Diário Online

Edição do dia

Edição do dia

Leia a edição completa grátis

Previsão do Tempo
23°
cotação atual R$
Notícias Pará

Estudantes ocupam colégio em situação de abandono

quarta-feira, 06/06/2018, 07:51 - Atualizado em 06/06/2018, 07:51 - Autor:


Cartazes na fachada anunciavam a ocupação da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Helena Guilhon. Em um deles, os dizeres escritos em colorido ironizavam: “Ocupada pelos Pombos”. Os alunos, autores das palavras, denunciam que a escola está tomada pelos pássaros há anos e isto é uma das principais causas para a ocupação do espaço pelos próprios estudantes. Situada no Conjunto Satélite, no bairro do Coqueiro, em Belém, eles dizem que a escola está abandonada. 

O grupo de ocupantes é formado por 30 alunos e está no espaço há cerca de duas semanas. A manifestação é pacífica, segundo o estudante do 2° ano do Ensino Médio, Denilson de Souza, um dos líderes do movimento. Ele diz que a Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc) não cumpriu com as promessas de reformas na escola em 2015, quando os alunos cobraram as mesmas melhorias.

Três anos depois, o prédio está do mesmo jeito. É nesse ambiente que estudam cerca de 1.200 alunos, distribuídos em três turnos, além das turmas noturnas de Educação de Jovens e Adultos. Ventiladores sucateados, paredes pichadas, portas de banheiros quebradas. Para piorar, o laboratório de Informática, com equipamentos ultrapassados, está fechado.

Nos fundos da escola, o mato está alto, mas o que mais preocupa a comunidade escolar é a proliferação de ninhos de pombos e de fezes desses animais, que estão espalhados por toda parte do prédio, como nos pisos, forros e até nas salas.



Cadeiras quebradas ficam entulhadas em uma área do espaço. (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)


Montes de carteiras e mesas escolares também fazem parte do cenário de abandono da escola. Em dois espaços, é possível ver montes de materiais que nunca mais foram retirados do local nem repostos para as salas de aula, segundo os alunos. “Já faz anos que essas carteiras foram descartadas e não fizeram as devidas substituições delas por novas”, critica Denilson.

SOLIDARIEDADE

Estudante e mãe de um dos alunos, Ana Veiga diz que prepara as refeições dos alunos. “Aqui, a gente se ajuda, pede doação de alimentos, um ajuda com uma coisa, outro com outra, até que no fim todos se alimentam”, conta. Os alunos se revezam para fazer a limpeza de banheiros e dos espaços que contêm fezes de pombos e da escola. 



Os próprios estudantes fazem um mutirão de limpeza no prédio. (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)


Além da limpeza, a professora Ediana informa que os docentes fazem coleta para a aquisição de itens básicos da educação. “Até comprar pincéis para dar aula os professores fazem. Através de rifas, festas em datas comemorativas, tudo é feito para angariar fundos para manter a escola”, diz Mendes.

PROFESSORES EM GREVE HÁ UM MÊS FAZEM ATO NA ALEPA

Em greve há mais de um mês no Estado, os professores da rede pública do Pará fizeram um ato em frente ao Ministério Público do Estado do Pará (MPE). De lá, eles saíram em passeata para a Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) numa tentativa de conseguir uma audiência com algum parlamentar. De acordo com a professora Franciane Cardoso, o objetivo era tentar uma audiência com algum deputado para a intermediação de negociação com o governo. “Queremos negociar o pagamento do piso salarial, as reformas nas escolas, o PCCR Unificado”, afirma. Eles foram recebidos, no fim da manhã, pelo presidente da Alepa, Márcio Miranda, que ficou de levar as reclamações ao governador Simão Jatene.

(Wal Sarges/Diário do Pará)

Conteúdo Relacionado


0 Comentário(s)

MAISACESSADAS