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SAÚDE

Cresce o consumo de frutas e frituras durante a pandemia

Estudo feito com pessoas com idades entre 10 e 19 anos aponta que houve um aumento no consumo de frutas e hortaliças, mas também maior ingestão de doces e frituras durante a pandemia do novo coronavírus

domingo, 22/11/2020, 09:14 - Atualizado em 22/11/2020, 10:32 - Autor: Suênia Cardoso


Pesquisa diz que 33,2% dos entrevistados consumiram pelo menos uma fruta por dia na pandemia
Pesquisa diz que 33,2% dos entrevistados consumiram pelo menos uma fruta por dia na pandemia | Fernando Araújo

A necessidade de distanciamento social durante a pandemia de Covid-19 afetou a alimentação, sobretudo, de adolescentes. Estudo publicado no periódico científico Nutrients mostrou que jovens de 10 a 19 anos, de cinco países, incluindo o Brasil, tiveram aumento no consumo de frutas e hortaliças, mas também, maior ingestão de doces e frituras. Os demais países nos quais a mudança de hábitos alimentares foi alterada são Espanha, Itália, Colômbia e Chile.

Em relação ao padrão de consumo de hortaliças e frutas, a pesquisa mostrou que 43% dos jovens consumiram vegetais todos os dias durante o confinamento, contra 35,2% que consumiam antes. Apenas 25,5% dos adolescentes pesquisados consumiram pelo menos uma peça de fruta por dia antes da Covid-19, contra 33,2% durante o confinamento.

Já a ingestão dos alimentos fast food teve uma redução drástica entre os adolescentes. Se antes da quarentena apenas 44,6% consumiam esse tipo de alimento menos de uma vez por semana, a porcentagem aumentou para 64% durante o isolamento. Por outro lado, o consumo médio de doces e frituras aumentou significativamente, pois, enquanto 14% dos adolescentes consumiam doces todos os dias antes da pandemia, durante o confinamento esse percentual aumentou para 20,7%.

MUDANÇA

Quem vivenciou essa mudança alimentar durante a quarentena foi a repositora Brenda Leite, 21 anos. Os alimentos enlatados foram os mais consumidos pela jovem. “Já comia, mas não com tanta frequência. Mas a facilidade e o baixo preço foram os principais motivos que me levaram a consumir muito mais no período do confinamento”. Por conta desse hábito, Brenda ganhou peso.

Brenda Leite
Brenda Leite Ricardo Amanajás
 

Atualmente, diz que está reduzindo a quantidade dos enlatados e comendo mais frutas e legumes. “Tento manter o equilíbrio. Não descarto os alimentos saudáveis da alimentação porque mesmo sendo jovem devemos nos preocupar com a obesidade e com outras doenças que surgem devido à má alimentação”.

Segundo a nutricionista Vanessa Lourenço, é fundamental pensar no equilíbrio dos nutrientes em uma alimentação. Isso porque, para uma dieta é necessário que se tenham os macronutrientes, que são compostos por carboidratos, proteínas e gorduras, e os micronutrientes, que são as vitaminas e os minerais.

“Na hora de equilibrar os macro e os micronutrientes a pessoa tem uma probabilidade maior de obter uma boa saúde. Para isso, é importante uma alimentação mais natural possível com produtos in natura em detrimentos dos ultraprocessados como os enlatados, batatas chips, biscoitos recheados, etc. Embora sejam mais práticos, não são saudáveis devido ao processo industrial e os conservantes”.

Para ter uma alimentação saudável

Felipe Silva, 20, que trabalha como repositor de frios de um supermercado atacadista, diz que não é muito adepto de doces, mas não resiste a um salgado frito na hora. A alimentação só ficou um pouco mais saudável depois de ter ido morar com a mãe, há quatro anos. “Depois que fui morar com ela passei a me alimentar melhor. Por outro lado, como não tenho tendência para engordar, acabo não me preocupando muito com alguns alimentos ou com sobrepeso”, contou. Para Vanessa, essa deve ser uma preocupação, por conta dos danos à saúde a longo prazo como o aumento do risco de doenças como diabetes, hipertensão arterial, câncer, dentre outras.

Felipe Silva
Felipe Silva Ricardo Amanajás
 

Por causa do confinamento, muitas pessoas buscaram aliviar suas preocupações através da comida. A operadora de caixa de uma rede de supermercados, Aline Cristina Câncio, 25, contou que a preocupação e a ansiedade fizeram com que ela passasse a ingerir mais alimentos ultraprocessados. “Antes da pandemia eu seguia uma dieta mais saudável, mas nos últimos tempos passei a comer muita pipoca, skilhos e tomar refrigerante. Ganhei seis quilos em apenas dois meses”.

Aline Cristina
Aline Cristina Ricardo Amanajás
 

Vanessa ressalta que em casos onde há ansiedade e/ou ociosidade a pessoa pode confundir o que é fome, que é preciso saber a diferença da “fome emocional” da física, e assim, tentar desviar um pouco a atenção da comida. “Ter consciência do que é ansiedade e não fome. Se for fome busque alimentos que dão saciedade. Pode ingerir frutas com fibras como, aveia ou chia, pois elas dão uma saciedade maior. Pode-se também associar a fruta com oleaginosas como as castanhas ou com granola. Ou então, frutas e alimentos ricos em proteínas como o iogurte ou uma omelete com legumes”.

ORIENTAÇÃO

Adotar um planejamento é fundamental para manter a boa alimentação, de acordo com Vanessa. “As pessoas organizam a vida no trabalho, nas aulas, e é importante que planejem também a alimentação. Ir ao supermercado e comprar mais vegetais e frutas para fazer sucos, vitaminas ou smoothie, ou fazer o processo de branqueamento com os legumes”.

O branqueamento consiste em cortar o alimento, cozinhar um pouco, escorrer, colocar em uma água com gelo e depois congelar. “No meio da semana coloca de volta o alimento congelado na água quente. Ele cozinhará totalmente e depois você guarda em sacos já prontos. Pode usar batata-doce, cenoura e brócolis. Em outro saco, beterraba, batata e cenoura, por exemplo”.

Além disso, para a uma rotina alimentar mais saudável, Vanessa diz que “em um café da manhã, pode-se investir em leites, iogurte, ovos e queijos, que são fontes de proteína; vitaminas e minerais, como as frutas; e carboidratos, que podem ser pão integral ou tapioca. Para o almoço, é importante fazer um prato bem equilibrado, com os macro e micronutrientes. E para o jantar, uma sopa de legumes, por exemplo”.

Segundo ela, a preocupação com a saúde já é uma realidade e uma alimentação adequada ajuda no reforço do sistema imunológico. “Se você come bem, diminui a probabilidade de doenças e fortalece o sistema imunológico. Infelizmente, pela praticidade, algumas pessoas ainda buscam alimentos ultraprocessados, mas já existe uma corrente que vem mudando isso, até mesmo em aplicativos de comida, que passaram a oferecer opções saudáveis como sopas, sanduiche naturais, etc. Ou seja, o mundo está começando a se adaptar e a entender a importância dos alimentos saudáveis”, acredita Vanessa.


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