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SEM SAÍDA

Trabalhadores se viram como podem para garantir renda

Com as restrições do Governo Federal para pagar nova rodada do Auxílio Emergencial, quem recebeu em 2020 tem piora na situação financeira

quinta-feira, 29/04/2021, 07:25 - Atualizado em 29/04/2021, 07:24 - Autor: Denilson D'Almeida


Com novo auxílio negado, Regina tenta pagar as contas trabalhando como design de sobrancelhas
Com novo auxílio negado, Regina tenta pagar as contas trabalhando como design de sobrancelhas | Wagner Almeida

Desde que a pandemia começou, o vendedor ambulante José Claudio Lisboa, 46 anos, tem apostado em produtos relacionados à prevenção da covid-19 para conseguir sustentar a família. Atualmente, a banca dele tem apenas máscaras e por cada unidade que vende, ganha apenas 50 centavos. “Isso é se eu vender por unidade”, pontua. “Eu também faço promoção para quem compra no atacado e aí o meu lucro diminui”, explica o camelô sobre os rendimentos. “Tem dias que o faturamento não chega a R$ 20”, destaca.

José mora com a esposa e dois filhos e é o único apto a trabalhar, uma vez que a esposa precisa tomar conta das crianças, que estão sem aulas presenciais na escola onde estudam. “Está difícil, muito difícil. Mas deixar de trabalhar eu não posso. Hoje vendo máscaras porque é o que ainda tem saída (procura e vendas), não adianta investir em outras mercadorias, como roupas e brinquedos, se não conseguir vender nada”, desabafa.

No ano passado, ele chegou a receber o auxílio emergencial de R$ 600 e isso o ajudou a equilibrar as contas em casa e também comprar alimentos. No entanto, José não foi beneficiado com esta nova remessa do auxílio emergencial cujo valor é de R$ 250, em média. “E o pior é que o valor que está sendo pago é menor e isso não tem feito as pessoas virem ao comércio. Ano passado, o auxílio ajudou a movimentar e segurar as vendas por aqui, agora não dá não. O valor é baixo demais”, criticou o vendedor.

As incertezas do futuro também são motivos de preocupação para a autônoma Regina Celi, 58, designer de sobrancelhas com henna. Ela trabalha na Rua Santo Antônio, no centro comercial de Belém, recebeu o auxílio emergencial ano passado, mas ficou de fora dessa versão do auxílio. “Aquele primeiro me ajudou muito. Ajudou a todos nós que trabalhamos no Comércio. Nos dias de pagamento, aqui tinha movimento e a gente conseguia ganhar alguma coisa, quando terminou, em janeiro, o movimento por aqui só tem diminuído”, disse.

Regina já consultou o sistema da Caixa Econômica Federal e verificou que não será contemplada com esse novo auxílio que está sendo pago pelo governo federal. Ela não tem certeza sobre como ficará a situação dela daqui para frente, já que o sustento da casa está com ela. “O meu marido está desempregado, à procura de trabalho. Por enquanto, eu estou levando dinheiro para casa”, comentou.

“O pouco que tenho agradeço a Deus, porque já teve dias em que eu comprei osso para colocar no feijão e almoçar”, contou sobre as dificuldades que enfrenta. A mulher ressaltou ainda que pede a Deus que ela se mantenha com saúde para poder trabalhar, do contrário não terá como se alimentar e nem comprar medicações.

O músico Lucas Bragança, 62, está na expectativa para receber o auxílio emergencial no próximo dia 4. O valor que ele terá na conta é de R$ 150. “Isso não paga a nossa alimentação, mas preciso desse recurso”, frisou. “O último dinheiro que tinha guardado usei para comprar o gás de cozinha. Paguei 106 reais no botijão. As coisas, os alimentos nos supermercados, estão muito caros, mas vamos ver o que dá para fazer. Outro dia mesmo li uma reportagem que a cesta básica para uma família com 4 pessoas ultrapassava os R$ 500. O auxílio que vou receber não chega a metade disso”, prosseguiu. O valor da cesta básica do paraense, segundo o Dieese/PA, está em R$ 512,95.

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