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DATA FESTIVA

Fé e caridade: Cosme e Damião são homenageados neste domingo

As datas são marcadas pelas distribuições de doces para as crianças

domingo, 27/09/2020, 10:15 - Atualizado em 27/09/2020, 10:13 - Autor: Suênia Cardoso


| Irene Almeida/Diário do Pará

O Dia de São Cosme e São Damião, comemorado no sábado (26) no catolicismo e, no domingo (27), em religiões afro-brasileiras (umbanda e candomblé), retrata a fé, o amor, a caridade ao próximo, além de ser conhecido pela distribuição de doces às crianças. Os irmãos gêmeos são considerados padroeiros dos médicos e farmacêuticos e protetores das crianças, por isso a prática da entrega de bombons como forma de homenageá-los ou para cumprir alguma promessa.

Embora a tradição dos doces não esteja ligada ao culto prestado pela igreja católica, de acordo com o cônego Ronaldo Menezes, a igreja nunca se posicionou de forma contrária. “O culto aos dois santos é importante para realçar a caridade e a firmeza na fé cristã. São padroeiros de várias confrarias médicas na Europa e, no Brasil, estão associados à proteção dos médicos”, explica.

Já o umbandista Pai Fabiano, de um terreiro no bairro da Sacramenta, em Belém, diz que os santos, denominados Erê e Ibejada (na umbanda), foram importantes também para a cura e o tratamento de saúde em crianças. “Foram médicos que trabalhavam por caridade, sem cobrar nada, e ficaram muito conhecidos por cuidarem da saúde dos pequenos. Por isso essa relação tão forte e tradicional existente”.

A quiropraxista e umbandista Wandete Carvalho manterá o costume de distribuir os doces às crianças, mas com algumas mudanças durante a entrega. “Na casa que eu frequento sempre distribuímos doces para as crianças. Com esta pandemia, tudo será limitado, não teremos também a entrega de brinquedos e será algo mais simples”.

Outra mudança será a data de entrega dos doces. “Não faremos no domingo para não aglomerar. Colocamos os doces em uma mesa e as crianças virão para buscar. Embora estejamos tristes com tudo isso que esteja acontecendo no mundo, a criança é um ser tão alegre, não podemos deixar passar em branco”.

Irene Almeida/Diário do Pará
 

No terreiro do Pai Fabiano, a tradição será mantida, reunindo amigos e as crianças da comunidade que receberão doces, lanches e participarão de brincadeiras. “Teremos uma programação normal, mas com muita cautela e prevenção, cumprindo todas as medidas de higiene por causa da pandemia”.

A cuidadora de idosos e de crianças Margareth Cardoso diz que há anos cumpre a tradição pelo simples fato de ver as crianças felizes e, este ano, não será diferente. “Eu faço questão de entregar os doces. Agora, com a pandemia, temos que ter cuidado para não ter aglomeração, portanto, teremos as crianças certas que irão receber, nas suas casas”. Ela tem fé que, no ano que vem, seja tudo diferente. “Vamos pedir para São Cosme e Damião que esse vírus não volte e que eles protejam as crianças de tanta violência e possam livrá-las de todo mal”.

Vendas

Nas lojas de doces e caramelos era comum ver consumidores em busca de produtos para a data, no entanto, segundo a gerente de uma das lojas no centro comercial de Belém, Ziulene Angelin, as vendas reduziram. “Em relação ao ano passado tivemos uma queda de, em média, 50% nas vendas. As pessoas ainda ficam receosas de sair, principalmente porque esta é uma data que atrai mais idosos, que são do grupo de risco quando se trata de pandemia”. A baixa procura já era esperada, sobretudo, pelo reajuste nos preços. “Tentamos manter os preços sem muito acréscimo para o consumidor, mas, ainda assim, foi sentido no bolso”.

História

A história dos santos inicia por volta de 260 d.C. Tinham mais três irmãos, filhos de Teodata, que também foi canonizada como santa. Toda a família foi perseguida e morta pelo imperador Diocleciano. Embora se acredite que eram crianças, morreram já adultos, exercendo a medicina. “Conforme sabemos, praticavam a medicina de modo caritativo, não cobravam atendimentos médicos e, por isso, a igreja católica prefere lembrá-los como mártires da fé”, ressalta o cônego Menezes.

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