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Pará já soma 11 policiais assassinados em apenas 2 meses

Sexta-Feira, 02/03/2018, 09:53:57 - Atualizado em 02/03/2018, 09:53:57 Ver comentário(s) A- A+

Pará já soma 11 policiais assassinados em apenas 2 meses (Foto: Divulgação)
Viatura da PM foi baleada durante troca de tiros na quarta-feira (28). Policiais estão cada vez mais vulneráveis ao bandidos. (Foto: Divulgação)

Em apenas dois meses, o Pará atingiu números preocupantes que demonstram a falta de segurança pública. Já foram 11 policiais militares assassinados, sendo o mais recente o sargento Reginaldo da Silva Souza, alvejado a tiros na noite de quarta-feira (28) enquanto estava trabalhando em Marituba. Com ele, foram três os agentes de segurança pública assassinados em apenas dois dias no Estado.

A matança nessa semana contra os agentes aconteceu integralmente na Região Metropolitana de Belém e começou na segunda-feira (26), quando o policial militar Jeferson Maciel dos Santos foi executado a tiros em um bar na PA-140, em Santa Izabel do Pará. Mais tarde no mesmo dia, o guarda municipal Rubens de Souza foi assassinado a tiros quando chegava em casa, em Marituba. 

Já o sargento Reginaldo estava em serviço, fardado, na praça da Matriz e só tinha saído do trailer da Polícia Militar para fazer um lanche, mas não deu tempo nem de chegar no quiosque de vendas quando foi atingido de surpresa. Os assassinos estavam em um carro do modelo Volkswagen Fox prata e, na fuga, acabaram passando por uma guarnição da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam). 

Houve troca de tiros entre os militares e os criminosos, mas, mesmo assim, eles conseguiram escapar. Um policial da Rotam foi baleado e encaminhado ao Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, mas ainda não se sabe seu estado de saúde.

Equipes da PM ainda seguem a busca. Pela madrugada, helicópteros e diversas viaturas estiveram rastreando a localização dos assassinos, inclusive em área de mata, mas até agora ainda não se conhece o paradeiro dos criminosos.

BAIXA PATENTE

Um fato intrigante a se observar é que todos os policiais militares assassinados neste ano são de baixa patente (cabos, soldados e sargentos). Na avaliação do diretor administrativo da Associação dos Cabos e Praças da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Pará (ACSPMBMPA), o cabo Lima, isso acontece porque, naturalmente, os praças (como são chamados os membros de baixa patente) já ficam mais vulneráveis. 

“É o praça que está no dia a dia no serviço, na rua, muito mais que o oficial. Assim, ele fica mais à vista, mais na mira”, explica o cabo Lima. De acordo com ele, além de serem mais conhecidos pelos criminosos, os praças têm de lidar com péssimas condições de trabalho, enfrentando problemas como a falta de viaturas e, em alguns casos, até mesmo falta de combustível para fazer ronda. 

“É uma situação que o Governo precisa tomar medida urgente. Antes, o criminoso tinha respeito e temia o policial, agora não mais. O militar precisa esconder a identidade o tempo todo quando está fora do serviço, não pode deixar transparecer que é policial”, observa o diretor da Associação. 

No caso do sargento Reginaldo, que foi assassinado na noite de quarta-feira, o cabo Lima ressalta que a motivação mais provável do crime foi simplesmente o fato de ele ser policial militar, já que nada foi levado nem estava em uma abordagem com troca de tiros - nem a arma dele foi roubada pelos criminosos, que só dispararam e fugiram.

(Alice Martins Morais/Diário do Pará)



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