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Homem que matou ex-companheira no Ceará é preso em Mãe do Rio

quarta-feira, 27/02/2019, 09:05 - Atualizado em 27/02/2019, 09:40 - Autor:


Francisco Alberto Nobre Calixto Filho, 24 anos, foi preso na última segunda-feira (25), após confessar que torturou, matou e escondeu o corpo da ex-companheira, Stefhani Brito, de 22 anos. Ele justificou o crime ao dizer que a ideia inicial era "dar uma pisa" (sic) na ex-companheira.


No entanto, segundo ele, a situação "fugiu do controle" e acabou assassinando de forma covarde Stefhani. O crime aconteceu em janeiro de 2018, no Ceará. Porém o criminoso foi preso no município de Mãe do Rio, no Pará, portando uma identidade falsa.


Segundo o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Leonardo Barreto, a Polícia Civil do Ceará recebeu a informação de que o suspeito estaria na cidade paraense, e seguiram para cá. Após investigações, os policiais perseguiram o criminoso até a residência onde ele morava, para onde tentou fugir, mas ele acabou preso.


"Ele disse que no dia do crime tinha marcado para ter uma conversa mais 'dura' com ela", disse Leonardo. Ainda de acordo com o delegado, na ocasião, ele usou um pedaço de madeira maciço para agredir a vítima.Francisco Alberto irá responder por homicídio qualificado (feminicídio) e ocultação de cadáver. Ele ainda está no Pará, mas será transferido para uma penitenciária cearense. 


Feminicídio


"O caso dela é emblemático em razão da gravidade, da hediondez que o autor do fato praticou o delito e da motivação elencada por ele para justificar a ação", comentou Rena Gomes, titular do Departamento de Polícia Especializada de Proteção aos Grupos Vulneráveis (DPEGV).


"Essa prisão é importante para todo o movimento das mulheres, para mostrar que a tolerância será zero com feminicídio. Nossas mulheres ainda são muito vítimas desses crimes tão vis, mas é importante dizer que a polícia está tomando todas as medidas para coibir, de forma célere e gravosa, esse tipo de crime", explicou a delegada.


Família comemora


Na manhã desta terça-feira (26), a mãe da vítima foi até o DHPP, para agradecer o esforço dos delegados. "Sei que não traz ela de volta, ela não está mais aqui com a gente, mas é uma sensação de um começo de vitória. Estamos batalhando para isso", disse ela.


Rosilene Brito, disse que foi quase um ano e dois meses de angústia, na espera que Francisco Alberto fosse preso. "Veio um sentimento de um pouco de alívio, junto com revolta, raiva e angústia", afirma ela. Ela diz que ainda há um longo caminho até que ele seja condenado pela morte da filha, que se estivesse viva, faria 23 anos na última sexta-feira (22).


Ainda segundo Rosilene, Stefhani foi vítima de tortura pelo ex-namorado durante os cinco anos em que se relacionou com ele. A família relata que a vítima sempre aparecia com marcas de agressão e já chegou a ser queimada por ele.


"Sei que já houve muitos casos depois do dela, mas, como ela foi a primeira mulher a ser morta no Ceará em 2018, isso veio à tona. Como mãe, só tenho a dizer que observem bem com quem você está vivendo. Na primeira arrogância, na primeira palavra que venha a ocasionar um sofrimento, denuncie", pede.


Stefhani era torturada


A vítima conheceu o ex-companheiro quando tinha 17 anos. Eles moraram juntos e abriram uma padaria. "Ele queria deixar ela sozinha trabalhando para ela ficar mais presa. Quando ela morou aqui no bairro a gente não a via", desabafa.


Além de ter sido queimada com ponta de cigarro ela também foi queimada com uma colher quente. Stefhani foi morar no interior do Ceará para se distanciar da família. "Isso pra mim é um psicopata, que amor não é. Ele queimava com faca, com colher, com cigarros. Quando batia nela, ele amarrava para não gritar. Acredito que ela era ameaçada, pois sempre ela dizia, sempre que discutia, a gente pedia para que ela não fosse encontrar. E ela dizia que ia pois precisava salvar a família", disse.


Mandado de prisão foi expedido há um ano


O mandado de prisão preventiva foi expedido no dia 5 de janeiro de 2018. O plantão da comarca de Fortaleza pediu com urgência a prisão de Alberto pelo crime de homicídio qualificado.


Ainda em fase de julgamento, alguns parente de Stefhani relataram sofrer ameaças e tiveram que mudar de endereço. A família autorizou a doação das córneas da vítima. "Perdi a flor do meu jardim, ficaram apenas os dois cravinhos", lamentou a mãe da vítima. 


(Com informações do Portal O Povo Online)

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