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Teste Físico da Susipe feito em pista escorregadia e inapropriada revolta candidatos

terça-feira, 23/10/2018, 14:28 - Atualizado em 26/10/2018, 09:11 - Autor:


Candidatos do concurso público da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe) denunciam irregularidades da aplicabilidade do TAF (Teste de Aptidão Física), realizado nos dias 21 a 23 de outubro.


Revoltados com a banca organizadora do certame, a AOCP Concursos Públicos, em relação aos erros que lhes valeram a vaga, candidatos se preparam para recorrer ao Ministério Público e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA) para pedirem nulidade do Teste de Aptidão Física, realizado no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), localizado na rodovia Arthur Bernardes, em Belém.


A candidata Habias dos Santos Furtado, de 33 anos, primeira colocada no concurso para o cargo de agente prisional na Região Metropolitana, denuncia que ao invés da prova de salto horizontal ter sido aplicada na pista de atletismo, na grama ou no cimento, foi realizada em uma pista de taco. Além do local impróprio, segundo ela, um pó branco foi jogado, deixando o piso escorregadio e perigoso para acidentes.


“Me senti muito prejudicada no TAF. Eles colocaram a gente para fazer o salto horizontal em um local impróprio, que não estava citado no edital, com um piso escorregadio. Nos outros exercícios eu obtive êxito, mas nesse, fui pular na primeira tentativa e cai de joelho, me machuquei. Fui falar com a fiscal que considerou meu salto inválido e ainda falou que era para eu olhar a sola do meu tênis, disse que eu ia escorregar de novo, pois ele não era próprio para o local, pois tinha que ter travas. Indaguei porque treinei muito para fazer esses exercício. O piso foi a questão fundamental para derrubar muito candidatos. Inclusive, a fiscal ainda mostrou o sapato que ela estava usando e as travas que o meu deveria ter”, relembra.



A candidata denuncia ainda, que mesmo outros dois fiscais validando o salto, a mesma fiscal que havia falado do tênis disse que Habias havia queimado. “Ela estava de cabeça baixa, anotando e para mim, não queimei. Perguntei se poderia verificar na câmera junto com eles, mas falaram que não. Depois ela voltou e disse que a pontinha do tênis (nesse mesmo termo) tinha encostado na linha de saída do salto. Se não fosse pelo piso de taco, pelo sapato ideal que a fiscal falou que eu precisava estar, não tinha acontecido isso. Me senti muito prejudicada por essa questão”, lamenta.


Alan Lobato Pinheiro, candidato ao cargo de agente prisional na Região Metropolitana, também denuncia o problema o piso inadequado e escorregadio.


“A situação adversa do piso que não era apropriado e diferente do que era indicado no edital prejudicou muitos candidatos. Nos deparamos com um piso de taco e ainda usaram um pó branco, que ninguém sabe ao certo dizer o que era. Segundo a fiscal, seria para dar mais aderência na hora do salto para não escorregar, mas foi exatamente o contrário, escorregava ainda mais. Além do mais esse pó dificultava a linha de marcação da entrada porque a linha também era branca. As outras provas foram padrões, mas essa do salto foi totalmente diferente do que dizia no edital”, relembra.


Lucivaldo Ferreira da Costa, também candidato ao cargo de agente prisional na Região Metropolitana, denuncia o atraso para o início das provas, além do piso para o salto horizontal, chegando a se lesionar no tornozelo.


“No meu cartão de identificação estava que eu deveria estar às 10h da manhã, com risco de ser eliminado, se chegasse atrasado. Cheguei no local da prova às 8h30, entrei 9h, mas o meu TAF só começou 11h15 e foi finalizado ás 13h, um atraso de quase 3h do programado. Fiz a barra tranquilamente, mas quando cheguei no local do salto, identifiquei o piso liso e escorregadio, que estava prejudicando muitos candidatos. Há meses que eu estava treinando intensamente, mas na descida, mesmo com os fiscais jogando uma espécie de talco para dar aderência ao piso, eu escorreguei e lesionei meu tornozelo esquerdo. Na segunda tentativa, decidi não arriscar por causa do piso e fiz o salto mínimo. Mas na corrida, fiz a primeira volta, e na metade da quinta volta, senti muitas dores, acabei desmaiando na pista e foi socorrido por uma ambulância que se encontrava no local”, recorda.


Segundo os denunciantes, o edital do concurso se limitava apenas a dizer que o candidato deveria comparecer ao local para o teste de aptidão física com "roupa apropriada para prática de atividades físicas" e que o "o Teste de Impulsão Horizontal será realizado em piso adequado, em uma superfície plana e uniforme".



Prova do salto realizado por candidatos da região de Castanhal, no nordeste paraense, foi no cimento. (Foto: Divulgação)


Candidatos aptos também denunciam irregularidades


Apesar de ter sido classificado no TAF, Eliel de Paula Varão, candidato ao cargo de agente prisional na Região Metropolitana, também ficou revoltado com falta de organização e irregularidades, principalmente em relação a prova do salto.


“Foi a maior sacanagem que fizeram com os candidatos. O primeiro que foi pular, escorregou, bateu as costas, o pessoal gritou e fez a maior confusão, mas não deu em nada”, destaca.



Doricleia Melo Ribeiro, também classificada ao cargo de agente prisional na Região Metropolitana relembra as dificuldades da prova, devido ao piso inapropriado.


“Treinei em qualquer piso, porém aquele de taco da prova foi totalmente dificultoso porque os candidatos iam suando e os fiscais tinham uma camisa velha que limpavam rápido o chão e mesmo assim ficava liso. Antes mesmo da gente pular, a fiscal falou que o piso tinha que ser aceito porque quem treinou em qualquer lugar passaria. Outra coisa que me chamou bastante atenção foi o fato da avaliadora fazer a medição no olho, embora estivesse sendo filmado. As minhas metas, eu sempre alcançava 1,69; 1,17 a 1,78 em qualquer piso e lá eu alcancei apenas 1,50. Isso não foi só comigo que fui apta, mas vários outros colegas também fizeram bem menos. O tênis que eu estava era apropriado para aquele piso, embora não soubesse. Digo que tive a sorte de ir com um tênis apropriado para o piso inadequado e escorregadio”, conta.


Em nota, a Secretaria de Estado de Administração (Sead) informou que o Teste de Aptidão Física do concurso C-199 da Superintendência do Sistema Penitenciário realizado no último domingo, 21, transcorreu dentro da normalidade e todas as pistas de prova seguiram as especificações descritas no edital do concurso. A Sead informa ainda, que há o prazo de recurso após a divulgação do resultado preliminar onde os candidatos podem recorrer nos dias 07 e 08 de novembro. Os recursos serão analisados pela organizadora do concurso com total transparência, de forma a assegurar a lisura do certame.


Diante das inúmeras denúncias, o DOL entrou em contato com a AOCP Concursos Públicos e aguarda um posicionamento.


(DOL)

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