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Idosos falam sobre qualidade de vida em Instituições de Longa Permanência em Belém

domingo, 16/09/2018, 11:18 - Atualizado em 16/09/2018, 11:18 - Autor:


Eram 5h da manhã em um dos quartos da União da Pia Pão de Santo Antônio, em Belém. Ocirema Mota, 75 anos, levanta e prepara um café para saborear enquanto faz uma leitura rápida nos sites de notícia e checa suas redes sociais. Depois, ela está pronta para a primeira atividade do dia: a hidroginástica. Só então sai para encontrar com os amigos com quem divide a casa, há 10 anos, e seguir para os compromissos do dia.


Quase no mesmo horário, no Abrigo São Vicente de Paulo, Maria de Araújo, 89, também levanta com disposição. Ela arruma o cabelo, coloca acessórios, passa batom e vai encontrar com as amigas no corredor da casa, que divide há um ano, para juntas seguirem para o refeitório. 


Alguns idosos procuram as casas, agora chamadas de Instituições de Longa Permanência para Idosos (IPLs), por se sentirem acolhidos pelas programações destes lares. Nos últimos anos, a população brasileira manteve a tendência de envelhecimento e ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 



A idosa Maria de Araújo. Foto: Ney Marcondes


Ocirema é uma dessas senhoras que buscou uma residência coletiva para idosos e se considera vivendo com mais qualidade de vida. “Vim morar aqui por vontade própria, minha filha foi contra, mas sempre tive o desejo de viver em comunidade. Aqui tenho qualidade de vida com diversas atividades e autonomia: saio, viajo com as amigas, visito a família. Mas também tenho a companhia e a conversa de pessoas como eu”, afirma. “Há tanto o que se fazer e agora não tenho mais as preocupações de casa e emprego, estou aproveitando este momento “, conta Ocirema. 


Maria de Araújo também diz que a decisão de ir para o São Vicente de Paulo foi dela e que, apesar da resistência do filho para aceitar a ideia, ela está realizada em viver ali. “Eu gosto muito de viver aqui, me encontrei. Sou muito bem cuidada e, ao mesmo tempo, me sinto independente. Eu achava que as outras idosas daqui tão felizes, que pedi ao meu filho pra vir. Eu também vivia muito bem com ele, mas aqui tenho a companhia dessas amigas que fiz. Tem muita alegria, tem sempre muita gente, algumas festinhas, tem música que nem lembro de ficar triste”, relata. 

MUDANÇA


O diretor vice-presidente da União Pia Pão de Santo Antônio, Airton de Barros, explica que a nomenclatura asilo não é mais usada. “A nomenclatura asilo já está ultrapassada, somos uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). As pessoas às vezes têm uma ideia de que aqui é um lugar onde os idosos são coitadinhos e estão quase morrendo, mas não. Seus limites são respeitados, mas eles têm à disposição várias atividades”, explica.


A procura por esses lares por iniciativa própria é mais comum do que se imagina, como explica Silvia Cruz, diretora do abrigo São Vicente de Paulo. “A maioria das idosas que vêm pra cá, vem por vontade própria e aqui fazemos um trabalho de acolhimento em tempo integral, com o acompanhamento de terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicóloga. Temos programações constante como bingos, festinhas para a manutenção 
com atividades”.

CUIDADOS


Apesar de casos como os de Ocirema e Maria, nem todos os idosos têm a autonomia total. Há quem seja total ou parcialmente dependente de cuidados, mas isso não os deixa menos contentes com a vida nestas casas coletivas. Yukihko Ishigaky, 64, está há menos de um ano no Pão de Santo Antônio. “Estou aqui há 7 meses, mas estou gostando da casa e, principalmente, dos novos amigos que fiz. Passo boa parte do tempo conversando ou jogando dominó. Isso me distrai bastante. Tenho uma cuidadora que me ajuda com a medicação. Aqui não me sinto sozinho”, explica.


ESTUDO


Esses idosos fazem parte de uma estatística das primeiras conclusões de um estudo que está sendo realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea) sobre as condições de vida e a infraestrutura dos antes chamados
asilos no Brasil. 

Os pesquisadores do Ipea avaliaram que, diferente do que pode pensar o senso comum, viver num asilo pode melhorar a qualidade de vida do idoso, independentemente da classe social. 

A pesquisa parcial abrangeu 79.459 brasileiros com mais de 60 anos (cerca de 0,5% do total do País) em 3.548 instituições (6,9% públicas ou mistas, 68,4% filantrópicas e 24,7% privadas).


(Josiele Soeiro/Diário do Pará)

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