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Detento é encontrado enforcado dentro de casa penal em Ananindeua

quinta-feira, 27/12/2018, 08:43 - Atualizado em 27/12/2018, 08:43 - Autor:


Mais um caso de morte por enforcamento foi registrado em uma casa penal no Pará. Na manhã de ontem (26), José Lima da Silva Júnior foi encontrado morto dentro da cela de número 9 da Central de Triagem da Cidade Nova, em Ananindeua. O cadáver foi avistado pelos agentes penitenciários durante a ronda matinal. De acordo com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado, somente o laudo da necropsia poderá confirmar a verdadeira causa da morte. A princípio, as características no local indicavam um possível suicídio, segundo a Susipe.


Porém, as investigações que foram abertas pela Polícia Civil já indicam que o preso teria sido morto por outros dois internos durante a madrugada. O caso ainda continua sob investigação. José Lima Júnior estava preso desde segunda-feira (24), acusado de estupro de vulnerável.


O corpo da vítima foi removido para o Instituto Médico Legal, que tem o prazo de pelo menos 15 dias para concluir o laudo da necropsia. De acordo com o relato de testemunhas (outros presos da cela), os dois presos acusados de matar José utilizaram o lençol para enforcá-lo. A vítima chegou a tentar travar uma luta corporal contra os algozes, mas logo foi imobilizado por um golpe conhecido como “gravata” – em que o adversário aperta o pescoço com o braço.


Os depoimentos são fortes e revelam uma realidade assustadora dentro das casas penais paraenses. Num destes depoimentos, um dos presos ressalta que na cela de número 9 ficam os presos que estavam [ou estão] “desviados do cristianismo” – afastados de atividades religiosas ou da igreja – porém já estão em busca da salvação.


O relato segue com a testemunha dizendo que quando a dupla de suspeitos anunciou que iria matar José, os internos deram as mãos, fizeram uma oração e pediram que os suspeitos não o matassem.


Apesar da oração e do pedido coletivo, a dupla suspeita não desistiu do propósito. Os demais presos nada mais puderam fazer, pois os acusados são bandidos de alta periculosidade e poderiam atentar contra a vida de quem tentasse intervir. Uma das testemunhas chegou a passar mal na hora do crime. A recompensa por assassinar o detento seria (ou será) a entrada da dupla para uma facção criminosa que comanda o tráfico de drogas na Região Metropolitana de Belém.


Uma outra testemunha disse à polícia que a ordem para matar José Lima partiu de presos que estavam na cela 8. Estes pressionavam os detentos da cela 9 a matar alguém. Até que a dupla suspeita concordou de cometer o crime e escolheram José Lima por ser acusado de estupro. A testemunha também ressalta que foi feita uma oração (vigila) para que o crime não fosse cometido, mas nada mudou o pensamento dos acusados. “Não cederam em praticar a execução dizendo que era ‘C.V.’ [comando vermelho] e tava acabado”, consta no relato do depoimento. A execução da vítima teria acontecido quando alguns presos já estavam dormindo.


Uma terceira testemunha, outro preso, relatou que os acusados esperaram apagar as luzes e a televisão para poder praticar o crime. Como estava escuro não teria visto quem matou José, mas teria escutado ruídos de luta corporal. As lâmpadas da cela só teriam sido acesas quando a vítima já estava pendurada no lençol que a enforcou.


Até o fechamento dessa edição, ainda não havia notícias se os internos acusados já tinham prestado depoimento e assumido se eram ou não os autores do homicídio.


(Diário do Pará)

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