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Venezuelanos estão cada vez mais frequentes em Belém

sábado, 14/07/2018, 11:16 - Atualizado em 14/07/2018, 11:18 - Autor:


Auxiliados por dizeres escritos em cartazes improvisados em papelão, refugiados venezuelanos são vistos com cada vez mais frequência pelas ruas de Belém. Muitas vezes acompanhados pelos filhos, homens e mulheres tentam dar continuidade à vida em meio à barreira do idioma e às dificuldades econômicas. Só na capital, são 200 refugiados vindos daquele País.


Ainda se habituando ao português, a venezuelana Maria – ela se identifica apenas pelo primeiro nome -, conta com a solidariedade dos paraenses para garantir dormida e comida para ela e os dois filhos. Todos os dias desde que chegou a Belém, há três meses, ela sai às ruas para pedir por contribuições financeiras nas praças e sinais. “Um dia que não trabalha, não come”, diz.


Sem conseguir se expressar em português, Maria explica em sua língua local e com gestos que a família não está alojada em um abrigo. Com as mãos, indica que o local disponibilizado seria muito distante da Praça da República, onde passa a maior parte do dia. Ela também indica que o abrigo está muito lotado. “Tem muita criança”, diz em sua língua, o espanhol.


Como alternativa, Maria dorme com a família em uma pensão instalada às proximidades da Praça. Paga R$30 de diária. Recurso que depende exclusivamente da contribuição deixada pelas pessoas no pote de margarina que ela mantém nas mãos. Quando questionada sobre o que mais têm necessidade em Belém, Maria é direta. “Tudo precisa. 12h vai embora (da Praça da República). Se não tem dinheiro, dorme na rua”. Mesmo diante da situação de total precariedade, Maria deixa claro que a condição vivenciada na Venezuela é ainda mais adversa. “Melhor aqui!”.


ALIMENTOS


Com placas de papelão escritas em português, o casal Carmem e Loir informava a quem passava que são venezuelanos da etnia indígena warao. Os dois se mantém sentados em uma calçada da avenida Pedro Miranda, bairro da Pedreira. Mesmo com dificuldade para entender o português, eles conseguiram explicar que estão em Belém há 4 meses e que moram em um abrigo.


Também dependem das doações das pessoas que passam para conseguir comer e se vestir. Loir explica que, do dinheiro recebido através de doações, eles compram frango e coca-cola para se alimentar. “Não hay trabalho”, explica, mesclando o espanhol e o português. Quando questionados se possuíam filhos, o casal informou através de gestos com os dedos que tem duas crianças.


Apesar disso, diferente do que se vê em outros casos, o casal pedia ajuda às pessoas na rua sem a presença das crianças. Quando questionada se os paraenses costumavam ajudar, através da doação de moedas e pequenos valores, Carmem disse que não. “Não muito. Muy malo”.


MPF quer soluções para abrigo de imigrantes


O Ministério Público Federal (MPF), por meio do procurador da República no Pará Felipe de Moura Palha e Silva, quer soluções do Estado para o apoio da população que veio da Venezuela até o Estado. Segundo o MPF, existem hoje, em Belém, 200 índios venezuelanos como refugiados.


No Brasil, o número de imigrantes daquele país já passa de 40 mil. Após medidas iniciadas em setembro do ano passado, agora o MPF aguarda uma resposta da Prefeitura Municipal, para que a gestão se posicione a respeito da cooperação que está sendo montada em parceria com os governos do Estado e Federal.


Em 2017, o Ministério Público Federal expediu diversas recomendações para órgãos da esfera federal, estadual e municipal sobre o caso, e recebeu resposta positiva do Ministério do Desenvolvimento Social, que autorizou a liberação de recursos para ações voltadas à proteção da população de refugiados. Antes disso, o MPF também já tinha entrado com uma ação civil público cobrando soluções e auxílio ao povo venezuelano, para que fossem retirados das ruas da capital e levados para abrigos.


Foi criado o Projeto “Kuarika Nakuri”, que significa ‘Vamos em Frente’ na língua warao, com a colaboração dos próprios indígenas, após a criação de uma comissão interinstitucional requisitada pelo MPF. O Grupo de Trabalho de Educação foi coordenado pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), por meio do Núcleo de Formação Indígena (Nufi).


De acordo com o procurador falta agora somente a posição da prefeitura no acordo interinstitucional. “O grande entrave hoje é que a prefeitura ainda não avalizou a proposta. Os demais participantes já assinalaram positivamente para este caso”, disse.


PARA ENTENDER A IMIGRAÇÃO


Em 2017, quase 18 mil venezuelanos pediram refúgio ao Brasil devido à crise político-econômica no país vizinho. Segundo dados do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), o número de solicitações foi cinco vezes maior que o registrado em 2016, quando


3.354 venezuelanos requisitaram refúgio.


Simpósio discute acolhimento de refugiados no Estado


A Rede de Capacitação a Refugiados e Migrantes realiza, no dia 25 de julho, em Belém, o Simpósio “Refugiados e Migrantes no Pará: como acolher e integrar?”. O encontro, com inscrições gratuitas e aberto ao público, vai contar com a participação de integrantes de comitês de refugiados e migrantes; comitês de acolhida; grupos de trabalho sobre empregabilidade; gestores e equipes de abrigos; servidores públicos; organizações da sociedade civil envolvidas no acolhimento, no abrigamento e na integração de refugiados e migrantes; jornalistas e estudantes.


O debate busca fomentar a discussão em torno da necessidade de se estabelecer uma política local de integração para refugiados e migrantes e capacitar os atores envolvidos no acolhimento, integração e interiorização de refugiados e migrantes no Brasil. Os interessados podem se inscrever até às 12h do dia 20 de julho pelo link “Inscrição e Resultados” do endereço http://escola.mpu.mp.br. Estão sendo disponibilizadas 75 vagas e a seleção é por sorteio eletrônico.


O Simpósio “Refugiados e Migrantes no Pará: como acolher e integrar?” vai acontecer no auditório da Escola de Governança do Estado do Pará (Av. Nazaré, 871, Bairro Nazaré, Belém), na manhã do dia 25 de julho, a partir das 9h.


(Cintia Magno/Diário do Pará)

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