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Mundo Azul: mães de crianças autistas criam grupo para troca de experiências

terça-feira, 02/04/2019, 14:36 - Atualizado em 03/04/2019, 14:20 - Autor:


Nesta terça-feira, 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo e a principal finalidade da data é difundir informações sobre esse transtorno do desenvolvimento que, infelizmente, ainda é desconhecido por muita gente. Com este mesmo objetivo, um grupo de mães dos estados do Pará e Amapá uniram forças para buscar melhorias na qualidade de vida de seus filhos, assim como reduzir a discriminação e o preconceito sofrido pelas pessoas afetadas pelo autismo. 


O "Mundo Azul", como é chamado o grupo, existe há cerca de dois anos e reúne mais de 100 mães que buscam, umas nas outras, o apoio necessário para enfrentar as dificuldades e derrubar paradigmas que ainda existem sobre o autismo. Entre as principais atividades realizadas pelas integrantes do projeto está a conscientização nas escolas. De forma voluntária, as mães se reúnem para preparar materiais informativos e entregam os panfletos nas instituições de ensino onde os seus respectivos filhos estudam.


"Nosso foco é a educação. Acreditamos que a escola deve ser um espaço onde as crianças se sentem acolhidas e amadas. Para isso, preparamos um material onde tem todas as informações sobre o autismo, como reconhecer as caracteristicas, por exemplo. As mães se unem e distribuem esses materiais", destaca Cleide Teles, integrante do grupo e mãe de Derek Teles, de 13 anos. 



Cleide Teles ao lado do filho Derek, de 13 anos. 


Para Cleide, que também é presidente da Associação dos Pais e Amigos dos Autistas de Ananindeua (Apan), a troca de experiências entre as mães do projeto é fundamental, mas, apesar do trabalho do grupo, ainda há muito a ser feito. "O apoio do grupo é muito importante, já que temos uma troca de experiência. A gente conversa, faz encontros e isso tem me ajudado muito. O meu trabalho é fazer a conscientização. O que a gente discute muito é a falta de políticas públicas. Nós ainda temos muita dificuldade de acesso ao ensino e a saúde. Os nossos filhos são rejeitados pelas escolas, para 
conseguir o benefício existe muita barreira", são alguns dos pontos levantados pela educadora. 


A professora adjunta da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Ynis Cristine Ferreira, de 38 anos, faz parte do grupo há um ano e conta um pouco sobre a importância do projeto. Ela é mãe de  Samuel, de 6 anos, diagnosticado com autismo. Além dele, a professora é mãe de Rafaela, de um ano.


"Todas nós procuramos, de forma mútua, ajudar umas as outras, buscando sempre garantir melhorias para os nossos filhos. O apoio e a união dessas mães fazem toda a diferença em nosso dia-a-dia. Eu, por exemplo, passei por algumas situações em que, se tivesse contado com o apoio de um grupo como esse, teria passado pela situação de forma mais tranquila", relatou Ynis. 



Ynis Ferreira relata as experiências vividas com o filho Samuel. Ela também é mãe de Rafaela. Imagem: Arquivo pessoal 


Entre as principais dificuldades encontradas pelas mães do projeto estão relacionadas com o diagnóstico precoce e com a falta de tratamento adequado. "O meu filho passou por cinco neuros, entre eles, uma neuropediatra que alegou que o Samuel não tinha nada. Se eu tivesse contado com o apoio do grupo, teria percebido os sinais logo de cara. Além disso, ao ser diagnosticado, passamos por uma fase muito difícil. Agora, com a Rafaela, tudo se tornou mais fácil, já que tenho como contar com o apoio das mães do 'Mundo Azul'", destacou Ynis   


Apesar do tema estar em evidência, o autismo ainda é muito desconhecido por muitas pessoas e a falta de informação pode gerar uma série de complicações para quem a possui, assim como para seus familiares. Uma das maiores barreiras a serem quebradas pelas mães do grupo tem relação direta com o preconceito.


"O Samuel tem uma grande dificuldade na interação, principalmente na fala e, em uma vez que estávamos em uma papelaria, ele acabou entrando na área do balcão de atendimento. Sem saber que meu filho era autista, a atendente começou a gritar com o mesmo e o puxou pelo braço. Imediatamente, ele começou a chorar. Sem saber do que se tratava, diversas pessoas que estavam no local começaram a falar que meu filho era mimado. Na mesma hora chamei o gerente e expliquei a situação. Esse foi apenas um episódio dos muitos que já vivemos por causa do preconceito. As pessoas não sabem como lidar com a situação, mas nós queremos que esse preconceito suma e que nossas crianças sejam vistas como qualquer outra pessoa", finalizou Ynis. 


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CAMINHADA 


Em alusão ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, uma caminhada foi realizada na manhã desta terça-feira (2) no município de Ananindeua, Região Metropolitana de Belém. A concentração do evento iniciou às 8h na Igreja do Amparo, na Cidade Nova e seguiu até a Praça da Bíblia. Centenas de pessoas participaram da ação, que contou com o apoio do Centro de Atendimento Psicossocial Infanto Juvenil de Ananindeua. 


(Paloma Lobato/DOL)

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