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BAGUNÇA

Feirantes não têm estrutura para trabalhar em Belém

Em feiras localizadas em bairros como Tapanã e Terra Firme, as condições são precárias. Além de sequer ter um espaço decente, os autônomos ainda se arriscam, já que não há ordenação e as barracas ficam nas ruas

quarta-feira, 11/11/2020, 08:43 - Atualizado em 11/11/2020, 08:41 - Autor: Pryscila Soares


Não há organização na maioria das feiras da capital paraense.
Não há organização na maioria das feiras da capital paraense. | Mauro Ângelo

Desconforto, sujeira, risco de acidentes e muitas promessas não cumpridas. Diversos feirantes da capital paraense garantem o sustento de suas famílias a partir da venda de hortifrútis, carnes e outros tipos de produtos, trabalhando todos os dias nas feiras livres. Mas essas áreas abertas nem sempre garantem comodidade aos usuários, sejam eles trabalhadores ou clientes. As feiras dos bairros do Tapanã e Terra Firme são exemplos disso, que, de forma desordenada, seguem em funcionamento.

Quem atua nesses locais sonha em poder trabalhar em um espaço salubre e organizado. Na feira do Tapanã, por exemplo, alguns feirantes ocupam parte via, na estrada do Tapanã, distrito de Icoaraci, dividindo o espaço com os carros, motocicletas, bicicletas e ônibus que transitam por ali. “Aqui nunca teve promessa de organizar a feira. Há dois anos pedi para um vereador um contêiner de lixo. Disseram que vinha uma equipe da prefeitura aqui. Tem feriado que o carro de lixo não desce. Se for na quinta (o feriado), (o carro) só passa segunda. O lixo (que a feira produz) é diário e nem isso a gente conseguiu”, reclamou Angélica Malcher, 29, vendedora de carne que trabalha na feira há cinco anos.

A feirante precisou alugar um ponto para trabalhar, cujo o aluguel custa R$ 1.100, na esquina da rua Maria de Nazaré. “Tenho dois filhos e preciso continuar trabalhando, porque é disso que eu sobrevivo. A rua Maria de Nazaré tem uma promessa de ser pavimentada há quatro anos, desde o início desse mandato do prefeito”, afirmou a mulher.

Os feirantes reclamam do abandono por parte da Prefeitura de Belém.
Os feirantes reclamam do abandono por parte da Prefeitura de Belém. Mauro Ângelo
 

Faça sol ou chuva, o vendedor de peixe Raimundo da Silva, 53, exerce a atividade no local há 20 anos, onde enfrenta condições precárias. “A gente fica na rua, não temos um espaço adequado, atrapalhamos o trânsito, enfrentamos poeira, chuva e sol. A gente queria que cada um tivesse um box para trabalhar. Seria melhor”, reforçou o trabalhador.

Cliente da feira, a manicure Andreza Rocha, 27, procura andar pelo local com cuidado. “A gente queria que fosse uma feira organizada. É muito arriscado, porque aqui é passagem de ônibus”, reclamou.

TERRA FIRME

Situada na avenida Celso Malcher, bairro da Terra Firme, a feira ocupa os dois sentidos da via, que é de mão dupla e trajeto de linhas de ônibus. Os problemas são muitos. Quase não sobra espaço para os transeuntes e ciclistas circularem quando passam dois ônibus ao mesmo tempo em lados opostos. É preciso redobrar os cuidados. As barracas de madeira e cobertas com lonas não oferecem conforto aos feirantes. E muitas vezes o lixo produzido ali vai parar dentro das valas. “Já recebemos milhares de promessas. Estamos na rua, empatando até os ônibus e o trânsito. Todos nós. Se fizessem um espaço para que a gente pudesse guardar nossas coisas e no outro dia voltar, ia facilitar o trabalho”, comentou a vendedora de hortifrútis, Luzia Pereira, 65, que trabalha ali há 30 anos.

Já a feirante Márcia Oliveira, 57, lembra que quando chove a via alaga e o lixo produzido na feira fica boiando na rua. “A gente não acredita em mais em ninguém. Pode até fazer, mas a gente não acredita enquanto não vê. Há muitos anos prometem que vão tirar os feirantes da rua, mas até hoje isso não aconteceu aqui. A gente queria que fosse padronizado, daria até para limpar melhor, porque suja a vala, a rua. Quando chove aqui vira um rio”, criticou.

A manicure Oneide Marinho, 47, conta que o trânsito no local é muito arriscado. “Um dia desses o carro ia batendo a minha mãe. Os ônibus vão dobrar e só faltam matar a gente. Quando chove a gente só falta se acabar, porque fica cheio. É arriscado até pegar doença de rato”, lamentou.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Belém não se manifestou até o fechamento desta edição.

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