Edição do dia

Edição do dia

Leia a edição completa grátis

Previsão do Tempo
25°
cotação atual R$

Notícias / Veículos

Veículos

Renault Captur Intense 2.0: o primo rico do Duster

sexta-feira, 31/03/2017, 15:25 - Atualizado em 31/03/2017, 15:25 - Autor:


A dianteira exisbe nova (no Brasil) identidade visual da marca

A dianteira exibe nova (no Brasil) identidade visual da marca (Léo Sposito/Quatro Rodas)

O Renault Captur frequenta os textos da Quatro Rodas desde 2011, quando a marca apresentou o Captur Concept, no Salão de Genebra. Em 2013, a Renault lançou a versão que hoje é reconhecida como francesa. E em 2016 foi a vez da russa, que se chama Kaptur, com K, para manter a sonoridade do nome, porque C tem som de S, em russo (ficaria “saptur”).

Com C ou com K, Captur não tem significado algum – a pronúncia correta é “cáptur”, de acordo com a fábrica. Agora é hora de conhecer a versão nacional, que a Renault identifica como americana, uma vez que será produzida no Brasil e exportada para oito países da América Latina (México, Colômbia, Equador, Peru, Paraguai, Chile, Argentina e Uruguai).

Apesar do nome com C, o nosso usa a plataforma do russo, que é a do Duster, enquanto o francês compartilha a base do Clio da quarta geração (o Clio nacional que saiu de linha no final de 2016 era da segunda geração).

Rodas têm acabamento diamantado na versão Intense

Rodas têm acabamento diamantado na versão Intense (Léo Sposito/Quatro Rodas)

A Renault optou pela plataforma do Duster – SUV que estreou em 2009, derivado do Logan, que é de 2004 – por questão de custo. Para ter a base do Clio (de 2012) seria necessário um investimento bem maior para adequar a plataforma às condições de uso locais e também em mudanças na fábrica do Paraná, o que implicaria em encarecer o produto.

Na troca, porém, o Captur brasileiro perdeu alguns recursos. No francês, por exemplo, os bancos traseiros ficam em posição mais alta, em relação aos dianteiros, e correm em um trilho longitudinal de 16 cm, permitindo variar o espaço para pessoas e bagagem. Dessa forma, a capacidade do porta-malas vai de 377 a 455 litros.

No modelo nacional, o espaço para pessoas é igualmente interessante, uma vez que a distância entre-eixos do Duster (267 cm) é maior que a do Clio (261 cm). Mas o espaço é fixo e nosso porta-malas fica em 437 litros.

Recolhendo elogios

Apesar de o estilo geral ser o mesmo na versão russa (que é igual à brasileira) e na francesa, eles só compartilham três peças entre si: faróis, portas dianteiras e tampa do porta-malas – afinal, a base mecânica delas é bem diferente.

Cor de teto diferente da carroceria é item opcional

Cor de teto diferente da carroceria é item opcional (Léo Sposito/Quatro Rodas)

Olhando é difícil notar. A dupla russa/brasileira teve retoques no capô (com ressaltos mais acentuados) e no para-choque dianteiro (ganhou luzes de posição com leds, na forma de parênteses) – alterações, aliás, que foram feitas pelos designers da Renault do Brasil.

O visual é o ponto forte do Captur, com suas superfícies onduladas e a grade dianteira que expressa a nova identidade da marca. No tempo em que estivemos com o carro, ouvimos diversos elogios por onde rodamos.

Luzes de posição são de LED

Luzes de posição são de leds, com faróis halógenos do tipo projetor (Léo Sposito/Quatro Rodas)

Lâmpadas das lanternas também trazem leds

Lâmpadas das lanternas também trazem leds (Léo Sposito/Quatro Rodas)

A grande altura em relação ao solo não passou despercebida, porém. Visto de lateral, o vão livre prejudica a harmonia do conjunto – além de dificultar o acesso à cabine na traseira, já que atrás a altura é maior do que na frente (a fábrica informa que o vão livre no ponto mais baixo é de 21 cm, mas usando a base da soleira das portas como referência, medimos 25 à frente e 31 atrás).

Esse vão livre alto tem uma vantagem, porém, que é a habilidade de ignorar buracos e quebra-molas.

Próximo à roda traseira, vão livre chega a 30 cm

Próximo à roda traseira, vão livre chega a 30 cm (Léo Sposito/Quatro Rodas)

Por dentro, o projeto é bem executado, com a boa ergonomia e o design do painel que se estende às laterais das portas. Mas aqui também há aspectos negativos.

