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Descaso afeta o Palacete Bolonha

domingo, 17/06/2018, 08:29 - Atualizado em 17/06/2018, 09:11 - Autor:


O Palacete Bolonha, localizado na avenida Governador José Malcher, no bairro de Nazaré, em Belém, carece de vários cuidados: na parte externa da edificação observam-se janelas e vidros quebrados; pintura desbotada e descascada; poeira e lixo acumulados; infiltrações; e o vigor do verde dos matos nascendo entre as frestas - como se pedissem por vida no lugar que um dia abrigou um homem apaixonado, o engenheiro Francisco Bolonha, e que projetou o local para a esposa que amava as artes, a pianista Alice Tem-Brink, em estilo eclético: neoclássico, art-noveau, barroco e rococó.


De acordo com o historiador Michel Pinho, o palacete é um ícone da capital paraense e relevante histórica e socialmente por ter sido erguido durante o período áureo da borracha, não apenas pela sua imponente arquitetura, mas pela inauguração, aqui, de um novo modo de morar na Amazônia, com base nos costumes europeus. Exemplo disso são os detalhes projetados pelo arquiteto para o banheiro e para a rede hidráulica e elétrica. Recentemente, o prédio esteve sob holofotes após a suspeita de um desabamento de parte do teto.


“O prédio mostra como era Belém no final do século XIX e início do XX. Ele trouxe tudo do bom e do melhor importado da Europa, como a elite da capital, e marca a urbanização do bairro de Nazaré, com esse estilo de casas e chalés. Por isso, preservar é tão importante, não só garantir a memória e uma fonte de estudos”, explica Michel Pinho. O engenheiro paraense Francisco Bolonha também foi responsável por obras como o Mercado Municipal, a Sucursal dos Bombeiros, a Fábrica de Gelo, os Palacetes, o Sistema de Abastecimento de Água Potável do Utinga, quiosques, o prédio do Jornal “Folha do Norte” e a fundação da Escola de Engenharia do Pará.


TEMOR


O professor, que desenvolve projetos de valorização do centro histórico de Belém, também exprime seu sentimento diante do estado de abandono do prédio. “Fico extremamente temeroso, pois já está fechado há muito tempo, sem uso. É necessário que a prefeitura garanta pelo menos a visitação ao público, que possamos circular no espaço interno, já seria um avanço”, comenta, deixando a sugestão de que o palacete possa abrigar um museu do domicílio.






Assim como outros prédios históricos de Belém, este imóvel, localizado na Governador José Malcher, está precisando de reparos urgentes. Prefeitura diz que 
fará obras. O problema é quando Palacete Bolonha é muito bonito, mas está bastante deteriorado (Fotos: Wagner Santana)


Abandono provoca revolta


Moradora vizinha ao palacete, a dona de casa Selma Pinheiro, 58, lamenta o abandono e cobra que a Prefeitura de Belém tome providências para restaurar o imóvel. “É um prédio lindo, mas nosso prefeito (Zenaldo Coutinho) não faz nada, só quer passear. Lembro de quando era usado, as crianças vinham visitar, faziam reuniões. A minha vontade é vê-lo ativo”, diz. 


O abandono do palacete também está sendo avaliado pelo Ministério Público do Estado (MPE). No último dia 12, o 1º promotor de Justiça do Meio Ambiente, Patrimônio, Cultura, Habitação e Urbanismo de Belém, Benedito Sá, assinou portaria que objetiva investigar a responsabilidade da Prefeitura de Belém na falta de conservação do imóvel, bem como verificar a situação de prédios vizinhos.


O estado atual do Palacete Bolonha se deve, também, a sua falta de uso público, o que inviabiliza a sua permanente manutenção. O último restauro ocorreu na gestão do então prefeito Edmilson Rodrigues. No site do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é possível consultar a informação de que o restauro estaria em execução, com investimento de mais de R$ 2 milhões, oriundos do Ministério da Cultura, pelo programa PAC Cidades Históricas. A data de referência é de 30 de junho de 2017 e o órgão executor é a Prefeitura de Belém.


RESPOSTA


Por meio de nota, a Prefeitura afirma que o Palacete Bolonha deverá abrigar a sede do Museu Casa de Época e Memorial Francisco Bolonha ainda este ano. A nota confirma que o palacete, que é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1982, foi contemplado com recursos de R$ 2 milhões do PAC das Cidades Históricas e diz que está aguardando a análise final da documentação para dar início às obras de restaurações. 


Segundo o arquiteto Jorge Pina, diretor de patrimônio histórico da Fundação Cultural de Belém (Fumbel), os projetos de restauro e de criação do Museu e do Memorial também estão sendo finalizados. A nota diz que a Fumbel aguarda para o segundo semestre a liberação dos recursos. Enquanto isso, os serviços de manutenção do palacete são realizados pela Fumbel e Secretaria Municipal de Urbanismo. Nos últimos meses, devido às chuvas, o palacete apresentou avarias no telhado, forro e parte das instalações elétricas.


(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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