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Mercado de beleza é um dos destaques entre novos empreendedores

O setor tem contribuído para a geração de renda em muitas famílias no Pará

domingo, 27/09/2020, 10:36 - Atualizado em 27/09/2020, 10:35 - Autor: Cintia Magno


| Wagner Santana

A busca pelo empreendedorismo tem sido a saída encontrada por um número expressivo de paraenses em meio ao cenário de instabilidade provocado pela pandemia do novo coronavírus. De acordo com as estatísticas oficiais divulgadas pelo Portal do Empreendedor, mantido pelo Governo Federal, desde o início da pandemia, em março deste ano, o Pará já registrou mais de 26 mil novos Microempreendedores Individuais (MEI) até o último dia 19. Dentro desse universo, o mercado de beleza é um dos que se destacam.

A grande movimentação em lojas de produtos cosméticos e de estética no Centro Comercial de Belém semanas após o período mais crítico da pandemia é encarado com surpresa até mesmo por quem trabalha no setor. Gerente de uma loja de uma rede de cosméticos com atuação recente em Belém, Gisele Lobo conta que a procura pelos produtos tem sido mais intensa hoje do que antes do período de três meses em que o comércio precisou ficar fechado. “Parece que voltou com mais força. A procura foi tão grande, logo no início, que parecia que não ia mais ter produto para vender, que iria acabar e as pessoas queriam garantir o seu. Logo no retorno tinham filas grandes na frente da loja”, relata. “Somente nesse período pós-lockdown já deu para recuperar todo o prejuízo do período que ficamos fechados. Nós imaginamos que essa volta seria mais difícil, mas foi surpreendente mesmo”.

Dentre a variedade de produtos vendidos na franquia, Gisele aponta que os produtos para o cabelo são os mais procurados, tanto os destinados para o público feminino, quanto masculino. “Em um mês, nós conseguimos vender R$200 mil apenas em produtos para cabelo”, estima Gisele. “Para nós o mercado da beleza voltou com força”.

Mantendo-se em isolamento desde o início da pandemia, um dos primeiros comércios visitados pela babá Marília Carvalho, 32 anos, após o período mais crítico da pandemia foi justamente a loja de cosméticos. Passando por um período de transição capilar, ela buscava os produtos que seriam usados no tratamento dos fios. “Nesse momento tão difícil é importante manter um cuidado consigo mesmo”, considera. “O bom é que eu consigo cuidar em casa porque tenho uma amiga que trabalha com isso e vai em casa atender”.

Assim como no caso da amiga que atende Marília, não são poucas as pessoas que veem no setor de beleza a alternativa para a busca por uma fonte de renda. Segundo as estatísticas do Portal do Empreendedor, do total de empresas optantes pelo Simples Nacional no Pará, mais de 11 mil atuam em atividades de cabeleireiro, manicure e pedicure, e mais de 3 mil atendem a atividades de estética e outros serviços de cuidados com a beleza.

Apresentando talento desde muito cedo para a prática da maquiagem, a maquiadora profissional Izabella Martins, 21 anos, viu na habilidade a oportunidade de uma profissão. “Eu comecei a maquiar a minha irmã, minha mãe, primas e as pessoas de fora da família foram vendo e dando apoio, falando que eu deveria levar isso para o lado profissional”, lembra, ao contar que já atua profissionalmente na área há três anos. “Foi quando eu busquei um curso de maquiadora profissional e, não satisfeita, também fiz o curso de alongamento de cílios fio a fio”.

