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Bosque é mais um ponto turístico de Belém abandonado

domingo, 08/07/2018, 08:28 - Atualizado em 08/07/2018, 08:28 - Autor:


A pequena Maria Letícia, de sete anos, não vai à escola desde a última semana de junho. Para ela, ficar em casa é quase um castigo quando está de férias. Já a mãe, Célia Laurine, 43, entra em apuros diante das reduzidas opções de lazer que Belém oferece às crianças. “São poucos locais, e quando eles estão de portas abertas, o estado é precário, precisam de cuidados”, observa a dona de casa. Para aproveitar o período de folga, durante a semana que passou elas optaram por fazer um passeio no Bosque Rodrigues Alves, no bairro do Marco. Porém, nem tudo agradou as visitantes.


O jardim botânico urbano e de preservação à natureza, instalado no coração de Belém, é uma das poucas alternativas da cidade. Apesar de ser um ponto turístico, a falta de manutenção é notória. Troncos de árvores que já caíram ainda estão jogados entre a vegetação. O passeio de canoa no lago, uma das principais atrações do parque, estava com a entrada isolada por fitas. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), o passeio só funciona aos domingos, para crianças de até dez anos.


SUJEIRA


Do outro lado da ponte, o bueiro do lago permanece entupido, tomado por folhas secas e pacotes de biscoitos e salgadinhos. As informações das áreas comuns do Bosque quase não são vistas. As placas que indicam os espaços estão quebradas, outras sujas e cobertas pelas folhagens. Os bancos de madeira também não recebem manutenção, alguns não têm tábuas e, os de concreto, são tomados por limo.


A falta de preservação também afeta o tradicional castelinho. Crianças e casais circulam entre o limo e lodo, que deixa o piso mais escorregadio e, consequente, mais arriscados a quedas. Apesar da equipe de reportagem observar vários trabalhadores limpando o espaço, o chão, do lado de dentro, no quarteirão da avenida Romulo Maiorana, é tomado por lixo. Uma guarita está desativada, com vidros quebrados e cheia de insetos.


As opções de diversão são precárias. Um parquinho instalado no local mantém brinquedos quebrados e outros enferrujados. “Devido o parque cobrar entrada e ser administrado pela Prefeitura, deveria ter, ao menos, uma manutenção”, reclama a contadora Socorro Leal, 52, que passeava com sua neta de três anos. “É um perigo para as crianças, venho aqui por ser próximo de casa, mas tomo cuidados”, garante.


(Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)


 


O banheiro também permanece sem tampas nos vasos sanitários e a torneira da pia vazando água. Não há papel higiênico e, tampouco, sabão para a higiene, principalmente, das crianças que é o maior público da casa. O estado de dentro do Bosque é o reflexo do que é visto ao lado de fora.


O muro da entrada do prédio está completamente pichado. Uma ambulante que trabalha dentro do Bosque - que prefere não se identificar - também reclama da falta de atrações no espaço. “Antes tinham os festivais do sorvete, açaí, oficinas de teatro e de pintura. Hoje não tem nada disso. O movimento caiu”.


(Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)


RESPOSTA


A Prefeitura de Belém, através da (Semma), informou que o Bosque passa por serviços de manutenção às segundas-feiras e que a limpeza do espaço é realizada diariamente. Ainda segundo órgão, alguns dos galhos que caem são reutilizados para a fabricação de bancos. A secretaria também diz que finaliza um projeto para a nova sinalização do espaço e que realiza gradativamente a troca dos bancos danificados. Já a guaritas não utilizadas serão retiradas. Os muros receberão uma pintura, mas a Semma não disse quando.


20 mil


É o número de visitantes que o Bosque recebe, em média, por mês. Sua área total é de 15 hectares. Destes, mais de 80% são compostos por áreas verdes, e apenas 20% são caminhos para circulação de visitantes.


FICHA TÉCNICA


Dados do bosque


l O cartão postal no coração da cidade tem 134 anos.
l É administrado pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
l Abriga uma importante diversidade de espécies da fauna e flora do ecossistema amazônico, além de monumentos, grutas, ruínas, aquário, chalés e viveiros de animais, e ainda lanchonete e brinquedoteca.
l Segundo a Prefeitura, o Bosque abriga mais de dez mil árvores, distribuídas em mais de 300 espécies. No local, ainda há 435 animais de 29 espécies que vivem em cativeiro e outras 29 em liberdade ou semiliberdade. Entre os animais estão o peixe-boi amazônico, jacaré, tartarugas, jabutis, araras, macacos, entre outros.
l O Bosque funciona de terça-feira a domingo, das 8h às 17h. O ingresso custa R$ 2.


(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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