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VACINAÇÃO

Vacina trás esperança para idosos: “Parece uma chuva de graças"

Idosos com mais de 85 anos começaram a vacinação contra a Covid-19 em Belém. Com as esperanças renovadas, eles falam sobre como tem sido a rotina, o que sentiram ao serem vacinados e o que esperam vacinação

domingo, 07/02/2021, 08:29 - Atualizado em 07/02/2021, 08:28 - Autor: Cintia Magno


Daniel Moreira
Daniel Moreira | Wagner Almeida

Quando os primeiros casos de Covid-19 começaram a ser detectados, ainda na província chinesa de Wuhan, um alerta foi disparado. A circulação do novo coronavírus poderia ser especialmente grave para as pessoas idosas, sobretudo as com idade acima de 70 anos. De uma hora para outra, a rotina teve que ser confinada em casa, as visitas dos netos e filhos foram suspensas e o que ficou foi a incerteza de quando poderiam retomar a liberdade novamente. Alvo de maior preocupação em meio à pandemia, os idosos acima de 85 anos começaram a ser vacinados nesta última semana em Belém e o que fica junto com cada dose aplicada é a esperança de recuperar os prazeres mais simples da vida.

Quando o número de casos da doença crescia aceleradamente no Brasil, em março de 2020, o aposentado Daniel Moreira Brandão completou 90 anos de idade. Nos planos da família, a nova idade seria comemorada com todo o aparato que o capitão da reserva merece. Infelizmente, a chegada da pandemia ao país adiou os planos de Daniel e dos filhos. Os dias que seguiram foram restritos ao ambiente interno de casa, as viagens tão apreciadas pelo aposentado tiveram que ser suspensas e até mesmo as reuniões em família não puderam mais acontecer. “Ele estava no Rio de Janeiro na casa de um dos filhos e, como lá é apartamento, quando ele se viu dentro de casa o tempo todo, ficou muito mal. Decidimos que ele viria para cá (para Belém) porque aqui eu moro em casa, então é um pouco maior para ele”, conta a pedagoga e filha de Daniel, Luzinete Brandão, 57 anos.

 

Daniel Moreira
Daniel Moreira Wagner Almeida
 

As viagens que tanto fazem falta para o aposentado eram frequentes na rotina de Daniel antes da pandemia. Com os filhos morando em diferentes Estados brasileiros, o deslocamento para visitá-los era regular. Não é à toa que as viagens são apontadas por ele como a maior saudade neste período de pandemia. “O que eu sinto muita falta é da liberdade. Eu sinto falta de viajar, eu conheço o Pará todinho”, relata Daniel.

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Mantendo os cuidados dentro de casa desde o início do ano passado, Daniel saiu às ruas na manhã da última quarta-feira (03) para um compromisso que ele acreditava estar ainda muito distante de acontecer, o recebimento da primeira dose da vacina contra o novo coronavírus. “Eu vi chegar a vacina da tuberculose, da coqueluche e lembro que todas demoraram para ficar prontas. Eu achava que não ia chegar tão rápido essa nova vacina, achava que eu não ia ver essa”, comentou, sem esconder a animação por poder receber a primeira dose do imunizante. Sem descuidar do uso da máscara, a alegria pelo momento de esperança proporcionado pela chegada da vacina evidenciava-se através do olhar.

Não apenas Daniel era só alegria diante do cartão de vacinação com a data de retorno para a segunda dose já marcada, mas também a filha Luzinete Brandão. “Nós perdemos muitos amigos para a Covid e isso me dava muito medo. Todo esse tempo eu tenho ficado confinada em casa também porque eu lembro dele e do meu marido que também é do grupo de risco. Ano passado ele completou 90 anos e íamos fazer uma festa belíssima. Agora ele completa 91 anos no dia 20 de março desse ano, já vacinado, e a esperança é que ele possa pelo menos reunir os filhos”, conta a pedagoga. “Estou caminhando para os 100 anos!”, comemorava Daniel.

A expectativa de poder reunir a família e comemorar mais um ano de vida também estava nos pensamentos da aposentada Maria Alice Rodrigues, 89 anos, no momento em que recebeu a primeira dose da vacina. Ela conta que completará 90 anos de idade em novembro desse ano e o melhor presente seria poder receber, novamente, os abraços dos netos e bisnetos. “Eu espero que a vacina faça o efeito que todos estamos esperando. Que tudo possa melhorar e a nossa vida volte ao normal”, anseia. “O que eu mais sinto falta é do abraço dos meus netos e bisnetos. Eu tenho bisneto de 18 anos já”.

