompanha a dificuldade vivida por grande parte do comércio varejista, com queda nas vendas.

Há cerca de oito anos, Edvaldo Silva ajuda a irmã na administração de uma loja de games, localizada em uma galeria, no centro da cidade, onde estão outras cerca de dez lojas do mesmo setor. Para ele, o período de pandemia teve um reflexo positivo nas vendas. “Aqui trabalhamos tanto com a venda de games, como de acessórios, além de fazermos consertos e instalações e posso afirmar que tivemos uma média de 40% no crescimento das vendas e da procura por serviços nesse período. Passamos por um momento, inclusive, de falta de produto, porque a procura era muito grande”, lembra.

A escassez na oferta, segundo ele, acabou fazendo com que muitos produtos aumentassem de preço. “Estávamos vendendo um videogame por cerca de R$ 2 mil, mas ele ficou em falta e quando retornou já veio com outro preço e tivemos que reajustar”, destacou.

Já para Wagner Lima, gerente de outra loja de games, a pandemia fez despencar a procura por produtos. “Há cinco anos, tínhamos clientes, mas não tínhamos mais produto. Este ano, no natal, por exemplo, tínhamos produtos, mas não tínhamos clientes. Foi o nosso pior natal, porque acredito que as pessoas estão com medo de gastar porque não sabem como será daqui para frente”, disse ele, que trabalha na loja há cerca de 10 anos.

Ele conta que no local, várias lojas foram obrigadas a fechar as portas por conta da falta de clientes. “Não há como manter um custo com aluguel, sem clientes”, explica. Por outro lado, para aqueles que são adeptos aos jogos eletrônicos, a pandemia acabou sendo um período ideal para se dedicar mais a esse passatempo, especialmente por conta da necessidade do isolamento social. Esse foi o caso do estudante Caíque Luz, de 17 anos. “A pandemia ajudou bastante, porque como sobrou mais tempo, passei a jogar mais”, diz ele.

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