Só a versão Intense traz painel bicolor de série

Só a versão Intense traz painel bicolor de série (Léo Sposito/Quatro Rodas)

O plástico das peças do painel é pobre visualmente e duro ao toque (o contato é necessário em partes como os botões de abertura da ventilação). E o mesmo ocorre com o revestimento do volante: o material que imita couro é áspero.

O Captur estreia em duas versões: Zen 1.6 manual e Intense 2.0 automático, ao preço de R$ 78.900 e R$ 88.490, respectivamente. Em junho, a Renault vai apresentar a opção do câmbio automático CVT, que virá com o motor 1.6, na versão de acabamento de entrada Zen e preço intermediário.

A 1.6 usa o mesmo motor SCe flex do Sandero com 120/118cv, acompanhado de câmbio manual de cinco marchas. A 2.0 traz o motor do Duster com 145/143 cv e câmbio automático de quatro marchas.

Motor 2.0 flex gera 148/143 cv

Motor 2.0 flex gera 148/143 cv e 20,9 mkgf (Léo Sposito/Quatro Rodas)

Desde a versão básica Zen, o Captur vem com quatro airbags (dois frontais e dois laterais), ESP, ar-condicionado, rodas de liga leve aro 17, vidros elétricos nas quatro portas, piloto automático e luzes de posição de led, entre outros itens de série. A central multimídia e a pintura do teto (em preto ou marfim) são opcionais.

A Intense acrescenta à lista ar-condicionado automático, câmera de ré, central multimídia, sensor de chuva, sensor crepuscular, faróis de neblina direcionais e rodas de liga leve diamantadas. Seus opcionais são a pintura do teto e os bancos com revestimento que imita couro.

Pisando fundo

A unidade mostrada aqui é a Intense 2.0. No dia a dia, o modelo agrada pela ampla área envidraçada, que favorece a visibilidade, e a eficiência do isolamento acústico, tanto da parte mecânica (ruídos de motor e câmbio) quanto aerodinâmica (vedação de portas).

Mas faltou indicação de marchas, quando se usa o câmbio no modo manual (na alavanca), e também ajuste telescópico no volante (só existe ajuste de altura).

Banco apoia bem o corpo do motorista

Banco apoia bem o corpo do motorista (Léo Sposito/Quatro Rodas)

Há bom espaço na traseira

Há bom espaço na traseira (Léo Sposito/Quatro Rodas)

Na pista de testes, como esperado, seu rendimento ficou no patamar do Duster 2.0 automático. Equipados com os mesmos motor e câmbio, os dois têm pesos aproximados. O Captur pesa 1.352 kg e o Duster, 1.294 kg.

Nas acelerações de 0 a 100 km/h, smpre com gasolina, enquanto o Captur fez o tempo de 13,2 segundos, o Duster ficou com 12,7 segundos. E nas retomadas de velocidade, de 60 a 100 km/h em Drive, o Captur conseguiu a marca de 7,7 segundos, contra 7,2 segundos do Duster.

O Duster foi ligeiramente melhor, mas, de fato, os dois são lentos frente à concorrência (até mesmo o Nissan Kicks, criticado pelo motor 1.6, é quase dois segundos mais rápido no 0 a 100 km/h). Na prática, o motorista precisa pisar fundo para fazer uma ultrapassagem e, dependendo da situação, esperar o câmbio reduzir uma ou duas marchas antes de o carro arrancar.

Vedação eficiente das portas reduz nível de ruído interno

Vedação eficiente das portas reduz nível de ruído interno (Léo Sposito/Quatro Rodas)

O câmbio automático de quatro marchas é suave e não compromete no dia a dia, mas está um passo atrás dos rivais em rapidez e eficiência, e tem influência direta no desempenho e consumo inferiores aos dos rivais.

Nas medições de consumo com gasolina, o Captur obteve as médias de 9,2 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada, diante de 8,7 km/l e 11,2 km/l do Duster, respectivamente. Mas esses números são compatíveis com os do segmento de SUVs médios – entre os compactos, o Honda HR-V 1.8 faz 10,4 km/l e 13,1 km/l.

Dinamicamente, o Captur também tem características que podem não agradar a todos. Sua suspensão dura transmite as imperfeições da via para a cabine. Assim como a direção firme, que não filtra as interações dos pneus com o piso. Além de exigir esforço acima da média para ser movimentada.

Isso não compromete a segurança, pelo contrário: garante estabilidade para um veículo que possui o centro de gravidade elevado como um SUV, mas o motorista leva algum tempo para reconhecer esse comportamento e ganhar confiança no veículo.

Quando o Captur Concept foi apresentado, em 2011, o segmento de SUVs era bem menor no Brasil. As ofertas se resumiam a modelos com propostas muito diferentes entre si como Ford Ecosport, Chevrolet Blazer e Pajero TR4. Naquele tempo, um SUV como o Captur seria um modelo revolucionário, mas hoje ele entra em um segmento já congestionado de opções atualizadas.

