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TERAPIA

Projeto “Livro do Bebê” leva suporte emocional e acolhimento para mães de prematuros

Mães de bebês com menos de 1kg, internados na unidade, participam da técnica de terapia humanizada para lidar com as questões ligadas à prematuridade

sexta-feira, 20/11/2020, 15:12 - Atualizado em 20/11/2020, 15:12 - Autor: Com informações da assessoria


| Divulgação

Para oferecer suporte emocional e acolhimento humanizado para as mães de bebês prematuros das unidades de internação, o Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan (HMIB) lança o projeto Livro do Bebê.

Nas páginas, as acompanhantes relatam, por meio da escrita, suas experiências e vivências do dia a dia no tratamento dos seus filhos. Segundo a psicóloga e coordenadora do projeto, Daniella Dias, a confecção do material é um processo terapêutico.  

“Assim elas podem se expor emocionalmente e escrever suas rotinas, os desafios, os sentimentos, cada vitória e a evolução dos filhos. Depois podem compartilhar, por meio da leitura, essas etapas com outras mães”, explica Daniella.

A técnica é um suporte no processo de hospitalização, minimizando os impactos na saúde mental da mãe, uma vez poucas pensam na possibilidade de seus bebês nascerem prematuramente.

“Muitas histórias de nascimentos com bebês tão pequenos quanto a palma de uma mão, têm no centro mães que passam por situações físicas e mentais extremamente desgastantes. Essa técnica é uma forma de expressão dos sentimentos, para que elas se sintam ouvidas”, complementa a psicóloga.

O nascimento prematuro, com até 1,5kg e/ou com menos de 37 semanas, é a principal causa de mortalidade infantil até os cinco anos de idade em todo o mundo. No Brasil, mais de 30 partos de prematuros são realizados por hora, totalizando cerca de 300 mil por ano, segundo o Ministério da Saúde.

Maria Clara, filha da Maria Carmelita, nasceu com 26 semanas de gestação e apenas 865g, no Materno-Infantil de Barcarena, e faz parte dessa estatística. Por se tratar de um prematuro extremo, com dificuldades de respirar e baixo peso, precisou de intubação ainda nos primeiros minutos de vida.  

“Não há preparo para ver todo dia seu bebê em uma incubadora, lutando pela vida durante dias, semanas. Não poder tocar, sentir no colo, levar para casa, é um sentimento muito doloroso. Nesse momento, falar sobre isso e conversar com outras pessoas que também estão passando pela mesma dificuldade, muda tudo!”, conta Carmelita, que acompanha a filha há quase dois meses no HMIB.

Rede de Apoio

De acordo com a pediatra Suellen Fernandes, é por meio da rede de apoio humanizada que essas mães são acolhidas. No HMIB, a assistência é prestada por meio de uma equipe multiprofissional, que conta, além de obstetras e ginecologistas, com enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais.

“Toda mãe espera, após o parto, sair com o filho no colo. Uma criança saudável, corada e bem formada, mas a prematuridade muda tudo isso. A rede de apoio humanizada é essencial, pois ela é multidisciplinar. Os cuidados acontecem não apenas durante a fase crítica do bebê, mas durante todo o tratamento, e a família vivencia isso”, destaca a pediatra.

Livro do Bebê

Segundo a diretora técnica do Hospital Materno-Infantil de Barcarena, Mary Mello, por meio das histórias das experiências de vida descritas pelas mães, a ideia é fazer um lançamento do Livro do Bebê, para fortalecer a rede de apoio às mães e promover campanhas de prevenção da prematuridade.

“A psicóloga da unidade vai monitorar nos próximos meses todas as histórias de mães que vivenciaram a prematuridade no nosso hospital, para unir e compartilhar esses relatos em um livro, com lançamento previsto para o próximo ano. Além de inspirar outras mães, elas podem ser exemplos de superação e força para muitas famílias”, ressalta.

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