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PROTESTO

Motoristas de aplicativos fecham a Almirante Barroso em manifestação

Segunda-Feira, 11/02/2019, 15:54:35 - Atualizado em 11/02/2019, 16:50:59 Ver comentário(s)

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Motoristas de aplicativos fecham a Almirante Barroso em manifestação  (Foto: Paloma Lobato/DOL)
(Foto: Paloma Lobato/DOL)

Cerca de 400 motoristas de aplicativos fecham os dois sentidos da Avenida Almirante Barroso, em Belém , na tarde desta segunda-feira (11). Os manifestantes, que já haviam realizado outro protesto de manhã, percorreram diversas ruas da cidade contra o decreto da Prefeitura de Belém que regulamenta esse tipo de transporte.

O decreto determina uma série de regras para adequação tanto das empresas que administram os aplicativos, quanto para os motoristas, como a proibição de parar em locais públicos para pegar passageiros ou em locais próximos onde tenham pontos de táxi.

A principal reivindicação dos motoristas está relacionada a uma das exigências determinadas no decreto da Prefeitura, onde só poderão permanecer em atividade os motoristas que têm veículos fabricados a partir do ano 2012. Segundo um dos líderes do protesto, Clayton Magalhães, esse ponto deve atingir cerca de 30% a 40% dos trabalhadores. 

"O ano de vida dos veículos é algo que tem nos causado preocupação, haja vista que uma boa parte dos veículos que atuam na mobilidade em Belém estão no padrão de 2011 para baixo, porém, são carros bem conservados. Quem costuma usar aplicativo sabe que somos avaliados diariamente e, principalmente, as condições do veículo", ressaltou o motorista. 

Ele ainda afirmou que a manifestação não tem a finalidade de se colocar contra a regulamentação dos aplicativos, mas destaca que o decreto da prefeitura pode prejudicar diretamente centenas de pessoas que usam o aplicativo como única fonte de renda. 

"Alguns itens estão nos prejudicando muito, como a questão do ano do veículo. Nós não estamos sendo ouvidos, o prefeito se omitiu totalmente hoje. Nós temos todos os dias pra reivindicar. Enquanto o prefeito não tomar uma decisão de receber uma comissão de motoristas de aplicativos, nós não vamos parar. O que nós queremos com o prefeito é sentar e ter uma conversa amigável", disse Clayton. 

O motorista ainda deixou claro que muitos trabalhadores da classe investiram na compra de um veículo em parcelas longas e o que eles esperam é que a prefeitura prolongue o prazo para adequação desses veículos em até 24 meses. "Uma boa parte desses motoristas decidiram comprar um carro justamente para rodar pelos aplicativos. Nós não somos contra essa adequação dos veículos, mas esperamos que eles permitam a adequação em um prazo de dois anos". 

Para Itarrara Silva, 22, motorista de diversos aplicativos de mobilidade urbana, a classe não foi ouvida e isso é prejudicial para quem depende dos aplicativos para manter a família. 

"Primeiramente, nós nos sentimos abandonados. Nunca nos ouviram, nunca procuraram saber o que a classe necessita. Nunca tivemos essa oportunidade. Muita gente é pai de família e sustenta a família somente como motorista de aplicativo. A minha renda vem exclusivamente desse trabalho. Eu financiei meu carro para rodar nos aplicativos e, com esse decreto, só terei mais um ano para trabalhar na categoria, mas tenho amigos que vão ter que parar de circular até o final do ano. Como essas pessoas vão ficar? O decreto está cheio de obrigações, mas sem nenhum direito", ressaltou a motorista. 

Por fim, ela destacou que os manifestantes desejam que todas as partes sejam beneficiadas com o decreto. "Nós esperamos ser ouvidos. Nós queremos entrar em um acordo com a prefeitura e com os órgãos competentes e procurar uma boa solução para ambos, para que esse tipo de movimentação não seja mais necessária. Infelizmente, querendo ou não, a gente só é ouvido se pararmos uma via ou fizermos uma manifestação. Nós esperamos que após esse dia inteiro de trabalho a gente possa ser pelo menos ouvido", finalizou Itarrara. 

A manifestação, que iniciou às 7h da manhã no estacionamento do Mangueirão, na Avenida Augusto Montenegro e percorreu por diversas ruas da cidade, é realizada nos dois sentidos da avenida e tem causado uma série de transtornos para motoristas e pedestres que precisam circular pela via. 

(DOL)



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