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Alzheimer precoce ou demência pré-senil: muito mais do que uma simples perda de memória

Cerca de 1,5 milhão de habitantes já foram diagnosticados com o problema, podem aumentar em até quatro vezes nos próximos 30 anos

terça-feira, 09/02/2021, 15:04 - Atualizado em 09/02/2021, 15:03 - Autor: Lana Oliveira


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Um alerta feio pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN), indica que os casos de Alzheimer no Brasil, onde 1,5 milhão de habitantes já foram diagnosticados com o problema, podem aumentar em até quatro vezes nos próximos 30 anos. E apesar dos dados assustadores, eles não retratam a realidade por se tratar apenas de indicadores oficiais e há a existência de grandes subnotificações, segundo médicos e especialistas da área.

O Alzheimer pode ocorrer de forma precoce?

A demência "pré-senil", normalmente conhecida pelo nome de "Alzheimer precoce", é uma doença genética hereditária e que tem início antes dos 65 anos, normalmente entre 30 e 50 anos. A doença acontece por causa do excesso de uma proteína chamada tau e beta amilóides no cérebro, localizada na parte responsável pela memória e pela fala.

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O Alzheimer precoce pode desencadear a perda da cognição e tem como principal sintomas a falha ou perda de memória, porém podem estar presentes também a confusão mental, agressividade e dificuldade em fazer atividades de rotina diária.

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Felizmente ela é muito mais rara, corresponde a menos de 10% do total das doenças de Alzheimer precoce,  segundo a geriatra, Eliza Reis. "Existe um tipo de Alzheimer de início precoce, que acomete pessoas mais jovens em torno de uns 40 a 50 anos de idade. Ela é muito mais agressiva, o declínio das funções cognitivas e mentais de memória é muito mais rápido e, aí sim, tem um padrão de hereditariedade, então essa doença é vista em sucessivas gerações. Dentro da genética, a gente diz que essa transmissão é autossômica dominante, ou seja, a gente vai ver essa doença entre pais, filhos, netos, então em todas as gerações vai estar presente a doença de Alzheimer de início precoce”. 

 

(Arquivo - Pessoal)
(Arquivo - Pessoal)
 

Quais as principais causas da perda de memória antes do 60 anos?

De acordo com o neurologista Antônio de Matos, as causas estão relacionadas a outros problemas. "O principal diagnóstico diferencial da doença de Alzheimer são doenças psiquiátricas: a depressão, ansiedade, síndrome do pânico.  Elas são muito frequentes no nosso dia a dia. Uma doença clínica que também gera perda de memória, são as alterações na tireoide, tanto hipertireoidismo quanto hipotireoidismo”.

 

(Arquivo - Pessoal)
(Arquivo - Pessoal)
 

Sintomas

 

 

Como a família deve lidar com um paciente com Alzheimer e que apresenta comportamentos agressivos?

A geriatra orienta que a família deve sempre amparar o paciente. "A melhor forma de tratar esses transtornos de comportamento, é manter a dignidade desse paciente, manter o tom de voz agradável e carinhoso, não expor esse paciente a uma situação de constrangimento, não contestar agressivamente esse paciente, sempre relatar esses comportamentos ao médico, que está assistindo esse paciente, porque muitas vezes é preciso entrar com medicações chamadas de neurolépticos, que podem ajudar no controle dos comportamentos e na alteração do ciclo sono-vigília”. 

Qual a importância do diagnóstico precoce?

O neurologista indica que quanto mais cedo buscar ajuda, menor será a chance de desenvolver um quadro de Alzheimer. “A doença de Alzheimer quando é diagnosticada no início com pequenas perdas relacionadas muito mais à dificuldade do que a incapacidade de realizar tarefas, você consegue estimular a memória dessa pessoa, por mais que seja uma doença neurodegenerativa, você pode entrar com medicamentos e com reabilitação cognitiva que é realizada na maioria das vezes pelo terapeuta ocupacional, que aumenta o lastro dessa memória. Então por mais que ela se consuma um pouquinho a cada dia de forma lenta e gradual, se você tem um lastro maior você fica funcionamento ativo por muito mais tempo”.

Como funciona o tratamento?

A importância do tratamento melhora a memória, afirma Antônio de Matos. “É um tratamento que nós chamamos de tratamento adjuvante. Ele não vai determinar a cura do paciente, mas ele vai aumentar funcionalidade, entre eles medicamentos, atividade física, reabilitação cognitiva e compensação de doenças outras como eu citei previamente a tireoide, por exemplo, se o paciente tiver né, vai sim melhorar a sua qualidade de vida, a sua cognição e por fim conseguir experimentar a melhora da memória”.

Os medicamentos são oferecidos pela rede pública?

Eliza Reis diz que todo paciente tem direito ao medicamento. “Alguns medicamentos para doença de Alzheimer são fornecidos pela rede pública, entre eles rivastigmina, galantamina e donepezila. Em tese, todo paciente tem direito a receber essa medicação. É importante que a família solicite ao médico um laudo detalhado da doença, do tratamento, comprovando a necessidade de usar esses medicamentos. É necessário que os familiares ou o cuidador tenham a receita médica prescrita em duas vias. Se tiver exames complementares é importante, em seguida, o familiar deve protocolar um requerimento por escrito na secretaria de saúde solicitando os medicamentos necessários”. 

 

Arte: Thiago Sarame
 


Texto: Lana Oliveira

Edição: Fabiana Batista

Arte: Thiago Sarame


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