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Mortes de pais de santo no Pará ficam impunes

domingo, 14/08/2016, 11:06 - Atualizado em 14/08/2016, 11:06 - Autor:


Um total de 6 pais de santo foram assassinados em Belém e no Pará nos últimos 12 meses, segundo apontam líderes afro-religiosos e do Movimento Negro.


O número foi apresentado em um documento entregue na última semana ao Conselho de Segurança Pública do Estado do Pará (Consep), que teve assinaturas de 97 autoridades religiosas (pais e mães de santo), 74 terreiros, 31 organizações de povos tradicionais de matriz africana e 22 organizações do Movimento Negro. Eles pedem que o Consep intermedie uma audiência com o governador Simão Jatene para cobrar políticas públicas que garantam a segurança de umbandistas e seguidores do candomblé, que vêm sendo perseguidos e assassinados. 


Para os religiosos, os números de sacerdotes afro-religiosos assassinados são preocupantes e comprovam que a intolerância religiosa ainda é muito forte no Pará.


“Esta intolerância tem sido o principal motivo dos crimes contra pais e mães de santo”, destaca a mãe de santo Jucilene Carvalho, membro do Fórum Permanente de Afro-Religiosos do Pará e Movimento Atitude Afro.


O caso mais recente foi o do pai de santo José Mário Cavalcante, 40 anos, morto a golpes de faca dentro da casa onde morava, no bairro do Icuí, em Ananindeua. O crime aconteceu no domingo passado, 7. O homicídio ainda está sendo investigado pela Polícia Civil e até agora ninguém foi preso por envolvimento no homicídio.


“Os afro-religiosos de todo o País estão de luto. A notícia de mais um irmão de axé morto é comentada em todos os terreiros do Brasil e isso chocou a nossa comunidade”, ressaltou Jucilene Carvalho.


No mesmo fim de semana em que José Cavalcante foi assassinado, 3 homens armados de revólveres invadiram um terreiro de umbanda em Icoaraci e atacaram pais e mães de santo, que se preparavam para uma festa no espaço religioso. Uma mãe de santo levou um tiro de raspão e precisou de atendimento médico.


“A gente já não tem mais segurança em nossos terreiros, que por sinal funcionam dentro de nossas casas. Vivemos atrás de grades, e não mais livres”, frisou Jucilene. “Não acreditamos mais que o Brasil seja um país laico, porque o Estado não nos dá o direito de abrir os nossos cultos e obrigações em segurança”, criticou a religiosa.

BRIGA DE VIZINHOS


Outra situação questionada pelo movimento afro-religioso é com relação ao tratamento dado às denúncias de discriminação que são registradas em unidades de Polícia Civil. “Em muitos casos, quando denunciamos agressões, o caso é registrado como briga de vizinhos, e não como intolerância religiosa, injúria ou racismo”, disse ainda a mãe Jucilene.


No documento entregue ao Consep, os Movimentos Negro e Afro-Religioso expõem que, “para os povos de matriz africana, é bom ressaltar que, se foi crime de racismo religioso, ou, como querem alguns, fruto da incontrolável violência urbana, nos sentimos totalmente desamparados, seja na área preventiva e ostensiva, seja na área investigativa e de responsabilização penal”.


Por isso, propõem uma capacitação de policiais civis e militares. Por fim, pedem a criação de um Grupo de Trabalho dentro do Conselho para acompanhar a violência contra os afro-religiosos.


IMPOSTOS


 Jucilene Carvalho frisou que os terreiros e espaços de umbanda e candomblé não são isentos de impostos, por isso entende que cabe ao poder público garantir os direitos comuns a todos os cidadãos. “Esses terreiros têm sido os nossos quilombos de resistência”, acrescentou ela.


Por causa dos assassinatos de pais de santo e atentados contra mães de santo, os seguidores do movimento afro-religioso estão programando para os próximos dias 23 e 24 uma caminhada para pedir e segurança nos terreiros da Grande Belém. “Somente na capital, são 5 mil terreiros e o poder público não pode nos dar as costas”, disse Jucilene.


Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) reafirmou a qualidade da formação dos agentes de segurança para lidar com diversas situações na rotina de trabalho. Através da Polícia Civil, a Segup vai procurar esclarecer as motivações do homicídio em questão e submeter os responsáveis às sanções legais.



O pai de santo José Mario Cavalcante, 40 anos, foi morto na casa onde morava, há uma semana, em Ananindeua. (Foto: Divulgação)


CAOS DE BRUTALIDADE


2/12/15: O pai de santo Marco Antônio Albuquerque da Cruz, de 50 anos, babalorixá do candomblé, foi encontrado morto dentro da casa em que morava no bairro da Pratinha II, em Belém.

15/12/15: O pai de santo José Flávio Ferreira de Andrade, de 36 anos, foi atingido com 3 tiros e caiu morto em frente à casa onde morava, localizada no bairro Estrela, em Castanhal.


(Denilson D´Almeida / Diário do Pará)

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