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Abrigos de animais padecem sem apoio

quinta-feira, 30/06/2016, 11:41 - Atualizado em 30/06/2016, 12:21 - Autor:


"A inércia é premiada e a iniciativa é castigada". É assim que Daniel Costa Oliveira, um dos responsáveis pela Associação de Defesa e Proteção Animal (Asdepa) define com tristeza o possível fechamento do abrigo Au Family, no distrito de Outeiro, região metropolitana de Belém.


Na última terça-feira (28), os responsáveis compartilharam um relatório emitido pelo Departamento de Vigilância à Saúde (Devisa) do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Prefeitura de Belém e o Parecer Técnico Veterinário Nº 009/2016 da Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema) da Polícia Civil, que promoveu uma avaliação clínica do canil e gatil do abrigo para constatar se as condições do Parecer Técnico Veterinário Nº 125/2015 continuavam as mesmas.


Raquel Viana, proprietária do abrigo, também foi intimada para responder um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por maus tratos. Assim, o local deve ser fechado em breve. Veja a postagem:



Para Daniel, no entanto, outra solução poderia ser pensada para o caso, como a procura de um novo local para os animais, mas não o seu despejo nas ruas. Nisso o poder municipal poderia colaborar, o que dificilmente será feito. "O governo, seja e que esfera for, não intervém para ajudar, mas sim para punir", lamenta. Assim, as iniciativas terminam sendo dificultadas e muitas chegam ao seu fim.


Veja a galeria de imagens do local


Algo semelhante ocorre com outro abrigo, o Dona Joana, em Belém. Segundo uma das responsáveis pelo local, há o risco de uma verdadeira calamidade pública ocorrer caso os animais sejam despejados nas ruas.


Ainda de acordo com ela, há uma lei municipal (Lei nº 8498 de 04 de janeiro de 2006) que deixa clara a necessidade da prefeitura agir no controle da reprodução de cães e gatos. A Lei também destaca o importante papel de associações e Organizações Não Governamentais (ONGs), que terminam sendo as principais ao cuidarem dos animais:



Imagem: Reprodução


 


População também é culpada


Apesar da falta de ações e iniciativas públicas, boa parte dos problemas é causada pela própria população. "A atitude dos voluntários não é uma ação, mas sim uma reação. Se as pessoas não abandonassem e maltratassem os animais, mas sim esterilizassem e cuidassem deles, não chegaríamos a esse ponto", explica Daniel, citando que a Asdepa, em Benevides, atualmente possui cerca de 200 animais, mas sempre há mais pessoas querendo entregar animais no local.


Ainda de acordo com ele, "às vezes nem gostamos de divulgar muito porque as pessoas não ligam para ajudar, mas sim para deixar mais animais". Assim, as associações e abrigos locais terminam ficando cheios e sem as condições necessárias de atender satisfatoriamente os animais.


 


Parece um local abandonado, mas é o quintal em que vários cachorros ficavam em uma casa em Ananindeua, em abril. Com telhas de zinco e uma lona como parede, o calor deve ser maior ainda para os animais "estocados" no lugar. Imagem: Reprodução/Facebook


 


Como se nota, o ciclo é bem mais complexo e envolve não somente o poder público, mas também a necessidade de maior conscientização da população de um modo geral.


Iniciativas seguem à margem


Os problemas enfrentados pelos abrigos Au Family, Casa da Joana, Asdepa, entre tantos outros, não são os únicos. Ao todo, ONGs, Associações e abrigos se mantém através de ajuda pessoas interessadas e voluntários que destinam seu tempo e dinheiro para manter as ações.


Segundo Cleide Pereira, secretária da Associação de Assistência aos Animais, há em Belém e região metropolitana pouco mais de 30 instituições de apoio a gatos e cachorros. Ainda assim, a demanda termina sendo maior que a capacidade de atendimento.



É Cleide ainda que esclarece que as associações enfrentam dificuldades não somente financeiras e legais, como também "domésticas", já que pessoas que não é raro ouvir queixas e receber críticas e reclamações de pessoas que moram próximas aos locais e se incomodam com o barulho dos animais ou ainda o lixo produzido.


Para ela, no entanto, o número de pessoas que colaboram segue sendo maior, o que premite às iniciativas continuarem sendo realizadas, ainda que uma solução de fato esteja longe de ocorrer na capital paraense.


Como colaborar


Quem quiser e puder fazer doações de dinheiro ou mesmo ração, produtos de higiene e lipeza para o Abrigo Dona Joana, que atualmente possui mais de 100 cachorros e 30 gatos resgatados da rua, pode entrar em contato através do facebook do abrigo ou pelo celular 98393-9368.


Já o contato com a Asdepa pode ser feito também através do Facebook ou pelo email [email protected], enquanto na Associação de Assistência aos Animais o contato pode ser realizado pelo facebook.   


(Enderson Oliveira/DOL)

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