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Caos com obras do BRT acaba com a paciência do cidadão

sexta-feira, 01/09/2017, 07:38 - Atualizado em 01/09/2017, 07:38 - Autor:


Caos com obras do BRT obriga o povo a madrugar nas paradas



FOTO: RICARDO AMANAJÁS

TRANSTORNOS

Roberta Paraense

O céu ainda está escuro quando o despertador de Leidiane Soares, 20, anuncia o início de mais um dia para ela. Às 4h45, a estudante de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia tem de levantar da cama para enfrentar uma rotina de estudos e obstáculos em seu caminho. Sua primeira maratona é a do percurso de sua casa, na Campina, no distrito de Icoaraci, na Grande Belém, até a Universidade Federal do Pará (UFPA), no bairro do Guamá. Para chegar às 8h ao seu destino, ela precisa estar na parada de ônibus, na avenida Augusto Montenegro, no mínimo duas horas e meia antes. “O trânsito está horrível. O engarrafamento fica pior a cada dia”, critica.

À medida que as obras do BRT avançam na Augusto Montenegro, o congestionamento na via se agrava. Com medo de assalto no caminho, a jovem vai acompanhada do pai até o ponto da Campina, às 5h30. “Já penso em mudar de casa. Só Deus sabe quando as obras vão acabar. Não aguento mais”, desabafa.

Com o bloqueio causado pelas obras do BRT no centro da via, do Estádio Mangueirão às proximidades do Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, a rotina dos moradores tem iniciado cada dia mais cedo. Maria Zuíla, 45, trabalha como tesoureira em uma empresa na avenida Senador Lemos, há nove anos. Para chegar lá antes das 8h, ela também tem de estar na parada às 5h30. “Antes das obras, em uma hora dava para chegar. Agora, mesmo saindo cedo, corro o risco de chegar tarde”, conta.

BAGUNÇA

Além do bloqueio de parte da avenida, a Augusto Montenegro está tomada por buracos, mato e lixo em quase toda a sua extensão. “Além do trânsito, tem muitos acidentes. E o ônibus fica horas parado”, denuncia a aposentada Olendina Rodrigues Silva, 64. Para ir ao médico, em São Brás, ela está às 6h na parada, ao lado de sua neta, que a ajuda no percurso. “O ônibus vai lotado e, quanto mais cedo sair, menor o risco de perder os compromissos”, diz.

Na parada da Campina, a primeira após a rua 8 de Maio, o movimento inicia antes do sol raiar. O vendedor José Ribamar, 61, acende as luzes de sua barraca de bombons e bebidas e liga o rádio com o volume nas alturas, às 5h. “Venho esse horário para fazer movimento. Assim, os ladrões ficam intimidados.”, diz o ambulante.



O sol ainda nem apareceu e os ônibus já estão lotados de passageiros, na Campina, em Icoaraci. (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)


EM ALGUNS TRECHOS DA VIA, SÓ UM CARRO PASSA POR VEZ

Quem mora na via também recorre à solidariedade para chegar a tempo aos seus compromissos. A universitária Amanda Addario, 28, dá carona a quatro pessoas em seu veículo. Às 6h20, ela passa nas paradas de ônibus para buscar suas amigas e levá-las até a faculdade, na Alcindo Cacela. “Vou cortando o caminho por dentro do Bengui, para chegar mais rápido, e evitar os buracos da Augusto”.

Quando o sol começa a aparecer, paralelamente, o movimento na avenida aumenta. Às 6h, as paradas de ônibus estão lotadas. O engarrafamento se forma em alguns pontos que só passam um veículo por vez, como no trecho em frente ao conjuntoEduardo Angelim.

Sem ordenamento, as obras avançam até Icoaraci, mesmo com os trechos anteriores não concluídos. Hoje, a maior parte da avenida está com o centro interditado por tapumes ou barras de proteção. Sem acostamento e com pouca fiscalização, os motociclistas invadem as calçadas e até mesmo as paradas. Ontem, a reportagem notou apenas um agente de trânsito da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob), perto da avenida Independência, e um agente de educação, na porta de uma fábrica de bebidas.

BORRACHEIRO CONSERTA  30 CARROS POR DIA

Para percorrer a Augusto Montenegro de Icoaraci ao Entroncamento, o motorista de van Rosivaldo da Silva, 36, diz que atualmente leva, em média, uma hora e meia, quando o normal seria 30 minutos. Há dias, que por conta de acidentes que ocorrem constantemente na pista, o trajeto chega a duas horas. “Aqui está uma buraqueira terrível. O motorista que não prestar atenção cai nos buracos, que surgem do nada”, reclama.



Antônio Leandro lucra, mas também reclama da situação. (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)


Nos últimos meses, ele já perdeu as contas de quantas vezes precisou mandar balancear o veículo, além de ver o sofrimento de quem pega o transporte público. “Tudo vai lotado, as pessoas passam um calor terrível paradas”, conta.

Apesar de lucrar por consertar uma significante quantidade de rodas e pneus, o borracheiro Antônio Leandro, 37, que trabalha próximo ao conjunto Tocantins, se revolta com o transtorno na via. “Em média, 30 veículos por dia vêm aqui. Os buracos estão acabando com os carros”, fala revoltado. Próximo à Unidade de Pronto Atendimento (UPA),é possível ver atéum cavalete sinalizando uma cratera.

NOTA DA PREFEITURA

A Prefeitura de Belém informa em uma obra desse porte é natural que ocorram transtornos.

Todavia, a prefeitura tenta, na medida do possível, minimizá-los, com ações de orientação sobre as alterações necessárias para o avanço do projeto.

Além disso, agentes de trânsito da Semob realizam rondas em horários diferenciados ao longo da avenida.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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