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Pacientes penam para marcar exame no Bettina

quarta-feira, 09/11/2016, 20:35 - Atualizado em 10/11/2016, 12:33 - Autor:


Parece que não são apenas os acadêmicos que ocupam a reitoria da Universidade Federal do Pará que andam insatisfeitos com o momento atual da instituição. Se de um lado da universidade os estudantes organizavam um plenário para decidirem os próximos passos da ocupação contra o Governo Federal, do outro, de pé, no Sol escaldante por horas, estavam pessoas de todo o estado do Pará à espera de atendimento no Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza.



Pacientes relataram ao DOL, na manhã desta quarta-feira (09), o estado de caos que a instituição federal enfrenta. Através de um vídeo, gravado por volta das 7h30, é possível ver uma fila que estende-se por mais de 500 metros a partir da porta do hospital. Eles aguardavam uma senha para marcar um exame para os próximos meses.


“Isso que estão fazendo com a gente é desumano, nem cachorro merece isso. Estamos de pé do lado de fora do hospital desde as 5h, aguentando esse sol de rachar. Não consigo entender porque eles deixam tudo para um dia, mandam quase mil pessoas marcarem exame em um só dia, isso é burrice, será que eles não conseguem prever o caos?”, questiona Milena Silva, que foi ao hospital para marcar exame para suas duas filhas.


Na gravação, é possível ver que a fila para pegar senha termina aproximadamente no final da rua que leva ao hospital. Para quem depende do Sistema Único de Saúde, não existe outro jeito senão se submeter à situação, uma vez que segundo os pacientes, não existe outra possibilidade de marcação para esse mês.


“Acho uma humilhação contra os pobres. O Governo quer limitar gastos na saúde como se estivesse tudo uma maravilha, imagina isso daqui a vinte anos”, afirma João Silva, que veio de Mocajuba para marcar um exame no ouvido.


“Estou aqui desde as 7h, peguei a senha 868 e ainda havia umas cem pessoas atrás de mim. Somente agora (por volta das 16h) que fui atendido e consegui marcar um exame do olhinho para minha filha”, relata ao DOL Antônio Conceição na saída do hospital.


Veja o vídeo enviado pelos pacientes da fila e da parte interna do hospital:



O O Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS) esclarece que todas as 800 pessoas que estavam na fila, do lado de fora, tiveram acesso à parte interna do hospital, de forma gradativa, até 10h do mesmo dia. A fila formou-se devido à demanda reprimida que existe no Sistema Único de Saúde (SUS) em busca dos exames de audiometria e bera, e consultas com otorrinolaringologista. Todas as pessoas foram atendidas e marcadas 400 audiometrias, 60 exames de bera e 500 consultas com otorrino.


O Bettina Ferro conta com calendário mensal de marcação dos procedimentos mais procurados, como os mencionados acima, além de exames de retina e glaucoma, e consulta com neurologista. Os menos procurados e que dispõem de vagas suficientes são agendados todos os dias, das 7h às 16h, como exames de videolaringoscopia, teste do olhinho e da orelhinha, consultas com fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais e outros.


Segundo a nota do Hospital enviada ao DOL, muitas das pessoas que estavam presentes na fila buscavam também informações sobre a Campanha Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, que acontece nesta quinta-feira, 10, das 8h às 17h, no Bettina. A ação realiza triagem e palestras voltadas para chamar pacientes novos, que ainda não passaram por avaliação otorrinolaringológica prévia, e apresentam alguma queixa auditiva, seja perda de audição ou zumbido. Neste dia não precisa de encaminhamento da Unidade Básica de Saúde, basta levar documentos de RG, CPF, comprovante de residência e cartão SUS, se tiver.


(Igor Reis/DOL)

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