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'Ele chegou a beber meu sangue de uma das porradas que me deu', diz jovem agredida

sábado, 23/03/2019, 12:04 - Atualizado em 23/03/2019, 14:14 - Autor:


A estudante de Deisiane Souza Cerqueira, de 18 anos, foi agredida e mantida em cárcere privado, por seis meses pelo namorado. O caso ocorreu em Camaçari, município da Bahia.



Em depoimento, ela contou a maior barbaridade que ele fez durante as agressões.



"Ele chegou a beber meu sangue de uma das porradas que me deu", informou à autoridade policial.




O acusado é o tatuador, Marcos Alexandre da Silva, de 35 anos, com quem ela tinha um relacionamento há oito meses. A vítima além de ter o braço marcado por tatuagens, teve o rosto desfigurado e cicatrizes espalhadas no pescoço, costas e pernas, fruto das agressões diárias: murros, facadas, queimaduras de cigarro e mordidas.



Além de agressões físicas, Deisiane também sofreu tortura psicológica. Ela foi mantida em cárcere privado por seis meses, e era ameaçada de morte diariamente.


O casal se conheceeu em um encontro de jovens. E as agressões começaram há seis meses, quando Marcos passou a morar na casa de Deisiane. 

Na última terça-feira (19), Deisiane foi resgatada pelo pai, o taxista Robson Cerqueira Santos, de 43 anos, que desconfiava que tinha alguma coisa errada com a filha. Já que sempre tinha dificuldades para entrar em contato com ela.

De acordo com o pai, sempre que ligava para a filha, era o namorado quem atendia o celular. E inventava desculpas para que ele não falasse com Deisiane.

"Ele falava que ela estava em Salvador cuidando da avó dele. Era a mesma história sempre. Os avós maternos dela moravam no andar superior da casa, mas nada escutavam, porque ela sofria calada. Ele dizia que, se ela gritasse, a mataria com facadas e mataria também os avós”, disse o pai.

Robson decidiu ir à casa da filha, e ao se aproximar e chamar por ela, a cadela da família, Nina, começou a latir. "Nina reconheceu minha voz e latiu com muita força", disse.

Marcos não estava na casa. "Foi quando escutei o pedido de socorro de minha filha. Ela gritava meu nome. Então, arrombei a porta com o pé e encontrei ela naquele jeito deplorável", afirmou.

O pai encontrou a filha muito machucada. "Ela estava amarrada numa cama, presa por uma corda. Estava muito fraca, sem comer, cheia de marcas pelo corpo. Foi terrível ver a minha filha naquele estado. Carreguei ela nos braços e tirei dali. Depois, fomos à delegacia registrar o caso", contou.

A vítima relatou seu drama. "Se meu pai não me salvasse, tenho certeza que neste momento estaria morta. Ele com certeza iria me matar", contou. Ela disse não saber o motivo da mudança de comportamento de Marcos.

"Não sei o que houve com ele. Depois de dois meses de namoro, passou a me trancar dentro de casa, me espancar sem eu fazer nada. Ele deixava eu comer apenas uma vez por dia", afirmou.

Daisiane contou também que sofreu várias torturas. "Ele apagava o cigarro na minha nuca, no meu braço, no meu pescoço. Mordia as minhas costas todas. Já deu uma facada em minha perna. Queimava minhas pernas e braços com colher quente. Uma vez, atravessou a ponta de uma faca nos meus lábios. Me esmurrava do nada", relembrou.

"Ele me batia tanto que as paredes de minha casa estão sujas de meu sangue. Certa vez, ele bateu tanto, mas tanto, que ele depois começou a usar cola comum para fechar os ferimentos. Como não conseguia, me esmurrava no mesmo lugar”, completou a jovem.

A vítima contou que, um dos momentos mais difíceis do cárcere, foi ver o agressor beber o sangue dela.

"Não sei porque ele agia assim. Não fazia nada. Ele mudava de humor repentinamente e começava a me bater. Ele chegou a beber o meu sangue de uma das porradas que me deu. Ele gostava de figuras satânicas. Acho que ele surtava", declarou.

O caso foi registrado na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Camaçari e está sob os cuidados da delegada Florisbela Rodrigues. O agressor não foi encontrado pelos policiais. Com isso, com pedido da delegada, o juiz Ricardo José Vieira Santana concedeu medida protetiva a Deisiane, estabelecendo que Marcos deve ficar a 300 metros da vítima e dos familiares dela.

"O perito que fez o exame de corpo delito chorava toda vez que olhava para ela. Um policial da Deam também chorou. Se eles, que não são parentes, ficaram deste jeito, imagina eu? Não tenho mais lágrimas, mas o meu coração de pai está arruinado, pois me culpo por tudo isso, por não ter estado mais presente na vida de minha filha”, disse o pai da vítima.

Na manhã da última quinta-feira (21), o advogado do tatuador esteve na Deam e prometeu apresentá-lo, mas não determinou prazo para que isso acontecesse.

(Com informações do Portal Correio 24h)


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