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Rios do Pará estão em posição estratégica no tráfico de drogas para outros países

domingo, 09/09/2018, 10:34 - Atualizado em 09/09/2018, 10:34 - Autor:


Em todo o ano de 2017, a Polícia Federal apreendeu 210,8 quilos de entorpecentes em todo o Estado. Esse ano, até esse mês, já foram 2.131,77 quilos, graças às grandes apreensões de cocaína ocorridas no último dia 26/08 em Barcarena (1,5 tonelada); e nos municípios de Afuá e Chaves (600 quilos) dia 3 passado. Ou seja: nos 9 primeiros meses de 2018 o total de apreensões já é quase 10 vezes maior que o total de toda a droga apreendida no ano passado no Pará pela PF.


Já a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil apreendeu de duas toneladas de entorpecentes em todo o Estado, sendo que 60% desse total era de cocaína e 40% de maconha. Somando o que foi apreendido nas duas corporações chega-se ao número de mais de 2,7 toneladas de entorpecente apreendidos mostrando que o Pará continua como uma importante rota do tráfico internacional de drogas.


O trabalho da PF é basicamente de campo, de investigação e fiscalização no combate ao tráfico. “A gente vai se aprimorando para alcançar resultados como o do final de semana passado que resultou naquela grande apreensão em Barcarena”, coloca. A  investigação durou cerca de um mês e envolveu um trabalho de pesquisa e troca de informações conjunto com a polícia norte-americana, coloca o delegado David Jacobs, que comanda a Delegacia de Repressão às Drogas da PF.


Ele ressalta que a geografia do Pará impõe uma dificuldade enorme para o combate ao tráfico internacional de drogas devido às suas dimensões. “A região amazônica possui muitos rios e muitas fronteiras e dificulta muito a fiscalização e isso facilita muito o trabalho dos traficantes”, diz o policial.


Droga atravessa o Pará pelos rios e céus


A maior parte da droga que chega no Pará vem da Colômbia e Peru via Rio Amazonas, através das fronteiras das cidades amazonenses de Tabatinga e Benjamin Constant, que fazem fronteira com o país. “Outra frente de entrada é via aérea. Na região existem muitas áreas de floresta que facilitam a construção de pistas clandestinas por onde a droga também chega.


A apreensão de cerca de 1,5 tonelada de cocaína ocorrida no último dia 25 em Barcarena foi a maior feita no Pará nos últimos 10 anos, superando inclusive a operação realizada em julho do ano passado pela Polícia Civil, que apreendeu mais de 400 kg de drogas em Ponta de Pedras, no Marajó.  O valor da droga apreendida pode chegar a R$ 350 milhões.


A operação foi realizada na Vila dos Cabanos e a cocaína seria levada para alguns países da Europa. Duas pessoas foram presas em flagrante quando transportavam a droga de um carro para um barco, próximo a praia do Caripi. A investigação iniciou a partir de uma informação recebida pela PF da possibilidade de tráfico de drogas em Belém. Posteriormente, chegou ao conhecimento da equipe da existência de uma residência na Vila dos Cabanos que estaria envolvida.


Com o apoio da Marinha, a PF apreendeu na noite da última segunda entre os municípios Afuá e Chaves, no Marajó, cerca de 600kg de cocaína. Quatro pessoas foram presas em flagrante e 2 embarcações apreendidas. O entorpecente tinha como origem provável o Suriname e destino, Belém.


Parceria entre as polícias ajuda a combater o tráfico de drogas na região



No Marajó, a PF teve apoio da Marinha para capturar outros traficantes e interceptar 600 quilos de cocaína na última semana (Foto: Mauro Ângelo)


O delegado Hennison Jacob, diretor da Denarc, diz que a parceria com a Polícia Federal se intensificounos últimos 10 anos. A troca de informações é constante. Apesar da tarefa constitucional de combate ao tráfico de drogas ser da PF, a cooperação é sempre mútua. Como o efetivo da PF é pequeno, a ajuda das Polícias Civil e Militar é fundamental no combate a esse tipo de crime, já que as duas corporações atuam em todo o Estado e a PF cobre principalmente nas regiões de fronteira. “Muitas vezes estamos investigando o mesmo alvo e já ocorreu de chegarmos juntos na mesma operação, mas quando vemos que o trabalho da federal está mais adiantado deixamos tudo com eles e vice-versa”, coloca.


A Denarc atual principalmente no combate às quadrilhas que atuam em vários pontos da cidade e no chamado “tráfico doméstico”, sobretudo nas “bocas” espalhadas nos bairros de Belém. “A maioria das nossas apreensões são de cocaína e maconha, mas a entrada e o consumo das drogas sintéticas vêm crescendo nos últimos anos e hoje já representa 5% das apreensões aqui em Belém”, revela.


O Delegado também chama atenção para o crescimento nas apreensões de “Skank” (também conhecida como supermaconha ou skunk). É uma droga mais potente que a maconha, também retirada da Cannabis sativa e, com mesmo princípio ativo que Tetra-hidro-canabinol (THC). A diferença é proveniente do cultivo da planta em laboratório. Segundo estudos, no skank há um índice de THC 7 vezes maior que na maconha.


A estratégia de combate ao tráfico é tentar apreender as drogas no momento que chegam à cidade, seja via marítima, terrestre ou aérea. “Aí precisamos dar o pulo do gato. Porque se deixamos a droga ser espalhada pela cidade, se pulverizar, o trabalho fica bem mais difícil.”


BAIRROS ESTRATÉGICOS


Segundo o delegado, a principal porta de entrada da droga em Belém é por Ananindeua e Marituba. Muitos carregamentos também chegam pelos rios nos vários pequenos portos espalhados pela cidade, sobretudo nos bairros do Jurunas, Cremação e Terra Firme.


“Já apreendemos muita droga em Barcarena antes dessa grande apreensão de 1,5 toneladas”. Outros pontos fortes de tráfico de droga em Belém de acordo com o Denarc são os bairros do Guamá, Tenoné e o Distrito de Icoaraci.


O aumento de apreensões de drogas é diretamente proporcional à capacidade dos traficantes em mudar as formas de transportar e comercializar o produto. “Precisamos sempre estar ao lado ou à frente dos traficantes. Para isso o trabalho de inteligência e de recebimento de informações através do Disque Denúncias pelo número 181 é fundamental”, reforça o policial.


(Luiz Flávio/Diário do Pará)

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