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RAP DE RAIZ

Cronixta lança primeiro álbum fazendo a ponte entre o rap e ritmos amazônicos

domingo, 28/06/2020, 11:13 - Atualizado em 28/06/2020, 11:13 - Autor: Wal Sarges


Inspirado pela “Ilha do Amor”, “Maiandeua” traz oito faixas e participações de gente como Pedro Luís e Manoel Cordeiro.
Inspirado pela “Ilha do Amor”, “Maiandeua” traz oito faixas e participações de gente como Pedro Luís e Manoel Cordeiro. | Vitor Manon/Divulgação

Repleto de sonoridades amazônicas, que permeiam sua memória afetiva, o primeiro disco da carreira do cantor Cronixta, “Maiandeua”, reflete aquilo que o inspira a ser artista. Lançado em sua plataforma no YouTube, o álbum tem oito faixas autorais e já pode ser acessado pelos serviços de streaming de música.

Ao construir a proposta conceitual do trabalho, Cronixta conta que pensou em tudo aquilo com que ele se identifica. “Existe um tempo que venho experimentando sonoridades que comuniquem cada vez mais com minhas raízes. Quando eu comecei a pensar no disco, minha primeira obra, queria deixar registrada a minha marca dentro de um cenário completamente marcado por muitas digitais. Foi então que surgiu naturalmente a palavra ‘carimbolei’, e o desafio, a partir disso, foi criar uma espécie de ‘carimbó’ ou ‘lei’ que trouxesse a originalidade existente dentro da minha cidade, conectada com a minha natureza e a escrita do rap”, teoriza.

O nome escolhido abarca essa ancestralidade. “Maiandeua” - o nome da ilha de Algodoal, que significa “Mãe Terra” em tupi - traz carimbó, guitarrada e tecnobrega nesse fluxo com o rap. “A gente nasceu com todos esses ritmos mirados para a gente. A relação com eles sempre existiu de forma muito natural desde quando comecei com a música, a diferença é a maturidade, e se permitir entender que a chave para tudo, dentro e fora da música, é exatamente o diálogo”, reflete o artista, que surgiu em 2014, com o grupo Cronistas da Rua, e embarcou na carreira solo três anos depois.

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E esse diálogo se estende a outras vozes criativas que colaboraram para o resultado final do álbum. “O disco conta com participações muito especiais de pessoas que eu admiro ou sempre admirei: o KL Jay, do Racionais MCs, Pedro Luís (Pedro Luís e a Parede e Monobloco) e Manoel Cordeiro. Esses caras são meus professores, me abriram um leque de possibilidades desde quando eu ouvi todos eles pela primeira vez. O MCDO, ou Macedo, vocalista do Afrocidade, é um camarada que a música me trouxe, a gente tem muita aproximação de ideias e ele também faz parte da minha geração, dessa nova safra da música brasileira. São tempos difíceis e é necessário entender essa coletividade para evoluir”, afirma.

IMAGINÁRIO

Referências do imaginário amazônico estão presentes no disco de ponta a ponta, e se misturam às histórias pessoais do artista. “Assim como existem as lendas do Chico Braga e da própria ilha, existe também a lenda de que fui fabricado em Algodoal, a Ilha do Amor. Estar longe da minha Belém me trouxe a vantagem paradoxal de, mesmo estando longe, estou perto”, diz Cronixta, hoje radicado em São Paulo, lembrando o mestre do carimbó de Algodoal, Chico Braga, falecido em 2015.

Estão no álbum músicas como “Bicho Solto”, “Caboclo Cigano”, “Veropa” e “Tacacá”. “As letras são construções próprias e elas vêm de algum lugar que eu mesmo não sei, mas vêm (risos)”, diz ele, em tom de brincadeira.

Além das composições, o álbum traz o “Manifesto Maiandeua”, vídeo que traduz visualmente o trabalho. “O ‘Manifesto Maiandeua’ é um recorte visual dessa minha raiz, mãe terra que é a nossa cidade. Nossa terra é inspiradora, farta e, ao mesmo tempo, a miséria é algo muito viva.” considera.

“O vídeo foi uma forma nova de trazer um pouco do conceito do disco, a música se tornou muito visual. Eu destaco essa Belém que é vibrante, inspiradora e faz com que nós, artistas, possamos entender essa necessidade de transformação social através da arte”, completa.

Acompanhe

“Maiandeua” - Cronixta

youtube.com/cronixta

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