 

Maria Alice Rodrigues
Maria Alice Rodrigues Wagner Almeida
 

Desde o início da pandemia, Maria Alice conta que a rotina mudou completamente. As saídas de casa ocorrem somente para a ida ao médico, as reuniões de família também não foram mais possíveis. Agora, com a primeira dose da vacina e o agendamento do retorno para a segunda, ela planeja o que poderá fazer assim que grande parte da população esteja imunizada. “Eu gostaria que a gente se reunisse em Mosqueiro, todo mundo junto, como a gente costumava fazer”, planeja. “Mas vamos ver como vão ficar as coisas”.

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Com a rotina também bastante alterada, o aposentado Alírio Serruya, 87 anos, conta que esperou com grande expectativa pelo momento em que ele poderia receber a primeira dose da vacina, o que ocorreu na última semana. Ainda que os cuidados com o uso da máscara e do álcool em gel ainda precisem ser mantidos por um bom período, o que ele espera é que, com o início do efeito da vacinação em parte da população, a economia do país melhore. “Eu espero que a vacina ajude as coisas a fluir melhor e que a gente possa sair da situação que está, que possa destravar a economia”, aponta. “Eu me senti muito bem tomando a vacina”.

 

Alírio Serruya
Alírio Serruya Wagner Almeida
 

O sentimento de alegria pela possibilidade de iniciar o processo de imunização contra a Covid-19 também ficou evidente na reação da aposentada Ivone Araújo Santos, 86 anos. Na saída do posto de vacinação, ela levantava a carteirinha para o alto como forma de agradecimento pela conquista. Acompanhada pelo filho e pela sogra dele, a aposentada Benedita Oliveira, 85 anos, que também foi vacinada, Ivone resumiu em poucas palavras o que significou aquele momento para ela. “Me senti maravilhosa! Parece que uma chuva de graças caiu sobre nossas cabeças”.

 

Ivone Araújo
Ivone Araújo Wagner Almeida
 

Serviço

De acordo com o plano da Prefeitura de Belém, a vacinação de pessoas acima de 85 anos segue até este domingo (07), no horário de 9h às 18h, em 13 postos de vacinação:

1) Universidade Federal do Pará (UFPA - Campus Guamá) - Rua Augusto Corrêa, 01. Guamá

2) Universidade do Estado do Pará (UEPA - Escola de Enfermagem Magalhães Barata) - Av. José Bonifácio, 1289. Guamá

3) UNIFAMAZ - Av. Visc. de Souza Franco, 72. Reduto; (Drive Thru)

4) FIBRA - Av. Gentil Bitencourt, 1144. Nazaré; (Drive Thru)

5) Aldeia Amazônica - Av. Pedro Miranda, S/N. Pedreira; (Drive Thru)

6) Mangueirinho - Av. Augusto Montenegro, 524. Castanheira; (Drive Thru)

7) Outeiro: FUNBOSQUE - Av. Nossa Sra. da Conceição. Outeiro

8) Mosqueiro: Maracajá - Tv. Siqueira Mendes, 1132

9) Mosqueiro: Carananduba - Praça Carananduba, S/N

10) Colégio do Carmo - Tv. Dom Bôsco, 72. Cidade Velha

11) Escola Rotary - Rua Lauro Malcher, 279. Condor

12) Cassazum - Av. Duque de Caxias, 1375. Marco

13) Icoaraci: Paróquia de São João e Nossa Senhora das Graças - Praça Pio XII, 148. Icoaraci.

Documentos necessários

Para receber a dose da vacina os idosos devem apresentar: RG, CPF e comprovante de residência.

Fonte: Prefeitura Municipal de Belém.

Esperança

O abraço dos familiares, as comemorações em família, o retorno da liberdade, a melhoria da economia do país são apenas algumas das esperanças proporcionadas pelo início da vacinação dos idosos acima de 85 anos.

Benedita Oliveira
Daniel Moreira | Wagner Almeida
Daniel Moreira
Daniel Moreira | Wagner Almeida
Ivone Araújo
Daniel Moreira | Wagner Almeida
Maria Alice Rodrigues
Daniel Moreira | Wagner Almeida
Alírio Serruya
Daniel Moreira | Wagner Almeida

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