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Polícia busca envolvidos de atentado a carro

sábado, 06/04/2013, 04:44 - Atualizado em 06/04/2013, 04:44 - Autor:


Em entrevista realizada na tarde de ontem no programa Metendo Bronca, da RBATV, o delegado Eder Mauro afirmou que a polícia continua a busca pelos quatro criminosos responsáveis pelo atentado contra a esposa dele, na Alça Viária. “A gente tem realizado uma ação intensiva de busca ao longo da rodovia e principalmente naquela região onde ocorreu o atentado. Acreditamos que, além dos quatros homens, tem mais gente envolvida nessa situação e por isso não vamos parar os trabalhos na área enquanto não conseguirmos capturar esse bando”, afirmou o delegado. 


Eder Mauro acredita que o objetivo da quadrilha era acabar com a vida de todos os que estavam no veículo. “O atentado não foi apenas para dar um susto. Os bandidos usaram um aparato de armamento muito grande para um simples susto. O crime foi uma tentativa de homicídio, sim. E eles só não conseguiram realizar o objetivo deles porque o carro é todo blindado”, ressaltou o policial.


O delegado informou que, apesar do susto, a advogada Alessandra de Souza Pereira passa bem. “É lógico que uma situação dessa deixa qualquer um abalado. Mas ela já está se recuperando e cabe agora à polícia dar um resposta o mais rápido possível para isso e conseguir acabar com a quadrilha que cometeu esse crime”, garantiu. 

ADVOGADOS ASSASSINADOS


O atentado contra três advogados, ocorrido anteontem na Alça Viária, após voltarem de um julgamento no município de Abaetetuba, nada tem a ver com o fato de um deles, a advogada Alessandra Pereira, ser esposa do delegado da polícia civil Éder Mauro, segundo explica o presidente da OAB-PA, Jarbas Vasconcelos. Em entrevista coletiva ontem à tarde, Vasconcelos e um grupo de advogados que integram a diretoria da OAB-PA explicaram que o caso tem relação direta com a atividade exercida pelas três vítimas. Os advogados Alessandra Pereira, César Ramos e Rodrigo Cruz escaparam graças ao carro dela, um Corolla blindado, que deveria ser usado pelo marido delegado, mas que ele deixou para a esposa. Os criminosos fizeram uma emboscada na estrada e alvejaram vinte tiros, que atingiram apenas o veículo. “Este atentado não tem nada a ver com o fato de eu ser esposa do Eder Mauro. Isto é só uma coincidência”, enfatiza Alessandra. 


Jarbas Vasconcelos diz que a situação é muito preocupante porque nos últimos dois anos foram assassinados por causa do exercício da profissão vários advogados no interior do Pará. Fábio Teles, em julho de 2012, em Cametá, José Mascarenhas, em dezembro de 2011, em Castanhal, Jorge Pimentel, em março deste ano, em Tomé-Açu, e agora a tentativa de assassinato de outros três. E ainda há dois advogados que nos últimos quinze dias requereram à direção da entidade proteção, pedido que foi encaminhado à Secretaria Estadual de Segurança Pública (Segup). “Advogado não defende criminoso, advogado defende o direito à ampla defesa que a Constituição Federal assegura”, justificou Vasconcelos.


Para ele, quando os advogados são atingidos por causa do exercício da profissão, a cidadania fica fragilizada, pois os advogados defendem a cidadania. Ele reconhece que a situação de falta de segurança é geral no Estado do Pará e no País, mas afirma que, apesar de os advogados não serem melhores que outros cidadãos, eles precisam atuar com segurança, pois exercem a função de defender os cidadãos. “O Estado precisa responder a este ataque, como tem respondido a outros que ocorreram contra advogados”, apelou.


O presidente da OAB-PA informou também que solicitou audiência ao secretário de Segurança Pública, delegado Luiz Fernandes Rocha, e acredita que se reunirá na segunda-feira (08) com ele. Além disso, comunicou o fato ao Conselho Federal da OAB e à Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Ele disse que quer dialogar com a Segup uma forma de assegurar que advogados exerçam a profissão com segurança. Jarbas Vasconcelos também defende que a União precisa cooperar com o Estado do Pará no combate à criminalidade e na defesa do direito de os advogados defenderem a sociedade.

PREMEDITADO


A advogada Alessandra Pereira afirma que há fortes indícios de que o planejamento e a execução do atentado contra ela e seus dois colegas de júri tenham sido encomendados pela família da vítima, morta pelo cliente que ela e os colegas defenderam no julgamento em Abaetetuba. O réu Eduardo Pereira foi condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato do professor José Márcio Lobato Rodrigues. Apesar da condenação, ele saiu em liberdade para apelar a sentença e só poderá ser preso quando for julgado o último recurso, como permite a legislação penal brasileira.


Ela explica que, desde o primeiro momento do crime, ocorrido em dezembro de 2009, o réu responde em liberdade e que deve ser este o motivo da revolta dos familiares. 

Na saída do fórum, o réu pegou uma carona com Alessandra e seus colegas até sua casa em Abaetetuba. Os advogados acreditam que quem fez a emboscada na estrada achava que ele ainda estaria no carro junto com eles. 


Ela defende que é preciso rever o sistema de segurança para os advogados, pois os juízes e promotores, que também são parte da justiça, dispõem de segurança pública no exercício da profissão. Traumatizada com o atentado, ela diz que Deus e a blindagem do carro os livraram da morte. “A Abaetetuba, por enquanto, não quero voltar tão cedo”, assegura Alessandra Pereira.


(Diário do Pará)

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