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DEVER CUMPRIDO

Ufra finaliza pesquisas sobre Covid-19 após constatar estabilidade no Pará

sexta-feira, 04/09/2020, 12:59 - Atualizado em 04/09/2020, 18:26 - Autor: Com informações da assessoria


| Marco Santos/Agência Pará

Seis meses após o início da pesquisa, a equipe multidisciplinar responsável pelo Boletim COVID-PA divulgou, nesta segunda-feira (31), a última atualização do boletim. O estudo, que lançava periodicamente a previsão de casos de contágios e óbitos por Covid-19 no Pará, bem como a demanda por recursos hospitalares, estava sendo conduzido por uma força-tarefa sob coordenação da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), com apoio institucional da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e participação de pesquisadores de diversas instituições de ensino brasileiras.

Apresentando uma taxa de acerto acima de 95%, o estudo vinha sendo utilizado pelo Governo do Estado do Pará desde maio, como referência técnico-científica para auxiliar nas políticas públicas de enfrentamento à pandemia. Ao longo desse tempo, as projeções apontaram os padrões de comportamento da doença no estado e em suas microrregiões, utilizando metodologias de modelagem matemática e Redes Neurais Artificiais (RNA), baseadas nos dados oficiais fornecidos pela Secretária de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa).

O Boletim COVID-PA nº 13 aponta que a situação do estado segue em uma tendência de estabilidade sustentável da pandemia, com o número de novos óbitos diários em um patamar baixo, como explica o professor Marcus Braga, da Ufra Paragominas, que integra a pesquisa. “Do ponto de vista de necessidade de leitos de UTI, das 13 Regiões de Saúde do estado, apenas três ainda necessitam de atenção: Lago do Tucuruí, Tapajós e Xingu. Com relação ao número de óbitos, todas as regiões projetam a tendência de estabilização”, relata.

Diferente dos boletins anteriores, o mais recente trouxe previsões do número de novos óbitos para os próximos sete dias e a demanda por recursos hospitalares, mas não abordou o número de novos contágios. Isso porque o Governo do Pará está conduzindo um inquérito epidemiológico com testagens em massa para contabilizar a porcentagem da população paraense que já adquiriu o vírus, o que poderia interferir no resultado do estudo. A equipe da Ufra, então, entendeu ser mais prudente utilizar somente o indicador mais fiel e menos suscetível a desvios nos dados, ou seja, o número de óbitos acumulados e diários.

O coordenador geral da pesquisa, professor Jonas Castro, avalia que, em parceria com os demais pesquisadores e instituições, a Ufra deu sua contribuição no combate ao novo coronavírus. “Nossa missão de ofertar pesquisa e extensão universitária em um momento delicado, quando a sociedade tanto precisava da academia, foi finalizada. Acreditamos que, com a correta alocação de equipamentos de UTI, leitos clínicos e profissionais da área da saúde, muitas vidas foram preservadas no estado do Pará. Ficamos felizes por termos representado a instituição e contribuído nesse processo”.

PARCERIAS E TRAJETÓRIA

Além da Ufopa, a pesquisa contou com a participação de profissionais da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade do Estado do Pará (Uepa). O professor Marcus Braga conta que um grupo da Ufra começou a estudar dados da pandemia ainda no mês de fevereiro, quando ainda não havia casos confirmados de Covid-19 no Pará, culminando na publicação de um artigo internacional. Diante do alto percentual de acerto nas projeções, a partir de abril passou-se a publicar um boletim semanal, que depois passou a ser adotado pelas autoridades públicas como ferramenta de apoio para o planejamento e o remanejamento de recursos.

Ao longo desse período, a equipe foi ganhando novos parceiros e o estudo foi tomando maiores proporções. “A equipe do Boletim, além de interinstitucional, é multidisciplinar. É composta por pesquisadores das áreas de modelagem matemática, inteligência computacional, genética e biologia molecular, infectologia, virologia e engenharia, além de profissionais de saúde como médicos, fisioterapeutas e enfermeiros. A cada semana, os dados da pandemia coletados na Sespa eram processados no datacenter da Ufra, com o uso da técnica de Redes Neurais Artificiais, e geravam as previsões epidemiológicas de casos acumulados, casos diários, óbitos acumulados e óbitos diários”, explica o professor. Além disso, o estudo gerava a previsão de demanda dos recursos hospitalares, como leitos de UTI, leitos clínicos, número de médicos, enfermeiros etc. Esses dados produzidos eram avaliados pela equipe do boletim, que emitia seus pareceres e análises de cenários.

O resultado de todo esse esforço era descrito e publicado nos boletins. “De posse destes dados, que dão uma visão futura do quadro da pandemia no estado, as autoridades puderam, por exemplo, subsidiar o sistema de bandeiramento do estado, que regulamenta o processo de flexibilização da economia e das atividades em todo o território paraense. Com dados da situação futura, foi possível também realocar leitos de UTI de regiões que tinham tendência a maior estabilidade para regiões com tendência de crescimento nos índices da pandemia”, exemplifica.

O professor Jonas Castro afirma que o início da pesquisa teve muitos questionamentos, mas isto é de praxe na ciência. “Evoluímos na metodologia e nas respostas, e o Boletim COVID-PA amadureceu ao longo dos meses. Apresentamos a nossa contribuição para o combate e o enfrentamento dessa pandemia e tivemos a possibilidade de ser ouvidos pelo poder público”, conta. “Foram meses de muita dedicação e de esperança por dias melhores. O grupo entregou-se diuturnamente a esta pesquisa e aprendemos muito uns com os outros”.

O coordenador ressalta, especialmente, a participação dos profissionais da UFPA e da Ufopa, que contribuíram ativamente na força-tarefa. Entre eles está o professor Antônio Carlos Rosário Vallinoto, chefe do Laboratório de Virologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA. “Particularmente, me senti muito honrado com o convite para participar do grupo de pesquisadores que desenvolveram este projeto tão importante para o estado do Pará”, declara o professor Vallinoto.

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