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Pará é só o 21º do país em alunos matriculados

quinta-feira, 27/06/2013, 07:19 - Atualizado em 27/06/2013, 07:19 - Autor:


Segundo dados que constam no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2013, o Pará ocupa o 21º lugar no ranking de Estados com alunos matriculados no Ensino Médio de escolas em tempo integral. Os números disponibilizados pelo Ministério da Educação apontam que, em 2011, 1.901 paraenses se matricularam em escolas que disponibilizam Ensino Médio em turnos contínuos. Em Pernambuco, primeiro lugar no ranking, foram 70.085 alunos matriculados nessa modalidade de ensino em 2011. Na Região Norte, Amazonas (6º lugar), Rondônia (16º lugar) e Tocantins (17º lugar) estão à frente do Pará. 


O professor do Instituto de Educação (ICED) da UFPA, Orlando de Souza, desenvolve diversos projetos em escolas públicas e conhece as dificuldades e potenciais dos alunos e profissionais da rede de ensino estadual. Para ele, os números não causam espanto. “São dados que refletem a falta de compromisso histórico com a educação nesse Estado. A descontinuidade dos projetos decorrente das mudanças de gestão é terrível. Isso causa um desestímulo muito grande há uma rede que carece da valorização dos profissionais, com condições dignas de trabalho, remuneração adequada, formação inicial e continuada e um plano de carreira claro”, pontua.


De acordo com o professor, a educação em tempo integral, com um planejamento político-pedagógico adequado, reflete na melhora da formação global dos estudantes. “Há um conjunto de estudos relacionados a isso que efetivamente comprovam a melhoria nos processos de aprendizado no interior da escola. Hoje, o grande nó é tornar o espaço atrativo para os alunos. Isso implica necessariamente em uma melhora na infraestrutura. São poucas as escolas, hoje, que oferecem bibliotecas adequadas, laboratórios e espaços de lazer que possam ser aproveitados pelos estudantes”, explica.


Escolas devem ocupar os estudantes


Mateus Ferreira, coordenador geral do Sintepp (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Pará), afirma que as instituições públicas que oferecem hoje ensino em tempo integral carecem de planejamentos pedagógicos eficientes. “O Estado não promove um debate com os educadores para definir um planejamento e uma grade curricular que preveja complementações e uma formação continuada aos professores. Nós percebemos que é apenas uma estratégia que o Estado adotou para garantir recursos do governo federal sem oferecer para os alunos grandes diferenciais em relação às aulas regulares”, pontua.


Segundo Ferreira, a falta de atrativos e de condições para os estudantes assistirem aulas no contraturno, como disponibilização de refeitórios, está causando sobra de vagas em algumas escolas.


Para o estudante Eziel Duarte, 17 anos, integrante do Grêmio Estudantil da Escola Estadual Ulisses Guimarães, a oferta de vagas na educação em tempo integral poderia diminuir os índices de criminalidade envolvendo jovens. “Mais da metade da população de Belém vive na periferia. Quando o aluno sai da escola, ele fica ocioso e acaba voltando ao bairro dele, onde fica vulnerável a diversas situações, como a de ser aliciado por narcotraficantes. O que a gente vê é que o governo anuncia milhões para educação, mas não vê esse dinheiro sendo investido nas nossas escolas”, critica.


(Diário do Pará)

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