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Vendedor ajuda a prevenir o suicídio de forma inusitada em Ananindeua

domingo, 23/09/2018, 07:34 - Atualizado em 23/09/2018, 07:34 - Autor:


Com uma mensagem positiva em um espaço inusitado, o vendedor de laranjas Marcelo Carvalho, 37, tem chamado a atenção de quem passa pelo entorno do Conjunto Stélio Maroja, na avenida Independência, em Ananindeua. A placa com a frase “Diga não ao suicídio” fica em meio às próprias frutas. A ideia do comerciante é aderir à campanha Setembro Amarelo, para prevenir casos de suicídio, criada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV).


Motivado pela própria experiência com a depressão, ele resolveu chamar a atenção de quem passa pela via e revela que algumas pessoas já pararam em sua banca somente para conversar. “Sinto que as pessoas estão muito sozinhas. Com muito acesso à tecnologia, mas sem ajuda do próximo”, diz Marcelo que, no próximo dia 29, realizá um encontro de pessoas que se interessam pelo tema, para falar sobre suicídio. 


Humorista, ele colocou a placa sobre a campanha junto com outras que costumam divertir seus clientes, com frases como “mais amor, menos chifre” ou “mais amor, menos fofoca”. Ele sabe que nem sempre dá para tratar a questão de quem pensa em tirar a própria vida dessa forma, mas acredita que é uma maneira de iniciar uma discussão e aglutinar pessoas. 


“Tento misturar o humor com assunto sério, para não ficar tão pesado. Mas não sou médico nem psicólogo, penso que agora o que posso fazer é isso, abrir esse diálogo, fazer um pouco para melhorar a vida do próximo”, disse. 

COMPREENSÃO


 A venda de laranjas começou em fevereiro deste ano, como uma forma de superar problemas pessoais: ele se separou da esposa e perdeu o pai e a mãe que o criou. Depois disso, foi morar com a mãe biológica. 


Marcelo também conta que enfrentou 14 anos de luta contra o alcoolismo e, por isso, abandonou cursos em faculdades. “Os problemas se acumulam e a gente acaba caindo no fundo do poço”, comenta o vendedor, que buscou compreender melhor a sua própria situação psicológica. “Vi que eu ainda tinha alegria”.



Marcelo Carvalho utiliza a sua banca de venda de laranjas no município de Ananindeua para falar sobre suicídio. (Foto: Wagner Santana/Diário do Pará)


Centro de Valorização da Vida oferece apoio 


 O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio gratuito para quem precisa desabafar e conversar, caso esteja com algum problema emocional, que não se restringe ao suicídio. “Quem estiver se sentindo só e quer uma pessoa para conversar, nós estamos abertos”, diz Luiza Montenegro, voluntária do CVV em Belém. 


Segundo ela, a campanha foi criada para se discutir sobre o suicídio como uma questão de saúde mental no Brasil, o oitavo país no ranking de número absoluto de suicídios, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). 

APOIO 


“Nosso objetivo é mostrar que existem serviços de apoio, médicos e como os pacientes podem ser encaminhados. É importante discutir isso junto com a sociedade”, diz Luiza.


Também segundo ela, no país as faixas etárias mais atingidas são as de 15 a 29 anos e os idosos. 


“Entre os jovens, é a terceira causa de morte, ficando atrás somente de acidente de trânsito e homicídio. Por isso fazemos palestras e eventos, em parceria com escolas e universidades, eventos nas praças para que sejam feitas ações de prevenção”.


(Dominik Giusti/Diário do Pará)


 

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