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Faixa de cabelo em bebês: bonitinha, mas perigosa. Será?

Sexta-Feira, 02/11/2018, 12:16:18 - Atualizado em 02/11/2018, 12:33:45 Ver comentário(s)

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Faixa de cabelo em bebês: bonitinha, mas perigosa. Será? (Foto: Arquivo Pessoal)
Uso de laço em cabeça de bebês divide opinião de médicos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Lacinhos, tiaras, pulseirinhas ou faixas cabelo. Será que esses adereços que os pais amam colocar em seus bebês seus confortáveis e seguros?

A polêmica em relação ao uso do adereço teve início após o osteopata - especialista que se dedica ao tratamento dos estudos patológicos dos ossos através de manipulações raquidiana ou articulares - José Eduardo Souza, de Presidente Prudente (SP), viralizar no Facebook.

No relato, o médico conta que atendeu uma bebê que sofria com refluxo gastroesofágico e insônia, sintomas que ele relacionou ao uso do adereço, que estava apertado na cabeça.

Ainda de acordo com o osteopata, “a sutura occiptomastóide pode sofrer uma compressão devido ao uso dessa faixa, o nervo vago (que comanda o sistema gastrointestinal) passa próximo deste local mais precisamente forame jugular e pode ter sua função alterada” e “Diferentes fatores podem perturbar o movimento e a flexibilidade do crânio do bebê, um desses fatores pode ser essa faixa”.

A osteopenia é um ramo da medicina alternativa que foi criado pelo médico americano Andrew Taylor no final do século XIX. No Brasil, ela é uma especialidade da fisioterapia. Os tratamentos osteopáticos focam geralmente em dores na cabeça, pescoço, costas e articulações.

Segundo Ingrid Tilman, mãe da pequena Ana Isabelly Tilman, a filha começou a usar faixa na cabeça desde que nasceu, mas nunca teve problemas com o acessório. Apesar disso, a mãe garante que sempre adotar alguns cuidados na hora da compra.

“Minha bebê nunca sofreu com nenhum desses. Sempre usei os lacinhos, faixas de cabelo e tiaras como forma de enfeite para a bebê, mas sempre busquei comprar, maiores que a cabeça dela, por exemplo, que não viesse apertar ou deixar marcada”, explica.

 

Ingrid usa faixa no cabeça da filha desde os primeiros dias de vida. (Foto: Arquivo Pessoal)

AFINAL: PODE OU NÃO USAR?

A pediatra do Hospital Rede HAPVIDA Saúde e chefe de plantão da urgência e Prescritora do Hospital Rio Mar, Dra. Aranda Haber, afirma que não há estudos que comprovem a tese viralizada pelo osteopata. 

"O tratamento da causa do refluxo vai depender se é refluxo fisiológico ou refluxo - doença. Não podemos afirmar que seria refluxo o caso do bebê que o médico osteopata relatou. O que pode ter ocorrido é a criança ter feito uso de uma faixa de cabeça extremamente apertada, que claro, vai deixar o bebê irritado, (devido a pressão local da faixa, o material também influencia pois pode gerar calor em excesso) choroso e o choro excessivo vai fazer o bebê vomitar", explica.

Segundo a pediatra, o refluxo gastroesofágico (RGE) é caracterizado pelo retorno de conteúdo gástrico para o esôfago, atingindo, algumas vezes, a faringe, a boca e as vias aéreas superiores. O RGE é, em geral, um processo fisiológico normal que ocorre várias vezes por dia em todas as pessoas saudáveis, independentemente da idade, principalmente após as refeições. 

Ainda de acordo com a médica pediatra, é normal vomitar e regurgitar nos primeiros meses de vida. "Se a criança estiver ganhando peso adequadamente e não tiver sintomas são chamados 'vomitadores felizes', pois vomitam ou regurgitam e estão sempre bem, sem sintomas e crescendo normalmente", destaca. 

Pediatra explica que uso da faixa em bebês deve ser com bom senso. (Foto: Arquivo Pessoal)

A especialista explica ainda, que o refluxo é essencialmente uma consequência de mecanismos normais de acontecimentos da vida do bebê e em alguns casos, a minoria merece tratamento.

"A grande maioria dos bebês regurgitam, sobretudo os menores de seis meses, sendo absolutamente normal nesta fase do desenvolvimento. Isto faz com que usemos o nome de Refluxo Fisiológico ou ainda Regurgitação do lactente. Esse processo acontece porque ele ainda apresenta imaturidade nos principais mecanismos anti-regurgitação, o que se associa ao fato de ficar na posição mais deitada e sempre ingerir maior quantidade ou volume de alimentos. O refluxo se torna doença quando começa a atrapalhar o crescimento e o desenvolvimento normal da criança ou quando piora a qualidade de vida do lactente. Nestas situações, sua presença está relacionada à perda de peso ou ainda dificuldades para ganho de peso, choro, irritabilidade, recusa alimentar e anemia. Todos esses pontos podem ser sintomas de refluxo-doença". 

Caso a doença do refluxo gastroesofágico seja confirmada, a pediatra explica que o tratamento deve ser feito com medicações que aliviem as dores, diminuindo a produção do ácido e cicatrizando o que está inflamado. "Porém, cada criança deverá ser avaliada pelo seu médico individualmente, pois há diferentes tipos de tratamento e de resposta. Não inicie ou faça tratamentos sem a supervisão de seu pediatra", afirma.

Bom senso é a palavra chave

Para a pediatra, o bom senso dos pais deve o fator principal na escolha do acessóario e durante o uso, a qualquer sinal de desconforto, sejam marcas, mudança de coloração na pele, irritabilidade ou tosse, deve suspenso imadiatamente.

"A criança depende do bom senso dos pais. E os pais devem utilizar faixas de cabeça de material leve, confortável, algo mais frouxo e é claro, buscar o auxílio de um pediatra e gastropediatra para possíveis diagnósticos e tratamento de um refluxo-doença. Não se deve utilizar em bebês faixas de cabeça apertada. Utilizar apenas material composto de algodão. Os pais não devem deixar se levar pelo bonito, e sim preferir a segurança e o conforto do bebê", ressalta.

FAIXAS DE BEBÊ: FAÇA VOCÊ MESMA!

E você, internauta, o que acha do acessório? É a favor ou contra o uso em bebês?

Reportagem: Andressa Ferreira/DOL

Coordenação: Enderson Oliveira/ DOL

Multimídia: Demax Silva/DOL



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