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Cientistas fazem múmia de 3 mil anos "falar" pela primeira vez. Ouça!

sexta-feira, 24/01/2020, 16:00 - Atualizado em 24/01/2020, 16:09 - Autor: DOL


O trato vocal do corpo estava conservado, o que ajudou os cientistas em recriar os órgãos que produzem a voz humana
O trato vocal do corpo estava conservado, o que ajudou os cientistas em recriar os órgãos que produzem a voz humana | Museus e Galerias de Leeds

Há milênios, no Egito antigo, havia um sacerdote chamado Nesyamun que cantava a liturgia diária do famoso templo de Karnak, em Tebas.

As informações são da ABC.

Quando Nesyamun morreu, em 1069 aC, sua voz ficou em silêncio, mas as inscrições feitas em seu caixão, que cobria seu corpo mumificado, deixava claro que seu desejo era morrer e poder falar na vida após a morte, para que os deuses, na hora do julgamento, lhe concedessem a entrada no paraíso.

Mais de 3 mil anos depois de sua morte, cientistas britânicos, de certa forma, cumpriram o desejo do religioso. Eles recriaram o som de sua voz através de uma versão 3D de seu trato vocal. O estudo e os resultados foram publicados na quinta-feira (23), na revista Scientific Reports.

"Foi um projeto tão interessante que abriu uma nova janela para o passado", afirmou o co-autor do estudo, David Howard, chefe do departamento de engenharia eletrônica da Royal Holloway, na Universidade de Londres. "Estamos muito animados por poder compartilhar o som com as pessoas pela primeira vez em 3.000 anos".


Em 2016, uma equipe de pesquisadores transportou a múmia do Leeds City Museum da Inglaterra para a enfermaria geral de Leeds. Foi realizada uma tomografia computadorizada nos restos mortais, que confirmou que uma parte significativa da estrutura da laringe de Nesyamun, comumente chamada de trato vocal, e a garganta permaneciam intactas.

As imagens da tomografia computadorizada permitiram que os pesquisadores medissem o formato do trato vocal da múmia e criassem uma reconstrução digital das vias aéreas com base nessas medidas. Os dados foram reproduzidos através de uma impressora 3D.

A equipe conectou o modelo produzido em laboratório a uma laringe e um alto-falante para que a voz de Nesyamun pudesse ser sintetizada. O resultado foi um som parecido com uma vogal, semelhante às vogais ouvidas nas palavras em inglês "bed" e "bad".

Segundo o estudo, "essa saída acústica é para o som único para o formato do trato vocal existente; não fornece uma base para sintetizar a fala em movimento" e "para isso exigiria conhecimento das articulações, fonética e tempo do trato vocal relevantes aos padrões de sua linguagem ".

Mesmo assim, pode ser a primeira vez que essa técnica foi usada com sucesso para recriar a voz de uma pessoa morta.

"Por fim, essa colaboração interdisciplinar inovadora nos deu a oportunidade única de ouvir o som de alguém que morreu há muito tempo em virtude da preservação de tecidos moles, combinada com novos desenvolvimentos em tecnologia", afirmou o co-autor do estudo Joann Fletcher, professor de arqueologia da Universidade de York. "E embora isso tenha amplas implicações para a assistência médica e para exibição em museus, sua relevância está em conformidade exatamente com a crença fundamental dos antigos egípcios de que 'falar o nome dos mortos é fazê-los viver novamente'".

Nesyamun viveu em Tebas, hoje Luxor, durante o reinado politicamente volátil do Faraó Ramsés XI, e os pesquisadores dizem que sua voz teria sido crucial para seu trabalho como sacerdote e escriba.

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