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Lentes de contato podem causar infecção ocular e cegueira

sábado, 02/03/2019, 12:25 - Atualizado em 02/03/2019, 12:30 - Autor:


Um novo surto de uma infecção ocular rara, mas evitável, que pode causar uma grave lesão ocular, foi identificado em usuários de lentes de contato, em um novo estudo, liderado por pesquisadores do Moorfields Eye Hospital. A equipe de pesquisadores encontrou um aumento de três vezes da ceratite causada por Acanthamoeba, desde 2011, no sudeste da Inglaterra.


Os usuários de lentes de contato reutilizáveis são mais propensos a usarem soluções ineficazes, que contaminam suas lentes, ou a relatarem má higiene das mesmas, de acordo com as descobertas publicadas no British Journal of Ophthalmology.


Segundo os autores do estudo, a infecção causada pela Acanthamoeba ainda é bastante rara, geralmente afetando 2,5 em 100.000 usuários de lentes de contato por ano, no sudeste da Inglaterra, mas é amplamente evitável. Esse aumento nos casos destaca a necessidade de os usuários de lentes de contato estarem cientes dos riscos.


“A ceratite por Acanthamoeba é uma doença ocular que faz com que a superfície frontal do olho, a córnea, se torne dolorosa e inflamada, devido à infecção por Acanthamoeba, um microorganismo formador de cistos”, explica o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.



Os pacientes mais gravemente afetados (um quarto do total) têm menos de 25% de visão após a doença e enfrentam tratamento prolongado. No geral, 25% das pessoas afetadas requerem transplantes de córnea para tratar a doença ou restaurar a visão.


“Qualquer um pode ser infectado, mas os usuários de lentes de contato enfrentam o maior risco, devido a uma combinação de maior suscetibilidade à infecção, por razões não totalmente estabelecidas, como resultado do uso das  lentes de contato e da contaminação do estojo das lentes”, explica o oftalmologista Eduardo de Lucca.


Para realizar a pesquisa, os pesquisadores britânicos coletaram dados de incidência do problema no Moorfields Eye Hospital, de 1985 a 2016. Eles encontraram um aumento entre 2000 e 2003, quando havia 08-10 casos por ano, para cerca de 36-65 casos anuais nos últimos anos. Como Moorfields trata mais de um em cada três casos da doença no Reino Unido, os pesquisadores esperam que suas descobertas sejam relevantes de forma mais ampla.


Paralelamente a esses achados, eles conduziram um estudo caso-controle de pessoas que usam lentes de contato reutilizáveis ​​diariamente (embora a doença também esteja associada a lentes descartáveis), comparando aquelas que tiveram um diagnóstico de ceratite por Acanthamoeba com aquelas que procuraram o hospital por qualquer outro motivo, de 2011 a 2014.



O estudo de caso-controle incluiu 63 pessoas com ceratite por Acanthamoeba e 213 sem. Todos preencheram um questionário, a partir do qual os pesquisadores descobriram que o risco de desenvolver a doença era três vezes maior entre pessoas com higiene inadequada das lentes de contato, pessoas que nem sempre lavavam e secavam as mãos, antes de manusear suas lentes, entre pessoas que usavam um produto desinfetante de lentes contendo Oxipol (agora desativado pelo fabricante) e entre pessoas que usavam lentes de contato em piscinas ou banheiras de hidromassagem. Tomar banho e lavar o rosto usando lentes de contato também são fatores de risco.


“As pessoas que utilizam lentes de contato reutilizáveis precisam ter a certeza de lavar e secar completamente as mãos, antes de manusear as lentes de contato e evitar usá-las enquanto nadam, limpam o rosto ou tomam banho. Lentes descartáveis diárias, que eliminam a necessidade de estojos ou soluções de contato podem ser mais seguras”, orienta Eduardo  de Lucca.


(Com informações da Assessoria)

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