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DIA MUNDIAL DA OBESIDADE

Programa estadual Obesidade Zero transforma e garante mais qualidade de vida à população

A data 4 de março é considerada o Dia Mundial da Obesidade, que funciona como um alerta à população para os riscos provocados pela doença

quinta-feira, 04/03/2021, 15:10 - Atualizado em 04/03/2021, 15:33 - Autor: Agência Pará


Dr. Carlos Armando e sua equipe.
Dr. Carlos Armando e sua equipe. | Marcelo Seabra/Ag.Para

“Com 15 anos tive a minha primeira gravidez e de lá para cá engordei cerca de 60 kg. Os meus filhos são a minha motivação para operar, porque eu tenho muito medo de não ver eles crescerem. Obesidade não é brincadeira, é uma doença séria. E o Programa Obesidade Zero, do governo do Estado, veio para salvar vidas e eu posso dizer que sou muito feliz por fazer parte dele. Os efeitos vão além do físico, são mentais”, conta Paula Karolina Campos, 27 anos, que já começou a preparação para a cirurgia bariátrica.

 

Paula Karolina Campos, 27 anos, já começou a preparação para a cirurgia bariátrica.
Paula Karolina Campos, 27 anos, já começou a preparação para a cirurgia bariátrica. Arquivo pessoal
 


Nesta quinta-feira (4), é celebrado o Dia Mundial da Obesidade, como forma de alerta à população para os riscos provocados pela doença. O Programa Obesidade Zero, desenvolvido pelo governo do Estado, oferece avaliação clínica, exames, consultas, cirurgias por meio de videolaparoscopia e acompanhamento no pré e pós-operatório de pessoas obesas no Hospital Estadual Jean Bitar. O programa faz parte do Projeto Fila Zero, que tem como objetivo acabar com as esperas por atendimento em saúde do Estado.

“Quando lançamos o ‘Obesidade Zero’, em setembro de 2020, sabíamos que essa era uma demanda da sociedade que precisava de atenção especial. O programa tem levado mais qualidade de vida aos pacientes e nós sabemos que isso, em longo prazo, também ajuda a desafogar outros serviços de saúde”, afirma o secretário de Saúde Pública (Sespa), Rômulo Rodovalho.

O médico cirurgião Carlos Armando Santos, coordenador do programa, explica que todo paciente é recebido por uma equipe multidisciplinar e cumpre os protocolos de atendimentos, passando por consultas com o cirurgião, endocrinologista, psicólogo, nutricionista, assistente social, cardiologista, anestesiologista e pneumologista (risco cirúrgico), além de realizar todos os exames preparatórios para a bariátrica.

“A obesidade é um problema de saúde pública mundial e traz consigo inúmeras comorbidades. Se eu pudesse dar um conselho para alguém, eu diria: não engorde, porque eu sei como a obesidade dificulta que a gente ofereça um tratamento adequado e todos os riscos da doença. Sabemos ainda que o combate à obesidade também melhora a resposta inflamatória do paciente contra o Covid-19”, explica o médico.

A resistência insulínica é uma das principais complicações geradas pela doença e, com isso, o paciente apresenta maior chance de desenvolver a hipertensão e, especialmente, a diabetes. De acordo com relatório público do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, referente a 2020, no Pará, a obesidade afeta 6,37% das crianças de zero a 5 anos; 5,82% das crianças de 5 a 7 anos; 7,2% das crianças de 7 a 10 anos; 8,5% dos adolescentes; 25,01% dos adultos e 47,41% dos idosos. O programa já realizou 67 cirurgias. Por conta da pandemia, as cirurgias, que também eram realizadas no Hospital Público Galileu, estão concentradas no Hospital Jean Bitar.

NOVA VIDA

A cabelereira Roberta Garcia, 33 anos, fez em dezembro de 2020 a cirurgia bariátrica pelo ‘Obesidade Zero’. A paciente, com 1,54 m, pesava 112 kg, com um Índice de Massa Corpórea (IMC) de 43, e já perdeu 26 kg em três meses. “Eu sentia muitas dores no meu corpo, principalmente no meu pé, tive problemas na vesícula por conta da obesidade, e agora posso dizer que eu estou super bem, minha recuperação foi maravilhosa, muito por conta do acompanhamento excelente antes e depois da cirurgia dos profissionais do Jean Bitar. Fazer a cirurgia foi a melhor decisão que eu tomei, está mudando a minha vida”, ressalta.

 

"Fazer a cirurgia foi a melhor decisão que eu tomei, está mudando a minha vida”, diz Roberta.
"Fazer a cirurgia foi a melhor decisão que eu tomei, está mudando a minha vida”, diz Roberta. Arquivo pessoal
 


 A doméstica Alcione Bastos, 42 anos, já está na fase preparatória para a cirurgia e relata as dificuldades que enfrenta por ser obesa. “Nós sofremos chacota e preconceitos, o que mexe muito com o nosso psicológico. Eu não gosto de sair porque eu tenho vergonha, nenhuma roupa fica boa, andar no ônibus é difícil. Esse programa nos dá a oportunidade de mudar de vida e ainda é gratuito, o que faz com que muitas pessoas que não têm condições de pagar particular tenham acesso”, explica.

Indicação

São candidatas à cirurgia bariátrica pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m2, e aqueles com IMC entre 35 e 40 kg/m2, que tenham pelo menos uma doença associada à obesidade.

Para tirar dúvidas e ter acesso ao cadastro, acesse Obesidade Zero. O interessado faz uma autoavaliação, por meio do cálculo do IMC e preenche informações solicitadas pelo hotsite. Caso haja indicação para cirurgia, o paciente marcará seu atendimento pelo próprio site e receberá a confirmação do hospital, informando dia e horário que deverá comparecer à consulta.

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