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Outeiro está entregue à própria sorte

quinta-feira, 16/08/2018, 08:12 - Atualizado em 16/08/2018, 08:14 - Autor:


Rodeado de sete praias, o Distrito de Outeiro, em Belém, a cada dia segue mais abandonada pelo poder público municipal. A falta de saneamento e pavimentação compõem o cenário urbano da ilha. Quem mora ali convive diariamente com a ausência de espaços de lazer, atendimento de saúde, segurança, urbanização e transporte público.


Distante a 30 quilômetros do centro da capital, a ilha de Caratateua (nome original) recebe visitantes o ano todo, principalmente, em época de férias, final de semana e feriados. Há 20 anos sem ir ao local, a pescadora Iraci Barbosa, 49, ontem, voltou ao distrito. Mas, não se agradou do que encontrou. "As ruas estão todas esburacadas, cheias de mato, lixo, entulho. Quando eu estive aqui, não era assim”, reclama a turista que mora em São Sebastião da Boa Vista, no Marajó. “As praias são lindas, e deveriam ser preservadas. Do que for bonito, vou fazer foto e guardar de recordação”, observa.




(Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)


A precariedade é à primeira vista: na estrada que dá acesso à Ilha. A uns 300 metros da barreira policial, uma cratera ocupa quase metade da pista. A via que é de mão dupla, afunila neste trecho, e, apenas um veículo passa por vez. Para desviar do buraco, caminhões e carretas sobem na calçada, que está tomada pelo mato alto. Outra situação de abandono que chama atenção no perímetro é um ponto de ônibus, literalmente, abandonado: o banco está no chão, a estrutura metálica enferrujada, a cobertura solta e com buracos e nenhum usuário.


A avenida Nossa Senhora da Conceição, a principal que corta todas as transversais que dão acesso às praias, está sinalizada com um pneu que serve de alerta aos motoristas. A via já é conhecida pelos constantes alagamentos quando chove. O local é cercado de canais e igarapés que transbordam com o excesso das águas pluviais. “É terrível andar em Outeiro, quebramos a moto, os carros, até mesmo as bicicletas. Não há quem aguente tanto buraco”, lamenta o mototaxista David Manuel, 21.




(Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)


SAÚDE


A saúde no distrito também está entregue à própria sorte. A Unidade de Saúde da Família, no bairro do Fidélis, diariamente está lotada e pior: muitos voltam para casa sem receber atendimento. Segundo os usuários, apenas uma enfermeira tem recebido a população. O motorista Estélio Menezes, 42, foi ao local ontem, porém, voltou sem atendimento. “Todos os dias tem um problema: os médicos faltam, não há medicamentos ou os equipamentos estão quebrados”, lamenta.


Na praia Grande, o lixo toma conta. Quando chove, a rua Franklin de Menezes, que dá acesso à orla fica submersa. Para se ter uma ideia, um dos buracos ocupa a porta da Delegacia do Distrito. “Este ano, tivemos o pior veraneio dos últimos tempos. Não temos limpeza e a insegurança é constante, assim como os alagamentos”, desabafa o barraqueiro Benedito Assis, 58. “Tenho há 20 anos barraca aqui, e nunca ouvi tanta reclamação dos visitantes de roubos da Ilha”, completa.


RESPOSTA - Sobre os abrigos de ônibus no distrito, a Prefeitura de Belém informou que entre os anos de 2016 e 2017, 100 novos abrigos foram instalados em diversos pontos, sem contar a manutenção das já existentes. “A Seurb realizou um levantamento dessas estruturas e uma licitação está em andamento para instalação de novos abrigos”, informou. A prefeitura não respondeu sobre as outras reclamações dos moradores.


(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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