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Choro, teimosia e frustração: aprenda a lidar com as birras dos filhos

Quinta-Feira, 23/08/2018, 11:33:08 - Atualizado em 23/08/2018, 12:54:59 Ver comentário(s)

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Choro, teimosia e frustração: aprenda a lidar com as birras dos filhos (Foto: Arquivo Pessoal)
(Foto: Arquivo Pessoal)

Seu filho está naquela fase de teimosia, chiliques e momentos de raiva? Ele começa a chorar e em poucos minutos já está gritando ou se jogando no chão? As birras dos pequenos são capazes de deixar alguns pais sem ação, principalmente, quando acontecem em público.

A mestre em Psicologia que atende crianças e adolescentes, Diana Nobre, explica que as birras geralmente em torno dos dois anos de idade, que é quando as crianças saem da fase de bebê e gradualmente começam a se perceber como indivíduo com opiniões próprias.

“As crianças nessa idade, em decorrência da falta de maturidade se expressam por meio da birra para mostrar seus desejos e sentimentos”, ressalta.

Segundo Diana, há uma explicação neuropsicológica para a birra das crianças. “As regiões frontais do cérebro que determinam as “funções executivas” (nossa capacidade de planejamento, autocontrole e raciocínio) amadurecem mais tarde do que as áreas posteriores do cérebro. Sendo assim, é natural que, em muitos momentos, as crianças façam birra, justamente por não terem estrutura psicológica para lidar de outra maneira. Um dos maiores motivos de birra é que as crianças não sabem lidar com limites, tem grandes dificuldades em ouvir "não””, explica.

Psicóloga Diana Nobre explica como os pais devem lidar com as birras dos filhos. (Foto: Arquivo Pessoal)

E como você lidar com as birras?

A psicóloga enfatiza que as crianças aprendem muito pelos exemplos, ou seja, a melhor maneira é ter autocontrole durante as birras dos pequenos. “Se lidamos com as birras das crianças com agressividade ou castigo, elas vão aprender desde pequenas que é assim que resolvemos as dificuldades. É importante que os pais controlem seus próprios sentimentos quando seu filho ficar fora de controle”, orienta.

Para a especialista, o maior erro que os pais cometem na hora das birras é fazer a vontade da criança para evitar que ela continue gritando ou chorando. Apesar de desagradável e embaraçoso em muitas situações, a especialista ressalta que não se deve voltar atrás.

“Quando os pais tomam uma decisão e eles voltam atrás em decorrência da birra da criança, ela vai começar a compreender que sempre pode fazer birra e em algum momento os pais cederão. Além de que, essa atitude dos pais, incentiva e muito a dificuldade que as crianças têm em lidar com a frustração. Muitas vezes crescem adultos frágeis e mais vulneráveis a não lidar com as dificuldades”, explica.

Mas, então, o que fazer?

A psicóloga ressalta a importância dos pais auxiliarem os filhos para lidar com o sentimento de frustração. Segundo ela, só assim crescerão adultos mais fortalecidos e destemidos.

“Das diversas demandas que recebo na clínica ao atender crianças e adolescentes, a dificuldade que elas têm ao lidar com o “não” é, sem dúvida, a maior. São crianças e adolescentes que crescem com grandes dificuldades em tolerar frustração. Eles não sabem lidar. Não sabem aceitar. E, acima de tudo, desesperam-se!”, explica, recomendando que “impor limites, com carinho, é o melhor caminho”.

Cada criança é única com suas individualidades, no entanto, é preciso que os pais estejam atentos aos comportamentos dos pequenos, para saber quando algo não vai bem na vida da criança. A mestre em Psicologia destaca que, em alguns momentos, as birras podem vir acompanhadas de outras dificuldades em que é necessário investigar.

“É importante que os pais fiquem atentos quando as crianças apresentaram comportamentos como grande tristeza, apatia ou desinteresse; baixa tolerância a frustração, ou seja, não saber lidar com o “não” e limites; apresentar medos excessivos; recusar-se em participar de atividades em grupo; agressividade; dificuldade em cumprir regras; falta de concentração nas atividades; grande dificuldade em organizar-se ou planejar suas atividades; dificuldade de concentração e memorização de conteúdos escolares, dentre outros”, pontua.

O que as mães têm a dizer?

Quem nunca passou por alguma situação em que o filho fez birra em público? Victória Alves, de 22 anos, mãe do pequeno Sebastian, de 1 ano e 8 meses está enfrentando esta fase.

“Nesses últimos meses ele tem apresentado muita tolice e birra quando escuta o 'não' da gente. Nisso, ele se agacha no chão, chora, às vezes bate na gente ou bate em si mesmo (na cabeça). Na madrugada, por exemplo, se eu não der de mamar na hora que ele quer, ele grita muito, me chuta e não me escuta de jeito nenhum”, explica a mamãe.

Victória com o filho Sebastian, de 1 ano e 8 meses. (Foto: Arquivo Pessoal)

Victória sabe que a fase é complicada, requer paciência e muita conversa, mas às vezes, a situação foge do seu controle. “Muitas vezes eu perco a paciência e falo um pouco mais alto, mas não é o jeito correto de lidar. Às vezes ignoro ou tento distrair com outras coisas, como brinquedos, desenhos, pintura. Acredito que seja só uma fase que é conhecida como “Terrible Two”, em que muitas mães passam por isso nessa mesma faixa etária”, destaca.

Para a mãe do Sebastian, a melhor forma de lidar com as birras é na base da conversa. “O melhor jeito de lidar é conversando com seu filho, dizendo que aquilo não é o certo a se fazer, que é feito e precisa obedecer a mamãe e o papai. Acredito que eles entendem tudo. Estou tentando fazer o desmame e ele é uma criança bem viciada no peito. Então, assim como para mim, para ele também não está sendo fácil e tenho que entender esse lado”, ressalta Victória.

Disciplina positiva

Dandara Brito, de 27 anos, mãe do João Miguel, hoje com 2 anos e 3 meses passou a usar em casa a disciplina positiva, uma abordagem pedagógica baseada no respeito mútuo e cooperação, que visa ajudar os pais na educação dos filhos.

A disciplina positiva é considerada um meio-termo entre a forma rígida e a permissiva de educar os pequenos, dando-lhes limites, porém, sempre que possível, com opções de escolhas. Trata-se de um programa baseado nos estudos de dois psicólogos austríacos, Alfred Adler e Rudolf Dreikurs, no início do século passado.

Na disciplina positiva, forma de educar que tem conquistado cada vez mais adeptos preocupados com a formação integral de seus filhos, tem como objetivo encorajar crianças e adolescentes a tornarem-se responsáveis, respeitosos, resilientes e com recursos para solucionarem problemas por toda a vida.

Dandara com o filho João Miguel, de 2 anos e 3 meses. (Foto: Arquivo Pessoal)

“As birras do João começaram a acontecer com 1 ano e 8 meses. Geralmente ocorrem quando ele quer fazer algo e não é permitido ou então, quando ele teve um dia cansativo. Ele grita bastante, chora, em alguns momentos se joga no chão”, explica.

Dandara ressalta que procura validar o sentimento do filho e entender o que ele quer transmitir naquele momento.

“É uma fase que eles estão amadurecendo as emoções e geralmente não conseguem lidar com elas. Sempre procuro pesquisar e a melhor forma que eu posso lidar com esses momentos sem ser permissiva, mas sendo gentil. E tento aplicar a disciplina positiva e a educação não violenta”, destaca.

Reportagem: Andressa Ferreira/DOL

Coordenação: Enderson Oliveira/ DOL

Multimídia: Gabriel Caldas/DOL





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