Izabella aponta que, neste momento de pandemia, o alongamento de cílios tem sido o serviço mais procurado. Se por um lado os eventos e festas continuam escassos – episódios que normalmente levam as mulheres a buscar o serviço de maquiagem profissional -, por outro lado a necessidade do uso da máscara acabou por dar destaque aos cuidados com a beleza do olhar. “Muitas clientes estão buscando o alongamento de cílios. Por incrível que pareça, nessa época de pandemia o que mais tem dado retorno são os cílios”, avalia, ao contar que atende em domicílio, formato também favorecido pelo momento em que as pessoas ainda buscam passar mais tempo em casa. “Como divulgo muito nas redes sociais, isso acabou me ajudando muito porque com as pessoas ficando mais em casa, acabam passando mais tempo no celular, então muita gente encontra o serviço pelo Instagram”.

Já no caso da autônoma Regina Celli, 58 anos, a oferta de serviços de beleza foi a saída encontrada após a saída do emprego formal, há três anos. Já tendo trabalhado em um salão de beleza, ela não hesitou em usar o conhecimento na área para oferecer o serviço de forma autônoma. “Eu vi uma oportunidade de trabalhar por conta própria. Hoje eu mesma faço o meu horário, mas mantenho uma rotina. De 8h às 16h30 eu estou atendendo”, aponta.

Dentre os serviços oferecidos por Regina, a pigmentação da sobrancelha e a aplicação dos cílios são os mais procurados. “A procura tem sido grande mesmo com a pandemia. Tanto mulheres, quanto homens têm procurado bastante”, considera Regina. “Do serviço de beleza eu consigo garantir a minha renda para o pão do dia a dia”.

Salões de beleza têm recuperação gradual

Com todos os cuidados necessários para atender aos protocolos recomendados pelas autoridades de saúde, o setor de salões de beleza vem observando uma recuperação gradual na busca pelos serviços. Para o Sindicato dos Salões de Barbeiros, Cabeleireiros, Institutos de Beleza e Similares de Belém (Sindsalões) a perspectiva é de que a movimentação continue crescendo.

Vice-presidente do Sindsalões e empresária do setor de serviços de beleza, Regina Maria de Menezes diz que o movimento tem crescido principalmente após a abertura de segmentos de lazer como bares e restaurantes. Ainda assim, ela avalia que algumas pessoas estão temerosas de frequentar espaços públicos. “Ainda tem muita gente com medo de se movimentar e sair de casa, mas paulatinamente o movimento está retomando, com algumas diferenças”, avalia. “Uma delas é no serviço de manicure e pedicure porque as pessoas começaram a fazer muito esse tipo de serviço em casa”.

Apesar disso, Regina acredita que o espaço de descontração proporcionado pelos salões deve atrair mais clientes a retornarem ao atendimento. “Os salões têm se esmerado em obedecer aos protocolos para trazer mais segurança aos frequentadores, como o uso da máscara, do álcool em gel, a limpeza diária. Esse cuidado redobrado garante a segurança tanto dos clientes, quanto dos profissionais que estão ali trabalhando”, diz. “Os salões oferecem um ambiente que traz alegria e bem-estar para as pessoas. De certa forma acabou virando um serviço essencial porque faz tão bem para o ser humano que melhora a autoestima, reanima a pessoa e ela sai muito mais positiva”.

EMPREENDEDORISMO

Crescimento

No dia 07 de março deste ano, portanto no início da pandemia do novo coronavírus, o número total de empresas registradas como MEIs (Microempreendedor Individual) no Pará era de 204.607. Já no último dia 19 de setembro o número alcançou 231.335, resultando em 26.728 registros a mais do que no período anterior à pandemia.

Beleza

Do total de MEIs registrados no Pará até 19 de setembro deste ano, 3.404 estavam enquadradas como atividades de estética e outros serviços de cuidados com a beleza e 11.457 estavam enquadradas como cabeleireiros, manicure e pedicure, de acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).

Atuação

Do total de empresas registradas como MEIs no Pará até 21 de setembro:

l 52,68% atuavam em estabelecimento fixo

l 18% atuavam porta a porta, em postos móveis ou por ambulantes

l 12,23% atuavam através da internet

Fonte: Portal do Empreendedor, Governo Federal – Estatísticas.

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