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São Domingos vive no descaso com obras paradas

terça-feira, 15/09/2015, 07:20 - Atualizado em 15/09/2015, 07:20 - Autor:


Professores da rede municipal protestando defronte ao vazio prédio da prefeitura; obras inacabadas em creches e posto de saúde, financiadas pelo Governo Federal; ausência constante de médicos, enfermeiras e medicamentos; servidores que não trabalham na área da Educação sendo pagos com dinheiro do Fundeb; escolas sem merenda e transporte escolar paralisado por falta de pagamento; sistema de abastecimento de água comprometido pelo sumiço dos recursos do PAC; e um prefeito ausente.


Este é a situação em que se encontra hoje o município de São Domingos do Capim, que desde 2013 tem como prefeito Alberto Yoiti Nakata (PSDB). Distante cerca de 140 quilômetros de Belém, a cidade era até 2012 governada pelo petista Cristiano Martins. Com a ajuda de parlamentares do seu partido, ele conseguiu vários recursos federais para obras sociais que ampliariam e dariam mais qualidade ao atendimento à população capinense, principalmente nas áreas da saúde e educação. Como não teve tempo para concluí-las no seu mandato, caberia a Nakata terminá-las, coisa que o atual prefeito não fez até agora.


No caso do sistema urbano de abastecimento de água, obra de R$ 2.573.555, o ex-prefeito chegou a construir a cisterna, o reservatório e implantou toda a rede de distribuição de água no centro da cidade e no bairro Ponto Certo, o que beneficiaria milhares de pessoas. Em julho de 2013, Nakata recebeu a última liberação de recursos da obra, no valor de R$ 751.137,45, mas obra segue inconclusa.


No fim de agosto passado, o tucano recebeu a última liberação, no valor de R$ 94.776, de um total de R$ 789.800, de convênio firmado por Cristiano com o Ministério das Cidades, para a pavimentação, calçamento, drenagem superficial e meio-fio de ruas do centro da cidade, mas quem mora em São Domingos sabe que a avenida e as ruas que seriam beneficiadas continuam esburacadas e cheias de mato.


A população também questiona o destino de R$ 3 milhões liberados pelo Ministério da Educação, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), para a construção de duas creches. As obras já tinham sido bem adiantadas pelo ex-prefeito, mas hoje encontram-se abandonadas. Uma terceira creche, no valor de R$ 800 mil, foi concluída na gestão de Cristiano Martins, mas Nakata não se habilitou aos recursos para equipá-la e o prédio também está abandonado, sujeito a 
depredações e furtos.

SÓ DESCASO


Quem precisa de atendimento médico é obrigado a ir para outras cidades, como Castanhal. Em São Domingos do Capim, o Posto de Saúde da Família funciona em uma casa antiga, alugada pela prefeitura, mas que está deteriorada. Lá, uma enfermeira é obrigada a fazer a triagem dos que procuram o posto numa mesma sala, cheia de infiltrações. “Não era para a gente estar aqui nessa situação”, lamenta a funcionária, que pediu para não ser identificada.


Na área da educação, a situação é mais delicada. Segundo dirigentes do Sintepp, além de o servidor contratado receber seus salários sempre atrasados, não recebe pagamento de deslocamento e hora-atividade, violando a isonomia salarial.


Segundo o sindicato, Nakata se nega a implantar o Conselho Municipal de Educação e evita se reunir com os professores para discutir, frente a frente, a atual situação de precariedade em que se encontra a educação. Mas o maior temor é que o prefeito não consiga pagar o 13º salário. Situação, por sinal, que vem se repetindo em todos os fins de ano.


O DIÁRIO tentou entrar em contato com a prefeitura por meio de telefone na manhã de ontem, mas não obteve sucesso.


(Diário do Pará)

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