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Filho de Jatene se entrega à Polícia Federal

Sexta-Feira, 16/12/2016, 07:11:42 - Atualizado em 16/12/2016, 22:04:02 Ver comentário(s) A- A+

Filho de Jatene se entrega à Polícia Federal  (Foto: reprodução/RBATV)
(Foto: reprodução/RBATV)

Alberto (Beto) de Lima Jatene, filho do governador do Pará, Simão Jatene, se entregou na sede da Polícia Federal (PF), em Belém, por volta das 17h desta sexta-feira (16). Ele entrou pelos fundos do prédio do órgão. 

Beto Jatene é um dos alvos de uma operação em curso da Polícia Federal desde 2015. Hoje, a operação Timóteo iniciou a partir das primeiras horas da manhã em 11 estados brasileiros, incluindo o Pará, e o Distrito Federal.

Veja o momento em que Beto Jatene é escoltado por policiais federais:

A missão dos policiais federais é realizar busca e apreensão em 52 diferentes endereços, todos relacionados com uma organização criminosa investigada por um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral, isto é, 65% da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) tem como destino os municípios.

A PF esteve na residência de Beto Jatene, localizada na Avenida Antônio Barreto, esquina com a Dom Romualdo de Seixas, no Umarizal, durante a manhã, porém ele não foi encontrado. Apesar disso, alguns materiais foram apreendidos.

(Foto: via Whatsapp)

Inicialmente, o advogado de Beto Jatene, Roberto Lauria, disse que o filho do governador do Pará estaria viajando a trabalho. Entretando, ainda durante a manhã, em entrevista ao DIÁRIO DO PARÁ, garantiu que o cliente se apresentaria ainda hoje.

A tarde, por volta das 15h, o advogado Roberto Lauria afirmou que estava "em contato com a família de Beto" para definir o horário que ele voltaria de viagem e se apresentaria à PF, o que aconteceu por volta das 17h. 

 

DETIDO E À DISPOSIÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL

Beto Jatene deixou a sede da Polícia Federal no início da noite, e foi encaminhado para realizar exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Em seguida, deve ficar detido em uma cela de um quartel do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), onde deve permanece à disposição da Justiça Federal. 

O mandado de prisão temporária contra Beto Jatene é de quatro dias.

O advogado Roberto Lauria disse ainda que, após a apresentação do cliente, seguirá para Brasília (DF) para tentar revogar a mandado de prisão, afirmando que o filho do governador Simão Jatene não tem participação no esquema.

Durante a entrevista, o advogado Roberto Lauria também disse desconhecer os detalhes da acusação contra o cliente, pois toda a investigação está sendo realizada a partir de Brasília (DF).

(Imagem: via Whatsapp)

 

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11 ESTADOS E DISTRITO FEDERAL

As ações da PF acontecem nas seguintes unidades da federação: PA, BA, DF, GO, MT, MG, PR, RJ, RS, SC, SE e TO.

Apenas no Pará foram 21 buscas, 8 prisões temporárias e 11 conduções coercitivas.

Em Belém, dos três mandados de prisão temporária, apenas um foi cumprido, além de 13 buscas e apreensão. Das 9 conduções coercitivas, apenas 1 faltava ser cumprida até a publicação desta reportagem.

No município de Parauapebas, das 5 prisões temporárias, 3 foram cumpridas, além das 6 buscas e apreensão.

Em Canaã dos Carajás, 1 mandado de busca e apreensão foi cumprido, assim como em Oriximiná.

Nos demais estados e no Distrito Federal a operação previa o seguinte:

- Bahia: 2 buscas.

- Distrito Federal: 7 buscas, 2 prisões preventivas e 4 conduções coercitivas.

- Goiás: 1 busca, 1 prisão temporária e 2 conduções coercitivas.

- Mato Grosso: 1 busca.

- Minas Gerais: 5 buscas.

- Paraná: 1 busca e 2 conduções coercitivas.

- Rio de Janeiro: 1 condução coercitiva.

- Rio Grande do Sul: 1 intimação de comparecimento.

- Santa Catarina: 10 buscas, 4 prisões preventivas e 8 conduções coercitivas.

- Sergipe: 2 buscas e 1 condução coercitiva.

- Tocantins: 1 busca.

Além das buscas, os cerca de 300 policiais federais envolvidos na ação também cumprem, por determinação da Justiça Federal, 29 conduções coercitivas, 4 mandados de prisão preventiva, 12 mandados de prisão temporária, sequestro de 3 imóveis e bloqueio judicial de valores depositados que podem alcançar R$ 70 milhões.

 

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA CRIMINOSO

O Juiz do caso, Ricardo Agusto Soares Leite, determinou ainda que os municípios se abstenham de realizar quaisquer atos de contratação ou pagamento aos 3 escritórios de advocacia e consultoria sob investigação.

As provas recolhidas pelas equipes policiais devem detalhar como funcionava um esquema em que um diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), detentor de informações privilegiadas a respeito de dívidas de royalties, oferecia os serviços de dois escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria a municípios com créditos de CFEM junto às empresas de exploração mineral.

Até onde a PF conseguiu mapear, a organização criminosa investigada se dividia em ao menos quatro grandes núcleos. Confira:

- Núcleo Captador: formado por um diretor do DNPM e sua esposa, realizava a captação de prefeitos interessados em ingressar no esquema.

- Núcleo Operacional: composto por escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria em nome da esposa do diretor do DNPM, que repassava valores indevidos a agentes públicos.

- Núcleo Político: formado por agentes políticos e servidores públicos responsáveis pela contratação dos escritórios de advocacia integrantes do esquema.

- Núcleo Colaborador: responsável por auxiliar na ocultação e dissimulação do dinheiro.

Entre os investigados por este apoio na lavagem do dinheiro está uma liderança religiosa que recebeu valores do principal escritório de advocacia responsável pelo esquema.

A suspeita a ser esclarecida pelos policiais federais é que este líder religioso pode ter "emprestado" contas correntes de uma instituição religiosa, sob sua influência com a intenção de ocultar a origem ilícita dos valores.

 

OPERAÇÃO TIMÓTEO

A operação Timóteo começou ainda em 2015, quando a então Controladoria Geral da União enviou à PF uma sindicância que apontava incompatibilidade na evolução patrimonial de um dos diretores do DNPM.

Apenas esta autoridade pública pode ter recebido valores que ultrapassam R$ 7 milhões.

O nome da operação é referência a uma passagem do livro Timóteo, da Bíblia Cristã, que diz o seguinte: os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição.

 

(DOL com informações da Polícia Federal e Cintia Magno/Diário do Pará)

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