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Jatene abandona estudantes do Icuí

sábado, 07/04/2018, 08:37 - Atualizado em 07/04/2018, 08:45 - Autor:


Grafada com tinta preta à mão, o nome da Escola Estadual Icuí Laranjeiras, em um muro amarelo, sem reboco, já mostra, à primeira vista, o que se encontra do lado de dentro da instituição. Localizado em Ananindeua, na Grande Belém, o colégio, onde estão matriculados 480 alunos, entre seis a 16 anos, retrata como é tratada a educação no Pará. De boas-vindas, não há nada. As grades da frente já dão sinal do tempo: enferrujadas e amassadas. A calçada, com água empoçada, está tomada de sacolas de lixo e mato. Sem piso, a área de circulação é ocupada por pedras e a rampa, totalmente desnivelada.


A situação vista do portão para dentro é bem pior. As árvores não estão podadas. Nos corredores, um empilhamento de cadeiras quebradas, enquanto nas salas quase não há onde sentar. No teto, as calhas das lâmpadas estão vazias e as únicas luminárias que funcionam são as antigas incandescentes.


(Foto: divulgação)


COBRA NA SALA


Na última segunda-feira, (2), os alunos do 4° ano foram surpreendidos com uma visita tanto incomum. Uma cobra estava no telhado da sala. “Tomamos um susto. Fiquei com medo, a jiboia era grande. Quase desmaio”, conta uma estudante de dez anos.


Quando chove, o problema se grava. As salas 801 e 802 ficam alagadas. As telhas do prédio permanecem quebradas, e, sem ter condições de ficar no local, as aulas são suspensas. “Temos de arredar as cadeiras e colocar até sobrinhas. Mas, quando a chuva está muito forte, a direção manda a gente voltar para casa”, lamenta o estudante do 9° ano, Victor Silva, 16.


(Foto: divulgação)


Quando o problema não é a água, o que atormenta os alunos da escola, principalmente no turno da tarde, é o calor. Segundo os pais e estudantes, os ventiladores estão quebrados. O autônomo Gilmar Lopes da Costa, 50, tem uma filha de 13 anos que estuda na instituição. Em casa, ele ouve diversas reclamações. “As crianças sofrem muito. Essa escola está abandonada. Não tem cadeira, bebedouro e nem ventiladores”.


Na manhã da última quinta-feira (5), quando a reportagem chegou ao local, as crianças estavam saindo antes das 11h. A antecipação do horário normal, que seria às 11h30, teve um motivo: a falta de merenda. “Hoje não tomei café e não lanchei. Não trago dinheiro. Estou com fome”, disse uma aluna de nove anos na porta da escola. “Ontem teve mingau, mas hoje não tem nada”, conta a menina.


Uma cobra invadiu a sala de aula e assustou os alunos. (Foto: divulgação)


Para os pais e responsáveis, resta apenas a preocupação. “É uma situação grave. Isso deveria ser uma escola, mas está acabada”, aponta, revoltada, Emília Pinheiro, 75, avó de uma estudante de nove anos. “Minha neta reclama do calor, da falta de lanche, das cadeiras quebradas e, agora, do susto com a cobra”, enumera a dona de casa.
O pedreiro Paulo Cesar, 59, aponta ainda que a precariedade começa na rua 21 de Abril, onde está situada a escola. “Aqui alaga tudo, estamos cercados pelo mato. As crianças sofrem”, critica.


O DIÁRIO procurou a direção da escola, mas apenas uma pessoa veio à porta informar que as denúncias de precariedade no local já foram repassadas à Secretaria Estadual de Educação (Seduc). A reportagem foi impedida de entrar no local.


(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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