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Mesmo sendo professor, Jatene nunca aprendeu a educar o Pará

terça-feira, 16/10/2018, 07:34 - Atualizado em 16/10/2018, 08:12 - Autor:


Figura mais do que importante para a formação educacional e moral de todo ser humano, o professor, em especial aquele que atua na rede pública no Pará, seja estadual ou municipal, passou o dia de ontem sem ter muito que comemorar. “Nosso piso estabelecido em lei federal está congelado desde 2015. Há 20 anos no poder, o atual Governo, depois de o Tribunal de Justiça do Estado dar liminar obrigando o pagamento, foi buscar no Superior Tribunal de Justiça uma forma de derrubar isso, e só de tê-lo feito já fica claro que não quer pagar por retaliação à categoria”, critica Williams Silva, coordenador de Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp).




(Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)


PIOR ENSINO MÉDIO


Para além disso, o Estado acumula um triste histórico de “lanterna” em diversas análises voltadas ao qualitativo da Educação, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado em setembro, no qual aparece como o pior Ensino Médio de todo o país.


Os próprios alunos também foram às ruas reclamar do desprezo do Estado com a estrutura da Educação. Em abril deste ano, estudantes da Escola Estadual Mário Chermont, na Alcindo Cacela com a Pariquis, bairro da Cremação, interditaram o entorno em protesto. Em junho foi a vez de a própria Justiça obrigar Jatene a reformar a Escola Estadual Antônio Gondim Lins, em Ananindeua, depois que cerca de 45 estudantes passaram mais de um mês ocupando o prédio, com apoio de pais e professores, para forçar o governo a reformar o espaço.




(Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)


Impossível não relacionar esse cenário com o fato de que o candidato apresentado como sucessor de Simão Jatene (PSDB) ao Governo do Estado, o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa (Alepa), Márcio Miranda (DEM), sempre fez parte da gestão tucana responsável pelo desmonte da Educação Pública: foi líder do Governo no parlamento em 2011 e desde 2013 preside a Alepa, tendo contribuído pouco ou nada para uma maior articulação entre a categoria e o Executivo. Mas ontem, em suas redes sociais, escreveu que “valorizar o trabalho dos que ensinam sempre foi meu compromisso como deputado estadual. Meus parabéns aos professores neste dia tão importante!”.


“O mesmo vale para o que concorre a vice-governador na chapa, José Megale (PSDB), que foi líder na Alepa depois dele. Teria facilitado muito. De outro modo, é decisão política não pagar o piso, por exemplo,” avalia Williams.


“Sabemos que a função social do educador é importantíssima, mas não há muito que comemorar. Ainda mais em escola pública, espaços sem as mínimas condições de trabalho, por conta tanto do fechamento de turmas quanto de turnos, em Belém e na rede estadual”, denuncia ele, que é professor da rede municipal de Belém. “A gente dá aula em salas lotadas, pouco ventiladas, mal iluminadas, e não temos reconhecimento e valorização - pelo contrário”, lamenta.




(Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)


RETALIAÇÃO


Se o desrespeito à lei federal que estabelece o piso salarial dos professores soa como retaliação aos trabalhadores, é mais certeza ainda de que é uma decisão que se volta principalmente a quem mais precisa, à população mais pobre dependente do acesso à educação pela rede pública. “O reflexo disso vai no Ideb, na vida das pessoas, na própria gestão. Por isso estamos entre os piores. Só que nessa hora, o Governo responsabiliza os professores, e não assume a responsabilidade de que não investe ao, por exemplo, isentar de impostos uma porção de empresas. Sem acesso à escola, depois a pessoa não vai ter acesso ao emprego, e isso é bom para quem está no Governo. Chega no ano de eleição, contrata essa turma por uma mixaria para balançar bandeira e, automaticamente, ‘leva’ junto o voto”, dispara o sindicalista.


Dinheiro teve, mas faltou competência para o governo gerir a educação


As escolas estaduais não conseguiram atingir nenhuma das metas do Ideb, que é o principal indicador do Ministério da Educação (MEC) de qualidade da educação básica, formado pelo Saeb (prova de português e matemática aplicada a cada dois anos) e pelo fluxo escolar (taxa de aprovação/reprovação/abandono dos alunos). A meta estabelecida era de 4,0 pontos para a rede, mas os alunos registraram índice de 2,0. De 138 cidades que tiveram o Ideb calculado para 2017, em 129 os alunos não conseguiram chegar nem perto de 3,1 pontos, índice referência em 2015. Apenas nove municípios alcançaram a meta de 4,0.


Em 2016, o governo estadual fez ampla divulgação da parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para um investimento de US$ 350 milhões, hoje equivalentes a R$ 1,4 bilhão, no Pacto Pela Educação, lançado em 2013. O projeto, lançado por Jatene para alavancar o ensino em todo o estado do Pará, nunca disse exatamente a que veio, mas propunha um aumento do Ideb em 30%. À época, foi anunciado que cerca de US$ 220 milhões seriam investidos na infraestrutura de escolas da rede estadual, o que é impossível de ser visto em qualquer uma delas, seja na capital ou no interior.


(Carol Menezes/Diário do Pará)

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