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'Nova gasolina' chegará ao consumidor após mudanças

domingo, 02/08/2020, 07:16 - Atualizado em 02/08/2020, 08:06 - Autor: Cintia Magno/Diário do Pará


| Wagner Santana/Diário do Pará

Com a expectativa de proporcionar maior eficiência energética, as novas especificações da gasolina automotiva brasileira devem entrar em vigor a partir de amanhã (3). A perspectiva apontada por especialistas é de que, com os novos combustíveis, os carros fiquem pelo menos 6% mais eficientes. As mudanças foram estabelecidas pela resolução nº 807/2020 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Especialista em combustíveis e combustão, o coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Pará (UFPA), professor Manoel Fernandes Martins Nogueira, explica que a resolução da ANP não estabelece exatamente a oferta de um novo tipo de produto, mas sim define um novo processo de fabricação de gasolina.

Ele aponta que o que deve ocorrer a partir de amanhã, é que toda gasolina comercializada atualmente será substituída por outra fabricada de maneira diferente. “É um processo mais fino e sofisticado que, tecnicamente, vai elevar a temperatura de destilação da gasolina”, aponta. “É produto melhor para o consumidor, mas que a tendência natural é que o preço do combustível suba, o que não quer dizer necessariamente prejuízo para o consumidor”.

O professor explica que neste novo processo a densidade da gasolina deverá aumentar. Em um exemplo prático, ele explica que quando o consumidor vai ao posto de combustível, compra gasolina por litros. Porém, para o motor funcionar o que ele precisa é de quilos, de massa. Essa relação entre volume e massa é chamada massa específica. “Atualmente a massa específica da gasolina fica em torno de 600 kg por metro cúbico. Nesse novo processo, a massa específica da gasolina vai subir para 715 kg por metros cúbicos”, explica.

“Na prática, isso significa que, com mesma quantidade de litros, será possível ter mais massa para que o motor funcione. O carro vai rodar mais quilômetros com o mesmo volume que comprava antes. A expectativa é que, com esses novos combustíveis, os carros fiquem mais eficientes em pelo menos 6%. O quilômetro por litro deve aumentar 6%”.

LIMITE

Outra consequência das mudanças previstas na resolução está na definição de um limite mínimo de massa específica para o combustível, que passará a ser de 715 kg por metros cúbicos. Atualmente, não há uma delimitação. “Se tem um limite mínimo para a massa específica, sempre que a gasolina estiver abaixo desse limite mínimo de 715 kg por metros cúbicos, ela estará adulterada, já que quando se mistura alguma coisa na gasolina, a massa específica cai”, esclarece Manoel Nogueira. “Então temos dois efeitos principais: diminui consumo de combustível pelo motor e dá mais segurança na qualidade e fiscalização do produto”.

Outro fator alterado pelas novas especificações da gasolina diz respeito a uma unidade de medida chamada de octanagem – número que indica se o combustível vai queimar no momento certo ou não. O professor aponta que “quando o combustível não queima no momento certo, ocorre o famoso ‘bater pino’ do motor, que fica vibrando quando está em baixa rotação”.

Com o novo combustível, a octanagem deve passar de 80 para 93, na gasolina comum, e para 97, na gasolina premium. “Significa, no cotidiano, que o carro vai funcionar mais suave. O motor vai funcionar mais suave e vai parar de ‘flutuar’ quando estiver em marcha lenta”, espera. “Os carros hoje trabalham com razão de compressão alta, principalmente os que não são fabricados no Brasil. Os que são importados vão funcionar muito melhor com essa nova gasolina porque ela tem qualidade similar à vendida nos Estados Unidos e na Europa”.

MOTOR

Com a melhoria na combustão, a perspectiva é de que a vida útil do motor fique mais longa e que a poluição também diminua. Com todas essas indicações, o professor aponta que a expectativa com as novas especificações da gasolina automotiva é boa. O que resta saber é o quanto essas mudanças custarão aos consumidores, já que, naturalmente, esse novo processo de fabricação é mais caro.

Até o fechamento desta edição, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Estado do Pará (Sindicombustíveis) não havia se pronunciado sobre o assunto e nem sobre a perspectiva de aumento nos preços em decorrência das mudanças estabelecidas pela ANP.

Consumidores

- Parte final de todo esse processo, muitos consumidores ainda desconhecem a mudança prestes a entrar em vigor. Atuando como motorista de aplicativo, o eletricista Erivelton Monteiro, 41 anos, desconhecia a mudança. Como utiliza bastante o veículo, ele encara com otimismo a possibilidade de ter acesso a um combustível de melhor qualidade, porém, não deixa de se preocupar com o preço. “Se for uma gasolina realmente mais eficiente, melhor”, considera. “Mas eu sei que o preço já pesa no bolso. Como eu rodo bastante, tento sempre manter o tanque cheio e só ir completando porque assim eu economizo”.

- Já no caso do serralheiro Manoel Fabiano, a saída encontrada para economizar está na alternância entre o uso da gasolina e o do álcool na moto, a depender do tipo de combustível que estiver mais barato. Ainda assim, ele conta que consome de 10 a 12 litros de combustível por semana. “Tem vezes que nem faz tanta diferença mudar a gasolina pelo álcool, mas não há outra coisa a fazer. Eu procuro ver qual está mais barato”, considera. “Eu não estava sabendo dessa mudança”.

- Outro consumidor que também desconhecia a medida da ANP, o técnico em refrigeração Eider Oeiras, 39 anos, ficou esperançoso com a possibilidade de conseguir rodar mais quilômetros com menos litros. “Eu não estava sabendo, mas se for para melhorar o desempenho do veículo é bem viável. Seria ótimo mesmo”.

Diário do Pará
 


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