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Chefe da PM tem viaturas e câmera do CIOP a seu dispor

domingo, 22/04/2018, 08:40 - Atualizado em 22/04/2018, 08:40 - Autor:


Em um cenário marcado pela insegurança, onde dezenas de pessoas são assassinadas e outras centenas assaltadas diariamente, o comandante da Polícia Militar do Pará, Hilton Benigno, se dá ao luxo de ter à disposição viaturas e policiais militares como prováveis seguranças particulares. Os veículos têm se revezado dia e noite, próximos ao edifício residencial onde o comandante da corporação mora, na travessa 14 de Março, próximo a Rua João Balbi, em Belém. Aliás, é na esquina do cruzamento destas vias que as viaturas têm sido vistas frequentemente desde que ele assumiu o cargo.


A situação soa como um escárnio, já que o Estado tem as mais altas taxas de homicídios e, neste ano, tem apresentado uma média diária de 14 pessoas assassinadas. Entre as mais de mil pessoas mortas nos 2 primeiros meses do ano, 24 eram agentes de segurança pública, sendo 19 da própria PM que ele comanda.



Presença de viatura parada a poucos metros do prédio onde ele mora é constante (Foto: Divulgação)



Uma câmera do Ciop foi instalada recentemente quase em frente a este prédio  (Foto: Divulgação)


Como se a segurança particular paga com o dinheiro do contribuinte não bastasse, próximo de onde as viaturas ficam estacionadas está instalada uma câmera de monitoramento do Centro Integrado de Operações (Ciop). Durante vários dias, o DIÁRIO acompanhou a denúncia de moradores vizinhos ao prédio – que mesmo se sentindo mais seguros com a presença dos policias no local, reconhecem que é importante que a PM também deva percorrer outras áreas da cidade. “As viaturas ficam por aqui, sim!”, disse o morador do prédio, onde as viaturas costumam estacionar sempre. “Os carros com os policiais fazem a segurança do comandante que mora aí em frente”, frisou o condômino. Questionado sobre os horários em que as viaturas da PM costumam ficar paradas por ali ele foi enfático ao responder que os policiais só permanecem no local durante o tempo em que o comandante fica em casa. “As viaturas seguem a agenda do comandante da PM. Se ele está em casa, elas ficam aqui. Se ele não está, elas vão embora”, frisou.


Um vendedor ambulante que trabalha próximo ao cruzamento da João Balbi com a 14 de março também relatou que, com frequência, vê viaturas estacionadas no local. “Eu chego aqui bem cedo e vejo viaturas, mas logo elas vão embora. À noite voltam”, comentou o vendedor. “Não sei quem é, mas tenho clientes que costumam comentar um comandante da PM mora aí. Ele é comandante geral da Polícia ou de algum batalhão?”, questiona. Também perguntamos ao vendedor se ele já precisou acionar a polícia em algum momento e se contou com o serviço. “Eu ainda não, mas já vi pessoas serem assaltadas por aqui e acionarem a polícia pelo 190. A viatura demorou a chegar”, respondeu.


PM CONFIRMA


A assessoria de comunicação da PM confirmou que o comandante possui segurança própria, por estar no atual cargo. E também disse que as viaturas em questão fazem parte de um Ponto Base Estratégico (PBE), que estaria integrado a outros na área do 2º Batalhão, negando, apesar das imagens e depoimentos de vizinhos do comandante, que ele tenha alguma escolta policial permanente, mesmo em horário os de folga.


Cúpula tucana segura em Belém



Jatene, Hilton Benigno, Luiz Fernandes e Zenaldo: a insegurança no Pará não existe para eles (Foto: Irene Almeida)


Para refrescar a memória, a frase entre as aspas abaixo foi proferida pelo secretário de Segurança do Estado do Pará, Luiz Fernandes, em entrevista a uma emissora em meio a uma onda de assassinatos na Grande Belém. Não podemos condená-lo: ele, o chefe da PM e o governador Simão Jatene têm razão. Eles podem se sentir seguros em Belém. Mandam instalar câmeras e escalam viaturas para as portas de suas casas. Usam o aparato do Estado para proteger a si próprios do caos que causam como gestores. É a réplica do regime de Luis XVI, em que a corte se afoga no luxo e à população não são destinadas nem as migalhas do banquete. Enquanto o reino arde, o soberano se diverte tocando seu alaúde.


(Diário do Pará)

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