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Só educação reduz violência, afirma Cleber Rabelo

domingo, 25/09/2016, 08:21 - Atualizado em 25/09/2016, 08:40 - Autor:


A defesa dos direitos dos trabalhadores é a principal bandeira do candidato Cleber Rabelo na disputa eleitoral para prefeito de Belém. Operário da construção civil, ele ergueu sua caminhada nos canteiros de obra espalhados pela cidade. Vereador de um único mandato, abriu mão de disputar a reeleição e diz que quer mostrar ao eleitorado que o seu partido, o PSTU, tem propostas concretas para administrar Belém. Entre elas, estão a de baratear as obras do BRT e priorizar os transportes fluvial e cicloviário, beneficiando principalmente os trabalhadores da Construção Civil, sua principal base de apoio, além de criar a Empresa Municipal de Transportes, instituindo o passe livre para estudantes e trabalhadores desempregados.


P - O PSTU tinha uma vaga inédita de vereador alcançada em 2012. O que levou o partido a abrir mão da sua reeleição e lhe lançar como candidato a prefeito?


R - Definimos lançar candidatura própria porque os únicos partidos que poderíamos fazer coligações era mo PSol e o PCB. Ocorre que o PSol decidiu coligar com o PDT, de Giovanni Queiroz, e com o PV, do filho do senador José Sarney. Avaliamos que esse é um caminho errado. O PT é prova que esse tipo de aliança não dá certo e o Psol segue pelo mesmo caminho. Os erros do passado deveriam servir para corrigir o futuro.


P - O que leva um operário da construção civil a querer ser prefeito?


R - Tenho a convicção de que é possível a transformação do município de Belém. Queremos apresentar, de fato, um projeto que atenda os interesses da classe trabalhadora. Nosso partido não aceita doação de empresas e por essa razão não tivemos coligações. Queremos construir junto com os trabalhadores um governo diferente, com a ajuda dos conselhos populares, associações, centros comunitários, pescadores e mototaxistas, discutindo 100% do orçamento e decidindo o que vai fazer em cada bairro de Belém.


P - E como alcançar esse objetivo, já que o PSTU partiu para a disputa com candidatura sem recursos e sem tempo de televisão?


R - A maior dificuldade na campanha não é a falta de recursos, mas sim as regras desiguais do jogo que, para nós, é um jogo de cartas marcadas. Todos os candidatos deveriam ter um tempo igual de propaganda, mas eu só tenho 6 segundos para mostrar as minhas propostas. E tem a regra de emissoras que me excluíram do debate. A RBA agiu corretamente, me dando o mesmo tempo no programa Barra Pesada que deu aos outros candidatos. Mas outra emissora deu 15 minutos para os outros mais bem posicionados na pesquisa e me deu apenas 1 minuto de reportagem num sábado. Essas desigualdades dificultam as nossas ações para disputar a preferência dos eleitores, a opinião pública.


P - A segurança pública se tornou o principal mote das eleições municipais na capital. De que forma o senhor pretende tratar dessa questão?


R - O que mais se faz é criar conselhos e secretarias. Temos que avaliar é se trazem os resultados esperados para os trabalhadores e para a população que mora nos bairros periféricos. Avalio que a Guarda Municipal não pode substituir a Polícia Militar. Acho que só poderemos combater a violência aproximando a Guarda Municipal da comunidade, transformando ela numa guarda comunitária, mantendo seu papel de proteção ao patrimônio público, integrando essa força à população. O que não podemos é aceitar a Guarda Municipal reprimindo a população.


P - Qual a sua proposta para combater a violência que impera hoje na capital?


R - Nossa principal proposta para combater a violência é a geração de emprego e renda com implementação de políticas públicas culturais nas escolas, como a dança, a música, o teatro e o esporte, aliando a tudo isso cursos técnicos profissionalizantes para que o jovem tenha uma perspectiva de trabalho. A criação de uma Secretaria de Segurança Pública municipal serviria apenas de mais um cabide de empregos.


P - Outra discussão forte na campanha é a mobilidade urbana, em torno do BRT, que não foi concluído pela atual gestão. Como o senhor vê essa questão?


R - O BRT é uma obra milionária que ainda sequer foi terminada por má gestão e má aplicação do dinheiro público. Quando o ex-prefeito Duciomar saiu, a obra estava praticamente pronta, inclusive com colocação das paradas. O Zenaldo arrancou todas, mudou e só as paradas da Almirante Barroso custaram quase R$ 20 milhões. Dá para se baratear a obra para avançar no seu término, mas ainda assim avalio que é uma obra insuficiente. 



P - O que fazer pela mobilidade urbana, então?


R - Nosso programa prevê a implementação do transporte fluvial, atendendo a cidade e a região das ilhas. Além disso, vamos ampliar a construção de ciclovias e ciclofaixas, já que os operários da construção civil, por exemplo, usam muito a bicicleta para chegar ao seu local de trabalho. Queremos também criar a Empresa Municipal de Transportes, que está prevista na Lei Orgânica Municipal e que nunca foi cumprida, que vai assumir o transporte urbano na cidade em substituição das empresas privadas, garantindo o passe livre para estudantes e desempregados.


P - Quais são seus projetos na área da saúde?


R - Vamos pegar os recursos e investir, de fato, na saúde. O que vemos hoje é um aumento nos gastos no setor por meio da terceirização dos serviços. Os exames de laboratório são feitos por laboratórios privados e clínicas particulares. Vamos reequipar as Unidades Básicas de Saúde, comprar equipamentos e colocar os profissionais para trabalhar. Sai muito mais barato do que pagar para laboratórios privados, além de aumentar a quantidade de exames feitos pela prefeitura. Outro problema é a atenção primária. As pessoas adoecem muito pela falta de investimentos em saneamento. Investindo na atenção primária, vamos economizar na medicina curativa, que é onde hoje se gasta mais. Para isso precisamos investir ainda mais no Programa Saúde da Família. Vamos construir também um hospital de retaguarda para desafogar o atendimento.


P - Como o senhor vai trabalhar na área de educação?


R - Para mim, só por meio da educação vamos reduzir a violência. Vamos avançar criando políticas públicas e investir na área cultural. As escolas ainda não estão preparadas para atuar em tempo integral e será necessário reformá-las para esse fim. E as que foram fechadas, reabri-las e readaptá-las. Outra saída é investir na educação profissionalizante para os jovens.


(Luiz Flávio)

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