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Mil pessoas esperam por um transplante

quinta-feira, 27/09/2018, 08:15 - Atualizado em 27/09/2018, 08:22 - Autor:


Há seis anos, pelo menos três vezes por semana, o microempresário Francisco Messias, 56, faz diálise e há quase um ano, espera por um transplante de rim. “Um transplante depende de uma compatibilidade de quase 100%. Ainda não consegui, mas mantenho firme minha esperança”, afirma.


“Fazer a hemodiálise, para quem já escapou da morte, não é tão ruim. Ruim mesmo são os efeitos colaterais e, no meu caso, já estou quase sem acesso físico para o tratamento. Só tenho um braço, se a fístula (acesso para a veia) parar, eu posso perder a vida. Por isso, um transplante agora é imprescindível”, explica.


A realidade de Francisco é parecida com a de centenas de pessoas que precisam de transplante de órgãos no Pará. Hoje, Dia Nacional de Doação de Órgãos, pouco há a se comemorar. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa), só em 2017 tinham mais de mil pessoas à espera de um transplante no Estado. “Falta conscientização das pessoas que podem doar, mas falta também iniciativa dos gestores hospitalares”, diz Ierecê Miranda, coordenadora da Central Estadual de Transplante.


Segundo ela, a média de espera é de 3 a 4 anos, mas há pacientes na fila há 15 anos. Desde 2001 as pessoas não precisam mais informar que são doadoras no documento de identidade. Basta informar à família sobre o interesse de doar. No entanto, há dois problemas: o 1º é que a maioria não tem essa informação. O 2º é a resistência das famílias em autorizar a doação no momento de dor pela perda do ente querido.


INFORMAÇÃO


Em 2017, o Governo Federal publicou decreto que, entre outras questões, determina a criação de Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT). Mas, em Belém e região a CIHDOTT funciona somente no Ophir Loyola, Hospital Metropolitano e no Pronto Socorro da 14 de Março. No interior a situação é mais dramática. Apenas o Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém, realiza esse acompanhamento na unidade e nos demais hospitais da cidade. (Com Josiele Soeiro)


SERVIÇO


Quem pode ser doador? Qualquer pessoa que morre e que não tenha contra-indicação para a doação, como portador do vírus HIV, doença de chagas, entre outras. Em caso de doação entre vivos, qualquer pessoa saudável pode doar, desde que seja compatível com o receptor e ter parentesco até o 4º grau na linha reta ou colateral com o receptor.


Quais órgãos podem ser doados? Doador vivo: órgãos duplos ou que se regeneram (um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão e medula óssea). Doador falecido: rins, fígado, pulmão, coração, intestino, pâncreas, córneas, ossos, pele, tendões e etc.


Como se tornar um doador de órgãos? Precisa só informar a família da vontade de ser doador de órgãos.


Quem recebe os órgãos doados? Pacientes com indicação para transplante e inscritos na fila do transplante específica para cada órgão.


(Fonte: Central de Transplantes da Sespa)




(Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)


Transplantados fazem protesto por remédio


Cerca de 40 transplantados de rins realizaram um protesto, na manhã de ontem, contra a falta do medicamento Tacrolimo. O remédio precisa ser tomado diariamente para que os rins não sofram rejeição após o transplante. De exclusividade do SUS, a medicação não pode ser comprada em farmácias. “Se não tomarmos podemos perder o rim e até a vida”, informa o transplantado Roberto da Luz.


Segundo os pacientes, o remédio está em falta há 20 dias neste mês. No entanto, o problema já se repetiu outras três vezes. A informação que chegou até eles é que as caixas ficaram retidas no aeroporto por falta de pagamento. Atualmente, mais de 700 pacientes precisam tomar o remédio.


Os manifestantes ocuparam a calçada da Sespa, interditaram uma faixa da avenida João Paulo II. No final de manhã foram recebidos por uma representante da Secretaria que informou que o medicamento estaria na farmácia do HOL no início da tarde de ontem.


Espera de até 2 anos para fazer exames


Além dos problemas estruturais apontados pela Sespa, os pacientes que necessitam de transplantes de órgãos também têm dificuldade de acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os renais crônicos em hemodiálise, por exemplo, que representam a maioria dos pacientes cadastrados na Central de Transplantes, precisam passar por pelo menos 40 exames de compatibilidade para poderem continuar o tratamento.


DEMANDA


Mas a grande demanda associada a equipamentos sem manutenção fazem com que eles esperem até dois anos para fazer os testes. “O intervalo entre um exame e outro é tão grande que quando eles conseguem fazer um, o outro já perdeu a validade”, reclama Joseane Muniz, presidente da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará. Segundo a Associação, dos mais de 400 pacientes na fila de espera por um rim, somente 80 estão habilitados, pela demora na realização dos exames.


SITUAÇÃO


O Pará realiza somente dois transplantes, o de rins e o de córnea. O de fígado está previsto para iniciar em janeiro de 2019. Segundo a Sespa, em 2017, dos 3 mil pacientes que realizavam hemodiálise somente 72 conseguiram o transplante. Os de córnea foram 303.


Em 2018, até o momento, foram realizados somente 44 transplantes por causa das dificuldades de atendimento às novas exigências do Ministério da Saúde (MS).


Para realizar procedimentos de transplante um hospital precisa cumprir uma série de exigências, entre as quais possuir médicos e equipamentos especializados, alvará sanitário, leitos habilitados no MS e garantir acompanhamento integral ao paciente.


(Leidemar Oliveira/Diário do Pará)

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