Porta-malas tem capacidade para 437 litros de bagagem

Porta-malas tem capacidade para 437 litros de bagagem (Léo Sposito/Quatro Rodas)

De frente para os rivais

A Renault aposta alto no design e, de fato, o Captur tem qualidades nesse terreno. Ele é bonito, moderno e sofisticado. Não por acaso seu slogan é “Design à primeira vista”. Mas o Captur não está sozinho nesse cenário. Entre os SUVs compactos, há opções para todos os gostos, do futurista HR-V ao descolado Renegade.

(Mauricio Planel/Quatro Rodas)

No caso do Renegade, a Jeep foi tão ou mais meticulosa que a Renault ao elaborar seu projeto, com um diferencial: o padrão de acabamento interno. O Renegade é referência nessa área, enquanto o Captur decepciona.

Outro ponto a favor do modelos da Renault é o custo-benefício. Custando R$ 88.490, na opção 2.0 Intense, ele é mais barato que as versões intermediárias ou completas de muitos dos rivais. Exemplos: o Kicks 1.6 SL sai por R$ 91.900 e o Creta Pulse 2.0 é vendido a R$ 92.490. Há, porém, diferenças de conteúdo.

O Captur 2.0 Intense até que não é mal equipado, trazendo central multimídia com GPS e câmera de ré, quatro airbags e ESP. Mas não chega a superar rivais como o Kicks, que traz a mais câmera 360, bancos de couro e seis airbags. O Tracker só tem dois airbags e não traz oESP, mas oferece start-stop, OnStar, bancos elétricos, alerta de pontos cegos e câmbio automático de seis marchas (no Captur, o câmbio tem quatro).

Pelotão de trás

No espaço interno, o Renault também faz boa figura. Ele tem 2,67 metros na distância entre-eixos, enquanto o HR-V mede 2,61 e o Tracker, 2,55. E em seu porta- malas cabem 437 litros, capacidade igualada pelo HR-V (que soma 431 litros do porta-malas com 6 litros de um compartimento sob o assoalho).

Até aqui, pode-se dizer que o Captur se defende com valentia, nos diferentes aspectos analisados. No entanto, na média de desempenho, o Renault é derrotado por todos os concorrentes. Com o tempo de 13,3 segundos, nas provas de 0 a 100 km/h (com gasolina), ele só não foi mais lento que o reconhecidamente vagaroso Renegade (14,4 segundos). Além disso, o Captur também fica devendo um comportamento dinâmico melhor.

O segmento de SUVs está se igualando ao dos sedãs, onde há anos três modelos se revezam na liderança e um grupo briga pelo quarto lugar. Pelo que se vê nesta comparação, o Captur ficou para trás do quinteto porque perde na maioria dos quesitos, destacando-se apenas em design (mas rivaliza com o Jeep) e preço de compra (ganha de todos, porém é menos equipado).

Teste de pista (com gasolina) – Renault Captur Intense 2.0 AT

  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 13,3 s
  • Aceleração de 0 a 1.000 m: 34,7 s – 151,2 km/h
  • Velocidade máxima: n/d
  • Retomada de 40 a 80 km/h (em D): 5,7 s
  • Retomada de 60 a 100 km/h (em D): 7,7 s
  • Retomada de 80 a 120 km/h (em D): 9,5 s
  • Frenagens de 60 / 80 / 120 km/h a 0: 16,2 / 29 / 66,6 m
  • Consumo urbano: 9,2 km/l
  • Consumo rodoviário: 12,3 km/l

Ficha técnica – Renault Captur Intense 2.0 AT

  • Preço: R$ 88.490
  • Motor: flex, diant., transversal, 4 cil., 1.998 cm3, 16 V, 148/143 cv a 5.750 rpm, 20,9 mkgf a 4.000 rpm
    Câmbio: automático, 4 marchas, tração dianteira
  • Suspensão: McPherson(diant.)/ eixo de torção (tras.)
  • Freios: disco ventilado (diant.) / tambor (tras.).
  • Direção: elétrica
  • Rodas e pneus: 215/60 R17
  • Dimensões: comp., 432,9 cm; largura, 181,3 cm; altura, 161,9 cm; entre-eixos, 267,3 cm; peso, 1.352 kg; tanque, 50 l; porta-malas, 437 l
  • Equipamentos de série: 4 airbags, ESP, ar-condicionado digital e leds de posição

Arquivado em:Testes Tagged: SUVs, suvs compactos, teste

Fonte: Quatro Rodas Abril

Conteúdo Relacionado


0 Comentário(s)

MAISACESSADAS